Capítulo 8: Inevitável

2297 Palavras
Os dias passaram e Celine nem mesmo sentiu. Ela e seu marido não estavam se comunicando muito bem. Ainda chateada, ela preferia manter um pouco de distância. Ele resolveu respeitar o espaço dela, desta vez, mas todos os dias mandava flores do jardim pra ela e escrevia algum poema para enviar ao escritório dela, todos os dias. Sua forma de pedir desculpas sem ter que usar a boca. De qualquer forma, as passagens e o hotel já estavam reservados, mas ela iria esperar um pouco mais para revelar a ele a decisão e, a única coisa que desejava, era de não se decepcionar amargamente. Se ele não quisesse ir, não tinha problemas. Não poderia obrigá-lo, mas faria tudo o que pudesse para salvar o casamento de um naufrágio. Chase também estivera focado, desta vez no material de estudo que Celine tinha lhe enviado. Ele estava reprimindo seus sentimentos e a melhor forma de fazer aquilo era com estudos e trabalho. Ignorando que estava fazendo uma aposta no meio da doença terminal de seu pai e que isso era muito insensível e irresponsável, consciente de que era tarde demais para voltar atrás. Afinal, um Barnes nunca voltava atrás. Faltava poucos dias para os dois eventos que traria um grande espaço na mídia. Durante aquela semana, eles seriam a notícia. A imprensa estaria enlouquecida atrás de informações sobre o casal de famosos que se casaria. Enquanto isso não acontecia, Chase estava se matando de estudar cada planilha. Precisava dar seu máximo para sua adorável chefe. Para provar que não era tão privilegiado somente por ser parente do dono da empresa, seria necessário um pouco mais de talento. Ele aproveitou para ler também as regras da empresa e tudo o mais que ela tinha enviado, e até pesquisou algumas informações extras. Como seu amigo havia dito, para conquistar alguém como ela, tinha que demonstrar responsabilidade e dedicação com o trabalho. Celine parecia ser o tipo de mulher que se atraía quase que automaticamente por homens dedicados ao trabalho. — Tô entrando em! Celine ergueu os olhos, já furiosos, com quem abria a porta. Mas logo relaxou, quando os olhos calidos e serenos a cobriram de reprovação. — Você não tem jeito. Disse Selma, cruzando os braços e olhando a bagunça da mesa. — Você só vem aqui pra me dar sermão? — Eu lá tenho culpa de você ser uma desorganizada e compulsiva por trabalho? O único jeito de te ver é aqui. Não vou na sua casa pra correr o risco de chegar perto do sociopata do seu marido. — Ele é um idiota, mas não é sociopata. — É quase a mesma coisa. Selma deu de ombros, se sentando e cruzando as pernas dessa vez. Uma das mãos foi parar no joelho, despretensiosa. — Não é, mas deixa pra lá. O que veio fazer aqui além de me perturbar? — Fiquei sabendo que alguém pretende tirar férias. Quase trouxe o champanhe pra comemorar. — Quem disse isso? A Mia anda de fofoca? — Relaxa, ela só contou pra mim. Liguei ontem pra você, que claro, não atendeu. Aí eu comecei a falar mal de você e que não tem tempo pra nada e ela disse que você tinha finalmente resolvido tirar férias. Vai ser quando? Eu preciso dar uma festa antes. — Você falou mal de mim pra minha funcionária? Celine olhou pra irmã sem acreditar muito em suas palavras. Era cômico e irritante ao mesmo tempo. — Claro, pra quem mais eu iria falar? Enfim, já decidiu pra onde vai? — Já, e não vou te contar. — Fala sério! — Nem o Victor sabe. Na verdade, ele não sabe nem da ideia. — Vão juntos? Não acredito que vai perder a oportunidade de dar o troco! — Do que está falando? Selma queria dizer algumas coisas a irmã há muito tempo, mas sabia que não valia a pena. Há dois anos, ambas discutiram porque Selma acreditava ter levado uma cantada barata do cunhado Victor. Celine não conseguiu acreditar na história dela, dizendo que aquele era o jeito torto dele de interagir com as pessoas. Mas Victor se comportava como um cafajeste sem escrúpulos e sem medo de ser pego. Desde então, as coisas ficaram um pouco estranhas para as irmãs Whitney e, não à toa, Selma fazia o possível para ficar longe dele. Este era um dos motivos principais pelo qual ela procurava a irmã no escritório e sempre garantia que ele não estaria lá com sua adorável informante Mia Hopkins. Na época, ambas ficaram alguns meses sem se falar, voltando o contato apenas depois do ano novo. Ainda sim, levou um tempo até a