Luna
Acordei e o Lúcifer não estava na cama. Fiquei deitada lá pensando em tudo e fui surpreendida por ele, que vinha com uma bandeja na mão e um sorriso no rosto.
Lúcifer: Bom dia, princesa. — ele chega até mim e coloca a bandeja na cama.
Lá tinha Danoninho, pão com queijo, torrada, Toddynho e morangos e uvas em uma tigela. Olho impressionada para ele.
Luna: Como você sabia que eu gostava de comer isso? — sorrio.
Lúcifer: Por que é tudo o que uma criança gosta de comer. — ri — Agora come aí, só vou assinar uns papéis e volto. — levanta e eu olho para baixo — Tudo bem, eu vou ficar aqui com você o dia inteiro.
Luna: Não precisa ficar...
Lúcifer: Eu vou ficar, Luna. — ele me olha com as sobrancelhas franzidas.
Luna: Luna não, princesa. — rio.
Lúcifer: Agora come, princesa, vou tomar banho.
Concordo com a cabeça e ele vai para o banheiro. Enquanto como, olho o meu i********: e vejo que bati 1k de curtidas no último vídeo que postei — sorrio.
Continuei comendo e mexendo no celular, vi um novo seguidor: as pessoas que conheço do morro o seguem, então eu também sigo. Não tinha foto de perfil, não havia como saber quem era. Algumas páginas de fofocas também me seguiam, mas não segui de volta.
Terminei o café e fui para a cozinha com a bandeja nas mãos, lavei as coisas e coloquei no escorredor. Virei a cozinha e passei pano — a casa estava bem arrumada, então só subi para o quarto e vi ele vestindo.
Luna: Queria tomar banho mas tô sem roupa...
Lúcifer: Acho que ainda tem roupas suas lá na casa. — fala e eu fico confusa.
Luna: Qual casa?
Lúcifer: A que você morava com os seus pais.
Luna: Mas como que eu vou pegar com eles lá? — pergunto e ele respira fundo.
Lúcifer: Eles não estão lá. — fico sem entender — Eles foram embora, Luna.
Luna: Ah. — baixo a cabeça e fico quieta.
Lúcifer: Olha, eu não quero você triste hoje! — sorri falsamente — Vou mandar os vigias trazerem todas as suas coisas pra cá.
Luna: Acho que não precisa. Se eles foram embora, eu vou ficar com a casa pra mim então. — ele concorda com a cabeça.
Lúcifer: Se você prefere assim. Mas hoje você vai dormir aqui comigo. — sorrio.
Luna: Tá bom.
Ficamos conversando na cama até que chegaram várias notificações do homem que me havia seguido — ele tinha curtido várias minhas fotos e mandado mensagem no direct.
Lúcifer: Não vai responder? — me olha sério.
Luna: Nem sei quem é. — sorrio e ele continua sério — Esse cara começou a me seguir do nada, não sei quem é.
Lúcifer: Tá certo. — continua sério.
Luna: Tá com ciúmes não né?
Lúcifer: Tá maluca? Claro que não! — continua emburrado e eu rio, dando um beijo na sua bochecha.
Luna: Acho que vou em casa tomar banho...
Lúcifer: Vamos, eu te levo. — levanta.
(...)
Termino de fazer o almoço. Queria ficar a tarde inteira deitada na cama sem me levantar para nada, mas a casa estava uma zona!
Eles levaram tudo daqui — não sei como saíram com tudo sem ninguém ver. Os únicos móveis que sobraram foram o fogão e minhas coisas do quarto, quase todas quebradas. Quase chorei ao ver o espelho da minha penteadeira quebrado, o meu creme da Lily todo no chão... Isso me deu muita raiva, pois essas coisas eu conquistei com o meu próprio dinheiro — não havia razão para eles fazer isso.
Terminei o almoço e comi, depois subi para o quarto e arrumei tudo. O espelho estava totalmente espatifado, não tinha mais jeito — tirei-o e coloquei os cacos em uma sacola grande, limpei todo o quarto e fui para os outros, que estavam limpos. Olhei por toda a casa: estava bem empoeirada e tudo fora de ordem.
Organizei os poucos móveis que ainda tinha e percebi uma porta debaixo da escada — nunca tinha visto ela. Abri com um grampo, já que não conseguia achar a chave em lugar nenhum, e vi uma escada grande — me senti em um filme de terror americano.
Desci com a vassoura na mão e, ao chegar embaixo, vi caixas empoeiradas e prateleiras. Havia uma caixa transparente com brinquedos — peguei-a e abri, encontrando várias fotos e brinquedos dentro, tudo em dobro. Abri um envelope e vi fotos de ultrassons, chupetas, duas pulseirinhas de maternidade... Fiquei olhando tudo confusa, mas escutei um barulho lá em cima. Deixei as coisas ali e subi para ver quem era, pensando que fosse o Furacão.
