Capítulo 9: Mudanças

2355 Palavras
O nascer do sol tinha tido um significado mais excitante para Celine, que acordou com a cabeça no peito do marido. A noite tinha sido agitada. Depois do escritório, insaciáveis, ambos tomaram um banho juntos regrado a mais outra chuva de orgamos. E quando se deitaram, experimentaram mais algumas posições, antes de apagarem completamente exauridos. — Bom dia meu amor. Ele balbuciou, dando um beijo suave na testa da esposa. — Oi meu bem. Bom dia. Quer café? — Quero. Vou tomar banho. Se eu ficar mais cinco minutos na cama, vou perder a hora... Ele olhou para os seios de Celine, faminto, enquanto mordia um dos lábios. Ela deu uma risada e levantou, esquecendo que estava completamente nua. O vestido da noite tinha ficado em algum canto do escritório, ela só não lembrava qual. Enquanto ele tomava banho, ela desceu de roupão para pegar o café. Estava feliz que a chama não tinha se apagado totalmente entre eles, depois de tanto tempo. Por algum motivo, ela sentia que os próximos meses seriam de uma transformação na vida deles. E dessa vez, ela faria questão de realmente se esforçar para tal mudança. Talvez começar a trabalhar um pouco menos fosse uma boa ideia. Passar mais tempo com seu marido, sua irmã, suas amigas que ela não via há um bom tempo e que nem sabia se ainda eram amigas mesmo. Tinha tanta coisa que ela estava perdendo por se manter presa demais ao trabalho. Ela amava aquela empresa como ninguém, até mais do que o próprio dono se duvidasse, mas ela havia passado a vida inteira trabalhando, batalhando para ter suas coisas, alcançar suas conquistas e ajudar as pessoas que precisavam sem se cuidar ou se preocupar consigo mesma. Então talvez estivesse na hora de ajudar a pessoa que mais importava: ela. — Bom dia, senhora. Parece mais animada. — A noite foi boa Olga. — Imagino. Entrou sorrindo. — Uma mulher realizada é tão bom. Ou quase realizada, pelo menos. — O que lhe falta, senhora? Celine fechou o semblante e pediu que a empregada esquecesse o assunto, montando em silêncio uma bandeja com café da manhã. Enquanto caminhava até o quarto, seu desejo profundo parecia persegui-la. Ela precisou parar na porta do quarto, respirar fundo e enxugar uma ou duas lágrimas que tinham escorrido. Ela sabia que não devia pensar no assunto, mas por vezes, era impossível. Victor saiu do banheiro com uma toalha na cintura e outra enxugando o cabelo. Ela deixou a bandeja em cima da cama, sem dizer uma palavra. — Está tudo bem? Ela balançou a cabeça positivamente, enquanto ficava parada ao lado da cama, sem olhar para o marido. — É claro. Por que não estaria? — Não sei, me diga você. Ficou estranha de repente. Aconteceu alguma coisa? Notícia ruim? — Não, nada. Preciso trabalhar. Ela caminhou até o closet, pegou uma roupa e se encaminhou para o banheiro. Ele apenas deu de ombros e sentou na cama para comer, enquanto mexia no celular. De repente, ela parou na porta do banheiro e levantou o olhar devagar. — Nós... nós não usamos camisinha ontem. — E daí? Até parece que você pode engravidar. Respondeu, sem dar a menor importância. — Eu ainda não entrei na menopausa. — Você tem 45, Celine. Suas chances são quase zero. — Ainda sim, existem. Ele deixou o celular de lado e se levantou, pondo as mãos na cintura, indagando com um tom de quem não acreditava no que estava acontecendo. — Quer tocar mesmo nesse assunto? De novo? Logo agora? — Por que não agora? — Diabos, porque estamos bem! Estamos ótimos, finalmente, e você vem com esse papo. Nós dois sabemos que mesmo que você pudesse ser mãe, não seria tão boa. Quer dizer, vive trabalhando, mal para em casa. Sinceramente Celine, não me atente com essas ideias de novo. Ela ficou parada, olhando para o nada. De repente sorriu, com a lágrima descendo. — É, talvez tenha razão. Você também seria um pai de merda. Se estamos associando os papéis esposa e mãe, marido e pai. — Celine... Ela entrou no banheiro, ignorando-o. Victor respirou fundo, se levantando. Ele bateu na porta, mas ela não respondeu. Tinha esquecido que ela ainda tinha sensibilidade àquele assunto. Mesmo passando meses, ela sempre se questionava sobre a possibilidade, mesmo sabendo que as chances eram extremamente pequenas para alguém de sua idade. E mesmo que conseguisse, o parto poderia ser muito difícil. Uma gestação como seria delicada demais e Victor não tinha tempo e disposição para aquelas coisas. Logicamente que ele preferia gastar o máximo das suas horas fora do trabalho com sexo do que com a consequência dele. Celine deixou que