Luna
2 dias depois
Acordo cedinho, tomo banho e faço toda a minha higiene matinal. Depois visto uma calça, uma blusa e um tênis, e passo minhas coisinhas para ficar cheirozinha. Ontem o José dormiu na casa da minha avó – depois que os dois quase imploraram para isso.
Desço as escadas e Lúcifer não está mais em casa, então só faço um pão com queijo e saio de casa de pé mesmo. Logo chego na loja.
(...)
Ligo para Lúcifer mais uma vez e ele não me atende novamente. O que será que aconteceu?
Deito no sofá de casa preocupada – ele não apareceu o dia todo. Depois de um tempo, vou na cozinha fazer janta para mim; depois como, vou deitar e logo adormeço.
(...)
Acordo com um barulho e vejo Lúcifer entrando – e adivinha? Com cheiro de maconha.
Fiquei p**a: eu tava toda preocupada e ele estava fumando!
Cruzo os braços e vejo ele indo para o banheiro; logo o chuveiro é ligado. Pego o celular e vejo que são 2h30 da madrugada. Nossa, que raiva!
Minutos depois, ele sai do banheiro de shorts, enxugando o cabelo, e logo deita do meu lado – corpo gelado – e tenta dar um selinho, mas eu recuso.
Lúcifer: Qual foi?
Luna: Qual foi? Olha a hora, Diego! Aonde você tava? – olho sério para ele, sentando na cama.
Lúcifer: Tava no corre. – desvia o olhar.
Luna: E esse cheiro de maconha e esses olhos vermelhos? – pergunto quando a luz do poste que vem da janela bate no rosto dele, que está bem vermelho e irritado.
Lúcifer: Fumei pra relaxar...
Luna: Com quem você tava?
Lúcifer: Com o LC, mas não tem nada a ver, Luna.
Luna: Tinha que ser né? Não vou falar mais nada sobre ele – você nunca liga para o que eu falo.
Lúcifer: Não fale assim.
Luna: E eu tô mentindo, Diego? Sempre faz o que quer, nunca me ouve – mesmo eu falando as coisas para o seu bem!
Lúcifer: Tá bom, Luna, não quero brigar com você. – se arruma na cama.
Luna: Por que você sabe que eu estou certa.
Lúcifer: Tá, você está certa. Agora vamos dormir.
Luna: Se você realmente acreditasse no que fala, não ficava mais perto dele.
Lúcifer: c*****o, Luna! – grita – Tô cansadão e você vem pesar na minha mente?
Apenas levanto da cama e ele segura o meu braço; me solto dele e saio do quarto.
– Vai se f***r então! Vá gritar com a p**a que te pariu!
Desço as escadas e me sento no sofá. Logo escuto ele me gritar do topo das escadas e peço para que ele me deixe em paz. Fico lá sentada, pensando – estou com muita raiva dele, odeio que gritem comigo! Logo adormeço ali mesmo.
(...)
Acordo na cama e logo estranho; vejo Lúcifer ainda dormindo. Então só levanto, tomo banho e me arrumo para ir trabalhar.
Saio de casa cedinho e passo na padaria para comprar uma sacola de pão com mortadela e suco, indo logo para a loja.
Ray: Bom dia! – me dá um beijo na bochecha.
Luna: Bom dia. – sorrio fraco.
Ray: Trouxe até o café hoje? – ri.
Luna: Claro! Sair de casa sem comer? – faço bico.
Sento em uma cadeira e coloco a sacola de pão na bancada; ela pega um pedaço.
Ray: Tava pensando em abrir outra loja no asfalto... – fala de boca cheia.
Luna: Sério?! Que show, amiga! – sorri.
Ray: Mas vai ser muito caro. – faz cara triste.
Luna: Ei, a gente vai conseguir sim! – falo feliz.
Ray: Só precisamos vender muitas peças para juntar o dinheiro completo.
Luna: Vamos conseguir, amiga.
(...)
