Dulce Maria
Acordei no dia seguinte ainda no quarto de Christopher porem ele já não estava na cama, fiquei completamente arrependida com o pensamento de que talvez não tivesse sido uma boa ideia dormir no quarto dele, peguei minhas roupas e fui direto para o meu quarto, fiz minha higiene pessoal, tomei um belo e relaxante banho, me enrolei na toalha e fui me trocar, mas ao olhar por cima da cama notei uma sacola que parecia ser de uma loja cara
Dulce - Não me lembro de ter comprado nada dessa loja no cartão do gostosão – Pensei comigo mesmo
Por via das duvidas peguei a sacola e fiquei apaixonada com que tinha dentro, um vestido lindo juntamente com um bilhete:
" Acordei cedo e fui a uma loja comprar um presente para que você use no dia de hoje e também em sinal de agradecimento pelo que você está fazendo pelos meus filhos"
Meus olhos brilharam ainda mais por ter sido um presente vindo dele, será que ele acertaria meu tamanho ou gosto? De fato, era um vestido lindo, estilo tubinho que ia definindo meu corpo perfeitamente
Como já estava quase no horário da festinha na escola de Edu e Antonella já havia me informado no dia anterior que arrumaria os meninos para que eu tivesse tempo de me arrumar também, então decidi já ir me arrumando, fiz uma escova, uma maquiagem leve porem que fosse marcante para não fazer feio na escola para Eduardo, já que seria sua primeira festinha de dia das mães na escola, coloquei uma lingerie preta para combinar com meu vestido perfeito, uma sandália de salto fino também preta e a outra bolsa que eu havia comprado com o cartão do meu querido chefinho
Desci para encontrar as crianças e Antonella mas só estava Christopher com uma camisa e calça social e de avental servindo o café das crianças, fiquei observando pelo canto da pilastra e pensando como que esse homem conseguir ser tão gostoso e tão arrogante em 1,80 de tamanho?
Eduardo – Tia Dul, bom dia!
Christopher – Ah, a Bela adormecida acordou?
Dulce – Bom dia fofuxinhos e bom dia patrãozinho! Cadê Antonella?
Christopher – Como iríamos ir á festa na escola de Eduardo e hoje não tenho treino, após Antonella ter arrumado as crianças para a festa, eu decidi dar folga á ela também
Dulce – Ah sim, se quiser pode deixar que eu mesmo sirvo o café, estou acostumada!
Christopher – Não precisa, eu mesmo sirvo. Até porque você já esta pronta também e maquiada – Falou me servindo café e pães de queijo
Dulce – Olha que mudança hein! Pra quem não me queria nem sentada na mesa, está me servindo?
Christopher – Pegue antes que eu me arrependa Dulce!
Eduardo – Tia, ontem papai brigou com a senhora?
Dulce – Aquela briga eu quero ter sempre, todos os dias se dependesse de mim!
Christopher – Dulce! – Me repreendeu
Dulce – Mas porque está perguntando isso Edu?
Eduardo – Porque eu ouvi alguns gritos e o papai falava o seu nome, achei que estivessem brigando
Olhei para Christopher que estava mais branco que papel, eu me engasguei com o pão de queijo que estava comendo e Christopher buscou água para mim
Christopher – Toma, bebe essa água
Eu tomei a água que Christopher me deu, o engasgo passou mas a ardência no rosto permanecia
Tomamos café em paz e como se fossemos uma família, apesar de sentir meu rosto arder a ponto de fritar um ovo, eu não n**o que fico muito feliz até porque apesar de me dar bem com meus pais, á um tempos atrás se desfez o meu desejo de algum dia ter uma família feliz, diante os traumas que eu tive da minha adolescência para cá
Chegamos à escola e estava tudo lindo, eu mesmo nunca fui a uma festa de dia das mães, na verdade eu sempre era a filha e aquilo também estava sendo uma novidade, não só para Eduardo como para mim também
Eduardo – Tia, obrigadao por ter vindo! Eu estou muito feliz – Falou com os olhinhos úmidos
Dulce – Nada pestinha, também está sendo incrível para mim, até porque eu nunca vim á uma festa de dia das mães assim
Eduardo – Vem tia Dul, vou te apresentar a todos os meus amiguinhos
Eduardo parecia ser um menino com muitos amigos mesmo, todos vieram falar comigo e até pensaram que eu era a mãe dele
XxXx – Edu, sua mãe é linda e bem cheirosa
Eduardo – Não é minha mãe não Ben mas é como se fosse – Falou se escondendo entre as pernas do pai
Henrique estava todo manhoso e não queria ir para o colo de Christopher por nada nesse mundo e estava difícil dar atenção aos amiguinhos do Edu com Henrique no colo