a água escorrer por sua pele, enquanto as lágrimas desciam por seu rosto e se misturavam a água. Talvez ele estivesse certo, talvez ela não conseguisse conciliar as duas coisas. Talvez ela fosse uma daquelas mulheres que não tinham nascido para se tornar mãe, apesar do desejo que rondava seu coração. E talvez fosse a hora dela se conformar. Não era a primeira, mas talvez fosse a última vez que ela tocava naquele assunto com ele. Victor sempre dizia que não queria filhos e que ela seria uma péssima mãe. No dia seguinte ele sempre dava um jeito de pedir desculpas de alguma forma extraordinária, para fazê-la esquecer da dor que provocou. No entanto, se aquela fosse mesmo a última vez, ela teria um pouco mais de dificuldade de perdoá-lo. Ela ficou no banho o tempo necessário para que ele não pudesse mais esperar. Victor era pontual e não se atrasaria nem mesmo para agradá-la. Então ela pôs seu terninho preto e saiu, encontrando apenas a bandeja quase intocada em cima da cama. Pegou uma maçã e foi para o trabalho. Celine pensou em desistir várias vezes durante os dois meses que se passaram. Ela não se importaria de ter pago por algo que ela não usaria ou até mesmo de doar aquelas duas semanas maravilhosas. Mas no fim das contas, sabia que não podia desperdiçar uma chance como aquela por causa de Victor e suas convicções idiotas. Nada iria fazê-lo mudar de ideia e, de qualquer modo, ela não tinha mais chances. Chase se viu surpreso quando descobriu que sua chefe finalmente iria tirar férias. Certo dia, Alberto apareceu na empresa e ele ficou encolhido em sua sala, para não correr o risco de falar demais. Porém ao chegar em casa, descobriu que Celine tinha resolvido tirar duas semanas de férias nas Maldivas, com o marido. Aquela seria a oportunidade perfeita para colocar seu plano em ação. Mas ainda foi necessário um trabalho extra para convencer o pai a deixá-lo ir também. — Por que agora? Está tão perto do seu casamento. — Exatamente! Eu quero aproveitar essas semanas. A Celine não vai estar por aqui. Quando ela voltar, cumpro minha última semana de trabalho e serei um homem casado, como o senhor deseja. — Não sei, Chase. Podia aproveitar esse tempo para conhecer sua noiva... Quem sabe.... — Ficaremos um ano juntos, pai. Tempo suficiente para nos conhecermos. Por favor, eu fiz tudo o que o senhor pediu. Me empenhei ao máximo. Só te peço duas semanas pra curtir minha vida de solteiro. Alberto estava com os braços cruzados e o olhar desconfiado, mas acabou não resistindo aos olhos suplicantes do filho, e cedeu ao seu desejo. Lhe deu uma boa quantia para gastar à vontade em sua despedida de solteiro. Aiden não ficou muito satisfeito em saber que o irmão faria essa viagem, principalmente porque ele sabia que a intenção de Chase era conquistar Celine para ganhar a aposta e ele estava de mãos atadas sobre o que poderia fazer. Não achava que ela realmente fosse cair nos braços dele, Celine era um pouco mais difícil do que as pessoas com quem Chase estava acostumado a ficar. Mas era um risco muito grande. Então, pensando nisso, uma ideia lhe surgiu a mente. Algo arriscado, porém tinha tudo para dar certo. — Estou tão empolgada. Celine comentou, tomando uma xícara de chá. — Deve está mesmo. Você nunca toma chá. Selma respondeu, bebendo o capuccino. — Vou sentir falta de conversar com você. — Ligarei todo dia, não se preocupe. Celine deu um sorriso fraco, olhando pra sua bebida. Os últimos meses tinham sido corridos. Ela trabalhou bastante nos eventos que estavam marcados, deu tudo de si, conseguindo entregar um trabalho incrível e muito elogiado pelos clientes e convidados. E teria muito mais, caso ela não tivesse decidido realmente dar essa pausa. Talvez Victor tivesse razão sobre ela não ser mãe. Ela quase não tinha tempo para respirar, quem dirás cuidar de uma criança. — Será que eu deveria mesmo fazer isso? Sei lá, as vezes acho que o Victor não está animado com a ideia. Além disso, tivemos aquela briga feia. — Pelo que me contou, não foi bem uma briga. Ele foi um babaca como sempre e você percebeu. — É, ele foi mesmo. — Mas eu torço pra que você descanse e relaxe sua mente. Talvez as coisas fiquem mais claras nessa viagem. — Como assim? — Você está tão ocupada com o trabalho, tão obcecada por isso, que sua mente não para, sabe? Talvez isso ajude a relaxar mais. Você vai voltar outra pessoa, tenho certeza. Selma gostaria de dizer que talvez essa lua de mel fosse mais um pré anúncio do divórcio do que reavivamento do casório, se Celine permitisse abrir os olhos por