KN A manhã já tava quente demais quando eu sentei no banco da esquina. O mesmo banco de sempre. A mesma rua. Os mesmos manos ao redor — rindo, falando besteira, fumando — mas minha cabeça não tava em nenhuma das conversas. Meus olhos só sabiam procurar ela. Luana. Desde o dia em que ela desceu aqui com o moleque do lado, eu não consegui tirar a imagem dela da cabeça. Aquele jeito dela de fingir que não me via… De abaixar os olhos como se não sentisse nada… Como se eu não tivesse ali todo dia, sentado no mesmo lugar, só esperando ela passar. Ela achava que me enganava. Mas eu percebia tudo. Ela tentava esconder, tentava se fechar, mas eu sentia daqui que ela não era tão indiferente quanto queria parecer. Acordei cedo só pra isso hoje: pra ver se ela descia de novo. Sentei no

