Duquesa Christine.
Isso não tem explicação alguma.
Essa moça deve ter vindo de algum lugar, é impossível que não exista ninguém que a tenha visto entrar, ninguém que a tenha trazido.
É impossível.
- E se oferecermos algum prêmio para quem souber de alguma coisa, provavelmente quem a trouxe recebeu uma alta compensação para não falar nada. - a Lyra sugere.
- Essa não seria uma má ideia, se a esse ponto essa oferta não fosse tornar-se pejorativa para nós, querida. - eu respondo-a e ela suspira fundo. - E isso só atrairia mentirosos. - que com certeza não é o que precisamos agora.
- Novamente, ela saiu nos jornais impressos. - a Lyra fala visivelmente enfurecida. - Era suposto a atenção dessa temporada estar somente em mim! - ela exclama e sinceramente essa é a menor das minhas preocupações agora.
A sua popularidade, é benéfico para nós e para a mentira criada, justamente para fazer todos os que cá a virão, esquecerem de como e com quem ela cá chegou.
- Não me parece que ela esteja interessada em nenhum casamento, o que torna o aparecimento dela ainda mais enigmático. - eu falo.
- Ela quer, sim, ela deixa-se ser cortejada por vários nobres, ela faz de tudo para chamar a atenção, inclusive, fingir que entende sobre cavalos para o príncipe Leopoldo. - ela fala e eu a encaro exausta de a escutar por hoje.
Eu tenho muito com o que me preocupar até o final da temporada, até o casamento do Henrik.
- O que a dama de companhia contou? - eu questiono para a minha.
- A dama de companhia afirmou que a senhorita Mille, não se importa com casamentos, inclusive m*l tocou nas prendas do arquiduque Castellanos, e que a vossa alteza real, Leopoldo de Austrias foi quem a convidou para ir ao Paddock ver os cavalos. - ela responde-me e o meu olhar vai para o rosto da minha sobrinha que está escandalosamente avermelhado.
Talvez eu devesse ter questionado isso, sem a sua presença.
Mas é melhor que ela ouça, para começar a agir como deve.
Por mais que ela não esteja interessada em casamento o que é ridículo e duvidoso da sua parte, e pelo que observei, pouco esforço faz para ser cortejada, é inegável que ela chama sim muita atenção, e consequentemente acabe atraindo todos os nobres, inclusive o príncipe que a Lyra que com certeza a melhor candidata dessa temporada, tem sentimentos.
- Você não afirmou que tinha certeza que o príncipe pediria a sua mão no início da temporada, Lyra. - eu questiono para ver a sua face ficar ainda mais vermelha.
- Eu não entendo o que está a acontecer, minha tia… - eu corto-a, eu já escutei o bastante.
- Aja como foi educada para agir, Lyra. - eu digo-lhe. - Supõe-se que se case ainda nessa temporada, se quer se casar com o príncipe Leopoldo, está mais do que na hora de exercer tudo o que lhe foi ensinado até então. - eu lhe aviso.
Porque fim ao cabo, eu também gostaria que a minha sobrinha se casasse com quem ela se sentirá satisfeita, mas no final das contas, isso não é o principal e nunca foi.
- Relembro-lhe que é a princesa de Eldravia, e para além do príncipe Leopoldo deve possuir pretendentes, dos quais serão benéficos para formar uma aliança poderosa com o nosso reino. - eu alerto-lhe e a mesma assente olhando para baixo.
- Se não conseguiu atrair a atenção de quem gosta, ocupe-se somente em escolher o melhor pretendente que se apresentar a você, e isso inclui abrir espaço para ser cortejada, caso contrário irá terminar uma mais temporada como uma jovem nobre solteira de quem mais ninguém fará questão. - eu digo-lhe e vejo lágrimas tomarem o seu olhar e mesmo assim, ela assentir positivamente.
- Eu farei isso. - ela fala, e eu a observo minuciosamente e suspiro.
Aja paciência.
- Ótimo. - eu digo-lhe. - Está na hora do jantar. - eu falo caminhando até a porta.
- Eleanor, procure saber de mais informações com a dama de companhia da Celleney. - eu falo e ela assente positivamente.