história ser esquecida e elas finalmente se reaproximarem de verdade. — Nada... — Selma... Seu tom de voz soou ameaçador. A irmã mais nova ergueu as mãos para o alto. — Não quero briga. Enfim, só acho um desperdício de tempo você tirar férias acompanhada do marido. Vai ficar parecendo uma lua de mel. Celine olhou séria pra irmã, enquanto sua mente trabalhava na ideia que as palavras de Selma provocaram. Parecia que tinha acendido uma luzinha e clareado por completo a sua mente. — É isso! Como não pensei antes? — Ah não... — Vou dizer a ele que teremos uma segunda lua de mel, ainda melhor que a primeira. É uma ótima forma de recuperar algumas coisas do nosso casamento. — Celine, eu... — Obrigada, irmã! Sua ideia foi genial. Certeza que ele vai gostar. Selma pensou que o único jeito dele gostar daquela ideia era se pudesse transar com outras mulheres na viagem enquanto a irmã se preocupava em melhorar o casamento. Mas ela não tinha ideia de que a mente ardilosa de Victor arrumaria um jeito de transformar isso em algo real, duradouro e nada empolgante. Quando sua irmã percebesse com quem tinha se casado, o choque seria grande. Mas naquele caso, assim como tantos outros, não adiantava falar ou os sinais claros lhe dizer. Ela tinha de ver. Com seus próprios olhos. E talvez, finalmente, ela pudesse enxergar o que estava debaixo do seu nariz o tempo todo. — Bom, foi um prazer ajudar. Não era exatamente essa sua intenção, o contrário, mas não podia relutar. Se conhecia bem homens como Victor, ele não perderia a oportunidade de transar com alguém nem mesmo estando em "lua de mel". Selma decidiu que não iria comentar mais sobre. Há alguns dias tinha feito um elogio para Victor, esquecendo completamente que, apesar das qualidades, também havia um homem com defeitos terríveis e quase impossíveis de superar. Então, não valia a pena perder tempo argumentando algo que mais cedo ou mais tarde, ela descobriria por conta própria, provavelmente da pior maneira possível, mas era o único jeito dela acreditar. Horas mais tarde, Celine havia tomado a decisão de contar para o marido. Ainda estava irritada, mas pretendia mudar as coisas o quanto antes. Ele estava no escritório, respondendo atentamente ao computador, quando ela bateu na porta. — Victor? — Meu bem? Ele levantou da cadeira, surpreso com a chegada dela. — Está muito ocupado? Temos que conversar. — Não, por favor, entre. Retirando os óculos de leitura, ele sentou novamente, o corpo rijo. Ela entrou, usando um vestido de seda preto e longo e o cabelo solto, ainda se preparando para dormir. Aquele visual era o melhor para dar a notícia que pretendia. — Do que se trata? — Estive pensando no que disse, sobre as férias. — E? — Bom, acho que finalmente chegou a hora de me dar um pouco de descanso. Ele deu uma risada curta e balançou a cabeça, parecendo animado. — Uau, caramba. Não pensei que fosse mesmo acontecer. — Pois é. Na verdade, já organizei algumas coisas da viagem... — Nossa, esqueci que você é rápida nessas coisas. — Mas não irei agora. — Como não? Achei que estivesse com pressa. Ela sentou, cruzando as pernas despreocupada. O olhar calmo, mas o coração batia forte. Parecia bobo, mas Victor e ela nunca tinham feito uma viagem juntos. Ele conhecia diversos países, afinal seu trabalho exigia que ele saísse de vez em quando da cidade e se fizesse presente em eventos em outros locais, mas a menina batalhadora que nunca teve o berço de ouro, não sabia o que o mundo lá fora lhe reservava, mesmo tendo dinheiro pra correr o hemisfério. — O Alberto ainda não sabe disso. E preciso preparar a empresa pra permanecer estável com minha ausência. — É claro. Como uma mulher inteligente e de negócios, é claro que você pensou nesses detalhes. Eu teria sido mais imprudente. — Eu sei que teria. Ela deu um sorriso breve, as mãos estranhamente começando a suar frio. Depois respirou fundo, tentando formular o que precisava. — Ei, você está bem? Parece meio preocupada. – Eu preparei uma viagem a dois, Victor. Ele ficou a encarando, por alguns segundos, em silêncio, com a testa enrugada. — Vai levar um amante? É dessa forma que pretende me dizer que está me traindo? Celine riu, achando graça a ideia. — Puta merda, óbvio que não. Se eu tivesse um amante, seria burrice levar em uma viagem de lua de mel com o meu marido. — Oh, espera. Está sugerindo que a