dois segundos, mas isso acabaria com todo o encanto e talvez deixasse as coisas entre elas estranhas novamente, então, decidiu que não falaria mais nada. Victor não estava animado, mas conforme o dia foi chegando, a ideia de passar duas semanas com duas amantes maravilhosas lhe pareceu extremamente interessante. Ele faria o mínimo com sua esposa, porque depois de ver os hotéis e tudo mais, resolvera mandar suas adoráveis mulheres para ilhas particulares, onde ele poderia chegar em poucos minutos e desfrutar das maravilhas das Maldivas. Ele já tinha tudo planejado, inclusive qual desculpa daria pra tirar a mulher do hotel enquanto ele prefere passar o dia "dormindo" quieto em seu quarto. Chase conseguiu descobrir vasculhando o computador de Mia, qual o nome do local e do hotel onde Celine estaria. Ele seguiu o rastro do nome de Victor e encontrou duas reservas na mesma época, de mulheres que já passaram por seu escritório e que havia suspeitas de que ele estaria tendo um caso. Óbvio que ele levaria as mulheres. Faria ainda pior do que ele tinha pensado. A mente doentia daquele homem ultrapassava qualquer coisa que Chase pudesse pensar, apesar de que ele sabia que não estava sendo nenhum pouco correto, porém ignorava isso e qualquer coisa que fizesse pensar consciente. Precisava vencer uma aposta e nada estava acima disso. Mia estava orgulhosa de sua chefe. No dia da viagem, ela fizera questão de acompanhá-la até o aeroporto. Eles pegariam um voo de primeira classe até o aeroporto de Male, capital das Maldivas, e depois seguiriam em um iate luxuoso até o hotel. Celine tinha escolhido um lugar paradisíaco e com várias atividades para casais, a fim de estimular e melhorar o relacionamento. No entanto, metade dos funcionários estavam comentando que Victor não iria sozinho nessa viagem. Ninguém tinha nenhuma confirmação ou prova, sequer sabiam das duas mulheres que já esperavam por ele, mas todo mundo conhecia a personalidade asquerosa que a CEO era ocupada demais para perceber. Chase também iria nesse mesmo dia, porém em um voo particular. E em sua bagagem, Travis. — Como conseguiu convencer meu chefe a adiantar parte das minhas férias? — Com a única coisa capaz de corromper a humanidade. — Ah, é claro. Mas eu sinto que vou ficar sobrando nisso. Você vai tentar atacar sua chefe e eu? — A ideia é você me ajudar com o Victor. Preciso fazer com que ela descubra sobre as traições. Sua missão vai ser vigiá-lo. Travis balançou a cabeça, incerto. — Não gosto disso, Chase. Não gosto nenhum pouco dessa merda toda. Eles estavam caminhando tranquilos até a pista de pouso. As malas já no jatinho. — Amigo, tudo bem se não quiser ir. Não posso te forçar. Mas você me ajudaria demais indo. Além do que, eu soube que nessa época do ano os solteirões mais gatos da América gostam de ir afogar as mágoas lá. Travis olhou para o amigo, que sabia exatamente em qual ponto deveria tocar. Depois de respirar fundo e não pensar muito, ele concordou. — Não quero estar lá pra ver a reação dela, ok? Não aguentaria. — Tudo bem, agora vamos. Quero me instalar antes deles chegarem. Eles entraram no jatinho, que decolou logo depois. Celine se despediu com um abraço caloroso em sua irmã, no aeroporto. Mia abraçou-a quase em prantos. Alberto também estava lá. — Por favor, aproveite muito essas férias. Você precisa. — Obrigada, Alberto. Muito obrigada mesmo. — Eu é quem agradeço por estar sempre com a gente. Grace disse que quer te ver assim que voltar. — Será a primeira coisa que farei, prometo! Eles se abraçaram, enquanto Victor revirava os olhos. O voo deles foi chamado e após um minuto ou dois de abraços mais apertados, eles finalmente partiram. Mia e Selma estavam abraçadas, ombro a ombro, olhando pra eles e acenando. Desta vez, Victor se comportou o suficiente e não dirigiu a palavra a Selma, que agradeceu e pôde chorar em paz enquanto via a irmã indo. Era bom finalmente ver que ela teria um momento de descanso. Só esperava que ela pudesse de fato aproveitar e não ficar pensando em trabalho o tempo todo, mesmo sabendo que a empresa estaria nas mãos competentes do Alberto e da Mia. — A única coisa que desejo é que ela volte bem. Comentou a irmã, respirando fundo. — E solteira. Sussurrou Mia, permitindo que apenas Selma escutasse seu comentário, que apenas deu uma breve risada e concordou. Ambas nem imaginavam o tipo de mudança que aquelas duas semanas iria provocar na vida da Diretora Executiva, mexendo principalmente com seu estado civil.
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