Christopher – Dulce, vamos nos sentar? Já já começa as apresentações
E foi somente o tempo de nos sentarmos e Edu se juntou a sua turma para iniciarem a apresentação
Professora – Vamos dar inicio á apresentação de dia das mães da turma do Ensino Infantil
As crianças estavam todas umas ao lado da outra com um desenho no meio do peito com um coração enorme escrito Mãe, Eduardo estava bem á frente e acenando e eu como uma babá coruja que me tornei, passei Henrique para o colo de Christopher e comecei a filmar tudo e a apresentação começou
" Eu era apenas eu, nada demais, chorava enquanto meu coração escondido ia seguindo os teus sinais, você era você, tão especial e me olhava igual sorriso de criança esperando o presente de Natal
E vi que era amor quando te achei em mim e me perdi em você, somos verso e poesia,
outono e ventania, praia e carioca, somos pão e padaria, piano e melodia, filme e pipoca, ah! E de dois corações um só se fez, um que vale mais que dois ou três ? "
Olhei para o lado e me impressionei com a cena, Christopher estava enxugando o canto dos olhos e ninando Henrique em um dos braços, coloquei minha mão em sua coxa para demonstrar que não precisava ter vergonha por chorar e que eu estava ali para conforta-lo
Christopher – Eu nunca vim em uma festa de dia das mães do meu filho
Dulce – Não tem porque se envergonhar Christopher, você é PAI e um pai maravilhoso!
Christopher – Eu sinto que nunca consegui suprir o lado materno deles, mesmo eu tentando
Dulce – Não se preocupe, na arte de ser pai você é o melhor! Só peca sendo chefe mesmo
Christopher – Dulce! – Falou me repreendendo porem dando um sorriso
Dois alunos da turma estavam responsáveis por prestar uma outra homenagem em nome da turma, um deles era o menino ao qual Eduardo havia brigado outro dia na escola porque haviam dito que ele não tinha mãe, ele pegou o microfone e uma perua loira se levantou fazendo um show para mostrar que era filho dela e então ele começou:
Querida mamãe, irmã da minha tia, esposa do meu pai e dona da gritaria, me ensina a ser educado, que mentira não se conta mas nunca foram verdadeiros os na volta a gente compra, eu adoro o seu carinho mas odeio o seu sapato, aquele que você me joga quando eu piso no seu chão molhado, seus conselhos são valiosos vivem salvando a minha vida parei até de engolir chiclete para não grudar nas minhas tripas, diz que meu quarto é uma zona e por isso eu nunca acho nada, que se for lá e encontrar vai esfregar na minha cara, quase sempre a senhora acorda muito descabelada, com olheiras, bafinho e aparência de cansada mas tudo muda em minutos quando se tranca no banheiro, sai linda e produzida, charmosa e sem defeitos, da carinho, da amor e as vezes uns belos tapas mas no mundo a nossa mãe é a coisa mais sagrada!
E logo a mãe foi sentando-se e recolhendo a própria insignificância, foi aí que notei o motivo pelo qual o outro aluno havia implicado com Eduardo, ele era daquela forma pois era assim que a mãe o tratava mas ainda assim o menino demonstrava ter um grande amor pela mãe
Novamente veio a professora de turma anunciar o segundo aluno á prestar homenagem e fomos pegos totalmente de surpresa quando na frente do palco estava Eduardo com um cartaz: TE AMAMOS MÃES e falando a seguinte frase:
A base da maternidade é o amor e sendo assim, para ser mãe, só é preciso amar! Tenho adoração e eterna gratidão pelas mães de coração! Obrigada tia Dulce, por ter vindo fazer o papel que minha mamãe deveria fazer, obrigada por nos dar tanto amor e carinho, obrigada por ter feito nossa vida mais feliz!
E aqui bastou para que dessa vez, eu mesmo caísse às lágrimas! Como em tão pouco tempo eu pude me apegar tanto aqueles dois pimpolhos?
Para terminar teve uma canção com todas as turmas juntos
Eu era um tiquinho na barriga da mamãe, agora eu sou grandinho ainda gosto de um colinho; Mamãe, eu te amo de montão, mamãe, pra você esta canção! Tão maravilhoso é o amor que Deus plantou, um amor precioso entre nós assim formou, mamãe, eu te amo de montão, mamãe, pra você esta canção e eu te amo de montão!
Eduardo veio correndo em direção ao pai e depois me deu um abraço caindo em lágrimas e me estendendo o presente de dia das mães que a escola havia pedido o dinheiro para comprar e aquilo com toda certeza ficaria gravado para sempre não só na memória de Edu como na minha também!