gente vá viajar em lua de mel? — Deveria ser a opção mais provável a passar pela sua mente do que a ideia de levar um amante. Victor não sabia se dava risada ou se ficava nervoso. — É, claro, não sei porque pensei isso... — Sem querer a Selma deu a ideia de que eu deveria transformar essas férias em uma lua de mel. Acho uma oportunidade incrível pra gente se reconectar e acender mais a chama do nosso casamento. Sabe, reconstruir o muro que está caindo. — Eu não sei se posso tirar férias assim, sabe... — Vai ser em dois meses. Terá tempo suficiente pra pedir ao seu chefe. E serão apenas duas semanas, nada demais. Um tempo somente para nós. Algo que não fizemos antes. Victor levantou, usando uma calça de moletom preta e sem camisa, e começou a andar em passos lentos pelo seu escritório, acompanhado do olhar curioso e ansioso da esposa. — Sinceramente, não sei se é uma boa ideia. Ele não gostava nem um pouco do simples pensamento de ficar duas semanas com sua esposa, sem mais nenhuma outra companhia feminina. Aquilo parecia quase com um período sabático que ele não estava nem de longe a fim de experimentar. — Por que não? Eu já escolhi o lugar. As ilhas Maldivas tem tudo que precisamos. Será fantástico. Um hotel de luxo, com bares e restaurantes incríveis, além de que tem vários programas para casais que o resort está oferecendo. Ela levantou, mas continuou próxima a mesa, olhando os movimentos do marido. — Celine, eu não sei. Me afastar assim do trabalho, do meu irmão, dos meus amigos. Eu sei que não é muito tempo, mas ainda sim... Ele balançou a cabeça, não querendo se manter afastado de suas outras companhias. Trocar belas mulheres por duas semanas com sua esposa ainda não lhe parecia vantajoso suficiente. Ele parou de costas pra ela, com os braços cruzados. Sabia que fazê-la desistir seria extremamente difícil, principalmente porque ela tinha levado anos para enfim decidir tirar um tempo pra si. Victor não sabia se teria a capacidade de fazer com que ela mudasse de ideia, então talvez precisasse recorrer a algum plano mirabolante. — Vai ser bom pra gente, Victor. Você mesmo estava reclamando que não fazíamos nada juntos, que eu não tiro férias. Dê uma chance e veja algumas fotos do lugar. Eles têm até ilhas particulares. Podemos fazer passeios mais à vontade. Então a ideia veio. Os olhos se arregalaram quando ela falou em ilhas particulares. Isso casou com a ideia inicial dele, de que ela levaria um amante em sua viagem. De repente, um sorriso se formou em seus lábios. Celine caminhou até ele, parando de frente para Victor. O semblante tinha mudado, ela não podia desconfiar de que ele só aceitaria porque poderia esconder uma de suas amantes em uma das ilhas particulares. — Você tem certeza disso? Porque caso eu concorde, vou fazer tudo para ir, e não poderemos desistir depois. Celine deu um passo a frente e segurou as mãos dele, frias e ásperas como sempre. — Pensei nisso a semana toda. Tenho absoluta certeza. Ele respirou fundo, dando um ar dramático, e balançou a cabeça em concordância. — Tudo bem, nós vamos então. Se prepare porque teremos nossa segunda e melhor lua de mel de todas. Ela abriu um sorriso largo e o abraçou com força e quase pulando, enquanto agradecia por ele ter concordado. Quando os corpos se afastaram, os olhos se cruzaram. Victor não podia negar que, apesar de suas aventuras sexuais, ele tinha nos braços uma mulher sensual e desejada por dezenas de homens como ele, inclusive muitos deles sendo seus próprios colegas de trabalho. Celine tinha seios fartos e uma cintura invejável, além de lábios pequenos e que se moldavam perfeitamente aos seus. As mãos dele foram parar na cintura da esposa, que se perdeu na imensidão dos olhos profundamente azuis do marido. Ela passou a mão lentamente na barba por fazer, com alguns fios brancos. O polegar passou lentamente pela boca pequena dele, que abriu, um convite mais do que tentador. Sem mais delongas, ele segurou em sua perna e a encostou na parede, ferozmente, a beijando como há muito não fazia. A excitação foi latente e inevitável. Ali mesmo na parede, sem qualquer apoio, Victor fez as pernas de Celine estremecer minutos depois, quando ela alcançou o clímax em meio a gemidos altos e o corpo contorcido de prazer. Mas a noite tinha apenas começado para o casal.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR