Capítulo LIX

1752 Palavras
Celleney Peny. Até sair do escritório dele, as minhas pernas ficaram fracas, mas eu consegui manter a compostura e ainda assim caminhar mais na frente do que ele, para a minha própria segurança. As vezes nem eu confio em mim mesma. Aí, se entende o porquê do Saul ser um dedo duro comigo. Obviamente que ao chegar na sala de desjejum, eu sofri com o Virgil e as suas questões sarcásticas, e a mini interrogação de sempre. A Lyra oficialmente, me detesta. Você não notou isso antes, Neyney? Claro que notei, mas eu achei que fosse pelo simples fato de eu ter chegado aqui do nada, ter invadido o espaço e a casa dela que por acaso é um palácio. Provavelmente, por ela não ter tido uma primeira boa impressão minha, e pensei que sendo legal, ela talvez deixasse a guarda dela baixar um pouquinho. Porque vamos combinar, eu sou legal! Eu consigo ser mais legal que isso ainda, mas acontece que entrei num choque enorme e numa depressão profunda, tem poucas semanas e do nada sofri outro choque repentino, onde eu estou simplesmente confusa e obviamente, não no meu estado mental, e emocional normal… Me desculpe, por não estar no meu estado normal por agora, pessoal… Mas eu estou com a minha cabeça a ponto de explodir a tempo inteiro. Bem, depois do jantar, eu basicamente fiquei a intercalar entre perder a minha cabeça com a geringonça nomeada de relógio, e controlar a movimentação dos guardas através da janela. Felizmente, eu acho, o Henrik teve que sair, urgentemente, o que foi meio estranho, porque quando um homem que não é o chanceler, simplesmente fez um sinal para ele na sala de desjejum, as esmeraldas no seu olhar escureceram. Definitivamente, nada que seja bom aconteceu, mas ao menos eu poderei me recompor hormonalmente por mais um tempo. Como? Se nem probióticos devem ter aqui… Ai, eu estou dos pés a cabeça ferrada e m*l paga. Neste preciso momento, eu estou entrando a sala de desjejum para o pequeno-almoço, é, a noite foi curta, e eu também chorei horrores de frustração, porque se eu continuo aqui, é porque as minhas tentativas, continuaram não tendo efeito. - Bom dia! - eu saúdo a todos entrando na sala, sonolenta, porque não dormi quase nada. - Bom dia! - eles respondem, estão aparentemente animados hoje. A Cora ainda não chegou, mas todos, inclusive o Henrik está aqui, e eu simplesmente caminho para o lugar em que me sento. - Onde está a Cora? - o Henrik questiona e eu me questiono se ele só regressou de madrugada, como no outro dia. - Ah! - os nossos olhares são atraídos para a porta, para escutar o contínuo grito da Cora que apareceu com as damas de companhia e o chanceler logo atrás, agitada. - Porque está gritando, Cora? - a duquesa questiona se levantando apressada. Mas pela feição dela, não parece que seja algo grave. - Ainda é cedo para esses gritos, priminha. - o Virgil diz, parece que não fui a única que teve uma noite m*l dormida. - O que aconteceu? - o Henrik questiona. - Eu estava no jardim… - ela conta respirando com dificuldade. - Pela barra do seu vestido suja de terra ficou óbvio, minha pequena irmã. - o Charles diz e ela dá de ombros ajustando o seu vestido, respirando ofegante pela rapidez que ela veio. - Fale logo, Cora! - a Lyra diz. - O príncipe Leopoldo! - ela exclama e a face de irritação da Lyra altera imediatamente, para uma expressão tão alegre que até me assustei. - Ele está lá em baixo! - a animação da Cora é contagiante que me faz rir. - Isso é verdade? - a Lyra questiona extremamente animada, e desde que cá cheguei, eu nunca a vi desse jeito. Isso realmente me surpreendeu. - Tudo bem, recomponham-se. - a duquesa diz e a Lyra nem consegue disfarçar o sorriso no rosto dela. - O que realmente está a acontecer? - o Henrik questiona para o chanceler, mas com uma expressão nada boa, para falar a verdade, os três não parecem nada animados. - O príncipe Leopoldo de Austrias, veio pessoalmente entregar um presente. - ele explica e a respiração do Henrik torna-se visivelmente pesada. - E por que não subiu? - a duquesa questiona, visivelmente procurando conter a sua alegria também. - É um presente relativamente grande, vossa graça. - ele diz e olha só. - Penso que seria de ótimo grado se pudessem descer. - o chanceler diz, e a Lyra logo foi ajustando a saia do seu vestido. - Ele avisou que cá viria? - o Charles questiona, sem ânimo algum de recebê-lo pelo que vejo. - Pare com isso, Charles. - a duquesa diz. - Claro. - ela responde ao chanceler que assente positivamente e depois de um tempo, todos nós descemos, para a entrada do palácio. Três carrancudos, outras três felizes e uma curiosa. Quando lá chegamos tinham as pessoas que trabalham aqui no palácio, eles chamam de servos, tal como quando eu cheguei, olhando para o Leopoldo que está aqui com o seu… enorme presente. A carruagem dele está aqui também e outras atrás que suponho que sejam os seus seguranças ou guerreiros como eles chamam, por aqui. A saudação deles ocorre, e eu estou basicamente na porta, atrás de todos eles, me contentando em assistir tudo. - Um cavalo? - a Lyra o questiona observando o suposto presente, que é bem lindo por acaso, mas acho que ela não esperava por isso. Mas talvez depois da pequena conversa de ontem ele tenha achado que esse era um excelente presente para a princesa de Eldravia. - Sim! - ele afirma, visivelmente animado com a escolha do seu presente. - É um puro-sangue inglês. - ele diz e eu estou vendo, eu acho que ele queria a minha opinião para achar um presente para a Lyra, isso sim. Mas é com certeza um ótimo cavalo. - Após ter-me ajudado ontem, eu achei que esse seria um presente do agrado da senhorita Mille. - QUÊ?! Sinceramente falando, eu não estava à espera disso, tanto que o meu queixo literalmente caiu, e o olhar deles, se voltou para mim imediatamente, me deixando sem reação alguma. Eu acho que todos achávamos que seria para a Lyra, porque até a face dela embranqueceu. - Eu não percebi… - eu falo realmente confusa o encarando. - O cavalo é para mim? - eu lhe questiono. - Sim. - ele reafirma e agora, sim, os meus batimentos cardíacos começaram a acelerar. Um cavalo, está brincando?! Eu adorei, mas eu tenho que conter a minha animação por aqui. - Mencionou que já tinha um, mas eu pensei que esse não só seria do seu agrado como também mais um cavalo para se juntar aos que já tem. - ele diz e o meu rosto queima, e sim, pelo olhar do Henrik e da Lyra em mim. Eu não sei o que devo fazer. Recuso? Óbvio que não, seria uma bela de uma desfeita. Mas quer saber… Ele disse que é um presente de agradecimento, eles devem fazer isso constantemente, não? Eu estou no século mais passado que o próprio passado, presentear as pessoas pelas mais comuns coisas deve ser normal, por aqui. Eu quero acreditar. - Oh, muito obrigada! - eu falo, me aproximando do cavalo, tocando na sua fuça para que ele sinta o meu cheiro. E ele solta um curto relincho, nada agressivo. Que lindo. - Não precisava ter se incomodado. - eu lhe digo. - Foi um prazer. - ele responde-me e eu assinto realmente feliz, mas sentindo a tensão instalada por aqui. - Levem o cavalo para o estábulo. - o Henrik diz e assim o fazem, as damas de companhia também levam os buquês de rosas que ele trouxe para a Lyra, a Cora, para a duquesa e para mim daqui para dentro. - Foi um belo gesto da sua parte, vossa alteza. - a duquesa diz e ele sorri, enquanto eu observo o cavalo ser levado daqui. - Penso que concluiu o que veio fazer. - o Henrik é cortante, que o sorriso do Leopoldo desapareceu imediatamente. - Muito obrigada por receberem-me. - ele despede-se e apenas a duquesa mantém a compostura, a Lyra… está parada, sem expressão alguma. - Adeus! - eu e a Cora o despedimos, e depois ele entra na sua carruagem e sai. E a Lyra simplesmente entra no palácio, sem falar nenhuma palavra. E nós entramos logo em seguida. - Está a fazer sucesso, priminha! - o Virgil fala e eu suspiro fundo levando o meu olhar até ele. - Eu não entendo de que sucesso está se referindo, ele falou que é um presente por eu tê-lo ajudado na escolha da compra que ele fez ontem, nada mais. - eu respondo-o e o mesmo sorri. - Eu sei que não é tão ingênua, a esse ponto. - ele fala se aproximando do meu ouvido, e eu reviro os meus olhos. - É um lindo cavalo, igualzinho ao seu, meu irmão. - a Cora elogia olhando para o Henrik, que está visivelmente chateado. - Eu vou ter com a Lyra, não aguardem por mim para o pequeno-almoço. - ele diz e sai. E eu estou só embasbacada. Eu vejo os três caminhando na minha frente, a Cora conversa com a duquesa e o Virgil do lado da mãe, enquanto o Charles que se manteve calado, caminha do meu lado. - Eu não fiz nada de errado, não é? - eu questiono-o e finalmente ele abre o seu sorriso ameno e leva os seus olhos claros para o meu. - Claro que não. - ele me reafirma e eu suspiro fundo, porque a tensão que estava aqui no ar, até os passarinhos devem ter sentido. - Você só é tão bonita, que acaba recebendo presentes logo pela manhã, e não é culpa sua. - ele diz e eu só consigo sorrir. Ele tem uma aura tão apaziguadora e reconfortante que até o meu pequeno desespero sumiu. E eu me acalmei. Céus, eu não esperava isso. Mas veio a calhar, eu sei que um cavalo saiu daqui por algum lugar e um cavalo com toda a certeza será ótimo, para ir até aquela floresta de noite, porque sem chances de eu conseguir sair daqui de dia. Se alguma coisa acontecer, eu usarei quatro patas para fugir e não os meus dois pés. Isso é tão louco.
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