Luna: Oi. — falo vendo o Lúcifer de costas, que se assusta.
Lúcifer: Filha da p**a! Saiu de onde que eu não te vi?
Luna: Tava ali embaixo. — aponto para a porta e ele concorda com a cabeça.
Lúcifer: Vim ver você. — sorri fofo e eu vou até ele, dando um selinho.
Luna: Já almoçou? — ele concorda com a cabeça — Você viu o Furacão? Já procurei a casa toda e não achei em lugar nenhum...
Lúcifer: Não, mas já aparece, relaxa! Agora tenho que ir — vim só te ver mesmo. Tenho que resolver algumas coisas hoje; sábado vai ter baile e tudo tem que estar nos conformes para dar certo.
Luna: Mais já?
Lúcifer: Tenho que ir, princesa — ainda vou ligar para o cantor...
Luna: Qual cantor? — pergunto animada.
Lúcifer: Poze e Ret. — sorri.
Luna: Mentira! — falo feliz.
Lúcifer: Você gosta?
Luna: Amo! Todo show do Ret eu vou! E o Poze eu gosto de algumas músicas dele, mas não tenho tanto contato, sabe...
Lúcifer: Que bom que gosta. — me dá um selinho — Agora tenho que ir, mina. — me dá outro selinho — Tchau. — dá mais um e sai.
Caraca, não sabia que tinha essas coisas por aqui — vai ser muito f**a!
Termino de limpar a casa e vou tomar banho. Depois, assisto um filme e durmo.
(...)
2 dias depois
Acordo e vejo o Lúcifer, que sorri para mim. Beijo a sua testa e levanto da cama, vou ao banheiro e tomo um banho.
Esses dias a gente está muito próximo — acho que estou começando a gostar dele de verdade, mas tenho medo de que só eu sinta isso. Então é melhor guardar pra mim do que acabar com o que a gente tem agora por besteira.
Lúcifer: Cabe mais um aí? — sorri na porta do banheiro, só de cueca.
Luna: Claro! — sorrio e ele entra no boxe, me beija e termina com um selinho.
Lúcifer: É linda até com esse olho de panda. — rio e jogo água nele.
Logo terminamos o banho — saio primeiro e vou passar meus cremes de pele de morango. Depois, visto um conjunto de calcinha e sutiã, uma calça preta e uma baby look preta. Calço um tênis branco da Nike e passo meu perfume.
Penteio o cabelo e finalizo rapidinho. Enquanto me arrumava, o Lúcifer me olhava atento e também confuso. Quando termino, passo perfume e coloco meu colar e uma pulseira da Pandora.
Lúcifer: Vai sair?
Luna: Você vai me ensinar a atirar. — falo passando gloss.
Lúcifer: Não.
Luna: Vai deixar de ser chato! Eu já sei, mas estou enferrujada!
Lúcifer: Tô sem tempo.
Luna: Vou pedir pra outra pessoa então.
Lúcifer: Pra quem? — me olha sério.
Luna: Não sei, vou procurar quem quer me ensinar. — dou de ombros e ele revira os olhos.
Lúcifer: Vamos logo. — fala sério.
Peguei meu celular e minha arma dentro da caixa e saímos. Ele me levou de moto até o topo do morro — por trás da casinha da tortura tinha uma salinha com alguns alvos.
Lúcifer: Me mostra aí o que você sabe. — fala de braços cruzados e eu sorrio convencida.
Peguei minha arma, destravei, mirei e atirei em cada alvo — todos acertei na cabeça, só um errei e acertei no tórax.
Ele me olha surpreso e sorri de lado.
Lúcifer: Dá pro gasto. Agora você vai tentar com essa aqui. — me entrega uma arma grande — Essa é uma 45.
Peguei e vi que era bem pesada. Olhei as balas, que estavam todas ali, então só tirei a trava e atirei. Acho que o peso dificultou um pouco — ela pende mais para trás, então não foi um tiro muito bom.
Lúcifer: Se quiser treinar vai ter que ser com essas armas grandes — você tem que se acostumar com o peso delas. Faz assim. — ele vai para trás de mim e me ajuda a segurar o revólver, ajudando-me a mirar. Atiramos na cabeça do alvo.
Passamos a manhã inteira ali — ele sempre bem atencioso e tentando me ajudar. Houve algumas vezes que se irritou comigo e ameaçou não ensinar mais, mas acabou me ajudando mesmo assim.
Lúcifer: Vamos almoçar? Mó fome! — olho para ele com uma sobrancelha erguida — Mó fome, Luna!
Guardamos as coisas e saímos de lá, indo em direção ao restaurante-meio-lanchonete do morro.