- Assim o farei, vossa graça. - ela diz e caminhamos até a sala de jantar.
O Charles e o Virgil já estão aqui.
E eu não contenho o meu sorriso, depois do que observei no evento de hoje.
Provavelmente um motivo desnecessário para ficar contente, visto que os três cortejam as nobres pela sua própria diversão, mas eu penso que tenho o direito de ter um pouco de esperança neles, mesmo com todo esse caos.
- Me digam, será que eu posso aguardar mais de dois casamentos, nessa temporada? - eu os questiono sentando-me e observando os dois sorrirem.
- Uma resposta dessas seria apressada demais para lhe dar, minha tia. - o Charles responde-me.
- De todos eu esperava mais de você, Charles. - eu digo-lhe e ele sorri.
- Lamento imenso por desaponta-lá, minha tia querida. - ele diz, e eu vejo a Cora entrar.
- Boa noite! - ela exclama, o humor dela tem melhorado, isso é ótimo.
- Boa noite, querida. - eu respondo-lhe.
- Onde estava? - a Lyra questiona-lhe enquanto ela vai abraçar o Charles.
- Na sala de música. - a Cora responde-lhe, sentando-se no seu lugar.
- Excelente querida. - eu digo, ela está realmente engajada nas suas atividades.
Ano que vem, com certeza será a debutante da temporada.
- E onde está o Henrik? - ela questiona quando as portas são abertas e não só o Henrik, como a Celleney adentraram na sala.
Estavam juntos?
O Henrik vinha logo atrás dela, e tanto os meus olhos como os dos quatro que cá estão foram facilmente atraídos por eles.
O Henrik tem uma presença inegavelmente magnética, ter os olhos cativos nele por simplesmente estar em sua presença é normal.
Ele possui a aura de um primogênito e do príncipe herdeiro poderoso que é.
O que acaba sendo admirável, é que de alguma forma, a Celleney emana a mesma energia, e de estranha forma, embora isso seja completamente impossível, e sem meio termo…
Os dois complementam-se de maneira cativante e até visualmente irreal.
Isso é tão ridículo.
- Oh! - o Virgil exclama com as suas brincadeiras sugestivas demais para o meu gosto.
Eu quero tanto acreditar que o Henrik irá se comportar, ao menos até se casar, mas a sua reputação e o tanto que eu conheço o meu sobrinho, faz-me não estar tão confiante.
Ele parece investido na Helena, e sem dúvida nenhuma a mesma estava mesmo antes de ser cortejada.
Porém, tal como a Lyra, é visível que ela está intimidada pela Celleney, não é difícil perceber isso, essa não é a primeira temporada que eu assisto jovens nobres, e eu uma vez fui uma.
Depois do baile, foi visível que nenhum dos três salvou-se do charme da estrangeira, e o pior desse trio, é o Henrik, como já mencionei.
Inúmeras vezes.
E eu não quero que ele se distraia com plebeia alguma, durante a temporada, ele precisa casar-se o quanto antes, porque sem que ele assuma o trono oficialmente, caos surgirá e para isso que eu cá estou.
- Olá! - ela saúda como tipicamente o faz.
- Henrik, espero que procurava um presente cortês para a nobre princesa Helena. - eu falo e ele sorri.
- Eu tenho um reino por cuidar, tia Christine. - ele responde se sentando. - Mas não se preocupe, eu já cuidei disso. - ele diz e eu assinto e sorrio com a resposta.
Obtivemos alguma coisa.
- E onde estavam? - o Virgil questiona para a Celleney que falava alguma coisa com a Cora, tão curioso quanto qualquer um nessa mesa.
- O Henrik… vossa alteza real. - ela retifica-se. - Está me ajudando a descobrir o que aconteceu comigo, eu estava dando apenas as minhas informações para ele, para que ele encontre a minha família. - ela responde tirando o seu olhar do Virgil para o Henrik.
E claramente tem alguma coisa à mais.
Eu sinto a tensão entre os dois, é impossível não perceber.
E isso não é bom, por mais que obviamente o Henrik acabe a usando como mais uma das suas inúmeras meretrizes.
Isso não é nada bom.
Até porque nem meretrizes nenhum deles deve ter.