Saio da loja de pé, a caminho de casa. O José não sai mais da casa da minha avó – e eu não vou proibir eles de ficarem juntos, pois ela já é idosa e tá muito apegada ao menino.
Logo chego em casa. Entro e vejo que está tudo silencioso; mais à frente, vejo Lúcifer sentado no sofá com a cara nada boa.
Luna: Tá tudo bem?
Lúcifer: Tava com quem? – fala puto.
Luna: No trabalho com a Ray! – falo óbvia.
Lúcifer: Não mente pra mim, Luna! – levanta, me olhando puto.
Vejo os olhos dele bem vermelhos e respiro fundo – que p***a esse menino tá fazendo?
Luna: Eu tava no trabalho, Lúcifer!
Lúcifer: Não tava! Me disseram que você tava com um cara...
Luna: Como que é? Tá maluco? Não confia em mim não?
Lúcifer: Confiava até você fazer isso.
Luna: Olha só, acredite no que você quiser! Eu não fiz nada, então não vou ficar aqui te dando explicações – eu estava trabalhando na loja! – me altero.
Lúcifer: Tá gritando por que c*****o? – vem para perto de mim, me assustando.
Luna: Vai fazer o que? – encarei ele, que se aproxima mais.
Lúcifer: Não me tira do sério, Luna...
Luna: Pelo amor de Deus, Lúcifer! Inventa de usar essas drogas para depois querer me estranhar? – falo p**a e saio para subir as escadas, mas ele segura o meu pulso.
Lúcifer: Se eu ficar sabendo de mais alguma coisa, você está morta.
Luna: Tá me ameaçando?! – grito, indo pra cima dele, que se afasta – Se você encostar um dedo em mim, eu vou contar tudo! Só quero que você me encoste, Lúcifer! – falo indo para cima dele igual uma loka, e ele vai recuando – Me encosta!
Faísca: O que tá acontecendo? – fala aparecendo na sala – Dá pra ouvir esses gritos no morro todo!
Lúcifer: Tá vendo o que você fez?
Luna: O que VOCÊ fez, c*****o! Sustente o que você fala! – grito e saio de lá, subindo as escadas.
Só era o que me faltava!
Entro no banheiro e tomo um banho relaxante. Logo saio vestida de pijama, com toalha na cabeça, e vejo Faísca sentado na minha cama.
Faísca: Eu te avisei, não foi?
Luna: Não começa!
Tiro a toalha do cabelo e começo a desembaraçá-lo.
Faísca: Ele te bateu?
Luna: Ele não é louco!
Faísca: Não, mas você é? Já viu o tamanho dele? E ainda mais o cara tá drogado – se ele te encostasse, você ia parar no hospital!
Luna: Ele não vai me encostar, relaxa!
Faísca: Cuidado, Luna – não é brincadeira. Sempre que o LC tá por perto, ele se transforma em outra pessoa.
Luna: Eu percebi.
Faísca: Tome cuidado, mana. Qualquer coisa liga que eu venho correndo aqui.
Luna: Tá bom.
Faísca: Tchau. – beija minha testa e sai do quarto.
Termino de pentear o cabelo e desço para fazer o jantar. Depois de comer, vou para o quarto.
Lúcifer: Desculpa... – aparece na porta.
Luna: Não faça mais isso.
Lúcifer: Prometo que isso não vai mais acontecer.
Luna: Espero que não.
Lúcifer: Você me desculpou?
Luna: Mesmo que eu te desculpe agora, eu ainda vou estar magoada.
Lúcifer: O que eu posso fazer para ter o seu perdão?
Luna: Não use drogas mais. – ele me olha e depois olha para baixo.
Lúcifer: Certo.
Luna: Me prometa.
Lúcifer: Eu prometo que não vou fumar nem usar mais nada.
Luna: Agora vai tomar banho.
Ainda não perdoei ele. Mas posso perdoar daqui a horas, dias... Não sei. Não gostei da forma que ele me tratou – sei que se eu perdoar facilmente agora, isso vai se repetir várias vezes.
Depois de um tempo, ele sai do banho e deita ao meu lado.