Pré-visualização gratuita sonho destruído
- Você foi demitida outra vez? - A fúria está presente no seu tom de voz. Seu olhar é de impaciência.
- Tia, não foi culpa minha. O gerente estava dando em cima de mim desde o meu primeiro dia de trabalho.
- Isso não é desculpa, Clara! Por que diabos não deu para ele? Poderia ser promovida, sua anta! - Cerro os punhos com o imenso desejo de socar seu rosto.
- Não sou esse tipo de mulher, tia Lucrécia. Sonho em me casar e construir uma linda família com o Bruno.
O som alto de sua gargalhada escandalosa incomoda profundamente meus ouvidos, me fazendo cobrir eles com as mãos.
- Você é igual à tonta da sua mãe! Que vai se manter virgem para casar com um morto de fome que vai te dar um pé na b***a quando engravidar.
Suspiro, cansada, e sento no sofá de frente para ela. Lucrécia é irmã da minha mãe, é amargurada por não ter conseguido dar o golpe da barriga em um velho rico. Minha mãe se viu sozinha quando meu pai a abandonou. Infelizmente, ela teve complicações no parto e os médicos não conseguiram salvar sua vida. Minha tia me criou e joga na minha cara todos os dias que eu tenho que ser grata.
- Bruno é um bom homem. Ele trabalha muito na oficina para termos um casamento dos sonhos.
- Acorda para a vida, sua anta! Meses atrás, o bom moço estava usando drogas e fez você fazer diversas faxinas no fim de semana para pagar a dívida. Aposto que ele voltou a usar!
- Bruno é meu amor! Eu sempre vou ajudá-lo! Ele passou por um momento difícil, mas tenho certeza que agora está dando um duro danado para pagar nossa festa de noivado! As drogas estão no passado!
- O pior cego é aquele que não quer ver!
- A senhora deveria ficar feliz. Depois do noivado, vou morar com ele. Não terá mais que me aturar. - Digo, prendendo meu longo cabelo castanho em um coque.
- Se eu fosse você, arrumaria um homem rico, bem velho, à beira da morte, e me casaria com ele. Bruno logo irá te abandonar.
- Quer saber, vou tomar meu banho... - Digo, me levantando.
- Não se preocupe, vou arrumar outro emprego!
Ela revira os olhos. Deixo ela na sala resmungando e me dirijo para o banheiro. Tranco a porta e me livro da minha camiseta branca e da calça jeans azul com bordados de flores. E, obviamente, da roupa íntima.
Ao sentir a água morna molhar meu corpo, me permito relaxar e esquecer meus problemas por alguns instantes.
Ao terminar, me enrolo na toalha e, quando estou indo para meu quarto, tia Lucrécia grita meu nome.
- VENHA JÁ AQUI, ANTA.
Felizmente, falta pouco para sair dessa casa. Vou ser feliz com o homem da minha vida e não irei escutar o apelido m*****o que Lucrécia me deu nunca mais!
Contra a minha vontade, caminho até a sala.
- Tia, eu estou muito cansada para ouvir suas reclamações.
Tomo um susto ao ver a figura de um homem extremamente atraente de terno preto. Ele é alto e forte. Seus olhos são sombrios e seu semblante amedrontador. Parece aqueles mafiosos perigosos. Eu sei quem ele é!
Victor Smith, um bilionário com fama de ser frio e impiedoso. Sua renomada empresa que fabrica armas e equipamentos militares só deixa a conta bancária desse homem implacável mais gorda a cada dia.
Eu sei disso porque minha tia ama ler revistas de fofocas. Ela corta as fotos dos homens ricos e cola na parede do seu quarto.
- Eu avisei que o o****o do seu namorado iria te deixar na merda! - Seguro minha toalha com firmeza para não cair. Seria uma imensa vergonha ficar nua diante desse homem que me causa calafrios.
- Tia, o que está acontecendo? - Para esse homem estar aqui no subúrbio do Rio de Janeiro, só pode estar acontecendo um apocalipse zumbi ou a terceira guerra mundial.
- Eu vim buscar minha escrava. - Sua voz é impactante e poderosa.
Victor me encara de modo insensível. Meu olhar se prende no seu. Ele se assemelha com um ser sem alma e sentimentos, que tem uma pedra no lugar do coração. Sua aparência é sexy e sombria,
- ...como a de um anjo caído
.
- Tia, pelo amor de Deus, o que esse homem faz em nossa casa?
- O i*****l do seu namorado fez uma enorme dívida com traficantes e pediu o dinheiro emprestado para o senhor Victor. - Meus olhos se arregalam de surpresa. A prima de Bruno estava trabalhando para um homem rico, mas eu não sabia que era Victor. Ele deve ter ido levá-la para o trabalho para falar com o chefe dela.
Droga! Estava tudo indo tão bem. Por que o i****a do Bruno tinha que estragar tudo?
- Seu príncipe encantado te ofereceu como pagamento e fugiu com o dinheiro. Se quiser que eu pague a dívida, terá que ser minha escrava por um ano. vai fazer tudo que eu ordenar. - Fala Victor, me olhando de cima a baixo.
- É mentira! Bruno me ama. Ele jamais fugiria sem mim. - Meu celular toca dentro da minha bolsa, em cima do sofá. Atendo. Sorrio ao reconhecer o número do meu grande amor.
- Amor, por favor, me diz que você não voltou a usar drogas.
- Sinto muito, Clara. Olha, você é uma boa garota, mas eu nunca quis me casar com você! É melhor aceitar a proposta do senhor Smith, senão vai ficar sem suas belas pernas, gatinha. Adeus, não procure por mim. - Diz e desliga.
Para piorar a minha situação, a toalha cai, me deixando pelada na frente da minha tia e de Victor Smith, e dos seus dois seguranças que acabaram de entrar.