Luna
Eu estava em choque e não consegui demonstrar 1% do sentimento que estava sentindo — eu só tava parada pensando em tudo isso sem conseguir pronunciar uma palavra sequer. Fiquei por muito tempo encarando o teto até que escutei o meu celular tocar, me tirando do "transe". Não estava afim de falar com ninguém agora, então deixei desligar sozinho, mas a pessoa do outro lado insistiu e ligou mais uma vez. Me irritei com o som do celular, então resolvi atender.
Ligação on
— Oi amiga, você não sabe! Vai ter um pagode aqui no morro e o Lúcifer convidou aqueles cantores lá de Mais é Mais para cantar! — fala Ju muito animada do outro lado da linha, me tirando um sorriso leve.
— Não é Menos é Mais não, amiga? — sorri.
— Sim, isso mesmo! — dá uma risada. — Você vai né? — fala animada.
— Não sei...
— Tá tudo bem amiga? Tua voz está parecendo um pouco triste...
— Estou sim. — falo normal.
— Ok, estou indo aí. — fala e desliga.
Ligação off
Fico sem entender, mas continuo deitada só pensando sobre toda essa loucura.
Um tempo depois escuto alguém bater na porta, então levanto e abro vendo as meninas — elas logo entraram e sentaram na minha cama me olhando.
Ray: — Tudo bem docinho? — fala me olhando. Então eu sento na cama segurando o choro.
Luna: — Estou com muita raiva, sério. Por que sempre escondem tudo de mim? Acham que eu não mereço saber a minha própria história? — falei deixando as lágrimas caírem.
Não estava chorando de tristeza e sim de raiva.
Ray: — Quer contar o que aconteceu?
Luna: — Hoje quando eu acordei o meu pai falou que a gente iria embora daqui e voltar para a nossa antiga casa, por que ele me viu saindo com... — Antes de terminar, a Ray me olha com os olhos arregalados e n**a devagar com a cabeça — então logo entendi. — Um vapor, e depois falou que ele não era pra mim por que ele era bandido. Mas ele era bandido e ficou com minha mãe. Falou também sobre uma história lá com meu avô, e isso era coisa que eu deveria saber há mais tempo, cara... Não sei por que, mas sinto que isso não é tudo, tem mais alguma coisa nesse meio aí que eles não querem me contar. — falo e elas me olham não muito surpresas.
Ju: — Mas amiga, acho que os seus pais só estão tentando te proteger.
Luna: — Eu tenho quase 20 anos já.
Ray: — Eles realmente estão errados em te esconder essas coisas, princesa... Mas uma hora ou outra a verdade sempre chega. Talvez tenha um propósito para eles estarem demorando para contar tudo. — fala me deixando mais calma.
Ainda estava com muita raiva, mas ela até tinha razão — uma hora ou outra eu vou descobrir tudo.
Ficamos conversando um tempo sobre outros assuntos até que bateu a fome, então me arrumei e fomos para a lanchonete que tinha aqui no morro.
Chegando lá, já vimos os meninos em uma mesa e fomos até ela sentar com eles.
Faísca: — Chegaram as paquitas! — fala e olhamos serias pra ele. — Ainda não entendi por que vocês falam isso com os outros mas não gostam que falem com vocês. — fala rindo.
Ficamos conversando e logo pedimos nossa comida, ficando conversando sobre tudo. Parece que estar com eles tudo fica bem mais leve...
Terminamos de comer e fomos comprar sorvete.
Luna: — De que vocês querem? — pergunto já que eles não queriam levantar para ir lá, então eu iria sozinha.
Ju: — Chocolate.
Ray: — Prestígio.
Faísca: — Chocolate.
MT: — Morango.
Lúcifer: — Eu vou com você. — fala levantando e andando comigo até lá. — O que tu acha da gente dar outro rolê hoje? — fala me olhando.
Luna: — Acho que não vai dar. Meu pai descobriu que a gente saiu junto e quer me levar embora de novo. — falo e ele fica me olhando sem reação.
Lúcifer: — Então você vai embora?
Luna: — Não sei, mas espero que não. Gostei muito daqui! — sorriu.
Compramos os sorvetes e voltamos para onde o pessoal estava. Depois de tomarmos o sorvete eles foram embora e passamos a tarde jogando papo fora na casa da Ju.
Ju: — Que horas são? — fala limpando o borrado das unhas.
Ray: — 16:55. — fala e a Ju arregala os olhos pulando da cadeira.
Ju: — Tenho que buscar a Mariana! — falou colocando o chinelo e então levantamos também e fomos correndo com ela.
Chegamos na porta da escola e estava só ela e um menininho lá. Ela pediu desculpas a Mariana e à professora que estava esperando, e eu fiquei só olhando para o menininho. Ele era moreno de cabelo cacheadinho e preto, olhos castanhos claros — ele era muito lindo. Vejo algumas manchas roxas pelo seu corpo e isso me deixa bem intrigada.
Mariana: — Tchau José, não se preocupa que sua mamãe já chega para te pegar. — fala e ele concorda triste.
José: — Eu não queria ir pra casa. — fala triste.
Luna: — Por que não, neném? — falo e ele me olha.
José: — Minha mãe falou que eu não posso falar nada. — fala se calando e isso me deixa mais intrigada.
Ju: — Vamos? — fala para a Mariana e ela concorda, dando um beijo na bochecha do menino.
Mariana: — Não fique triste, tá? — fala e ele concorda com a cabeça envergonhado. Então a Mariana pega na mão da tia e saímos andando.
Ray: — Eita que se o teu pai souber... — ri.
Mariana: — O papai é muito ciumento, titia. Não foi nada de mais né? — fala e ela concorda.
Ju: — Não foi, mas não pode ficar beijando a bochecha dos meninos por que se o papai souber ele vai brigar com você.
Mariana: — Tá certo. Não vou beijar mas na frente de ninguém. — fala e eu dou risada do seu jeitinho.
Fomos para a casa da Ju e ela pediu para dar um banho na Mari já que ela ia fazer um lanche pra a gente.
Levei os brinquedinhos dela para o box e os shampoo dela junto da toalha. Ajudei ela a tirar a roupinha e dei banho nela enquanto conversava com ela — ela é muito fofinha falando das princesas.
Mariana: — Titia conta uma história de princesa hoje pra mim dormir? O papai não sabe contar. E a vovó nunca conta por que está cansada. — fala e eu concordo com a cabeça.
Luna: — Conto sim.
Enxuguei ela e coloquei uma fantasia da Elsa que ela pediu, um perfume, arrumei o cabelo dela e passei um hidratante labial. Ela calçou uma Crocs rosa e descemos vendo o pessoal lá na sala.
Mariana: — TITIO! — solta minha mão e desce correndo se jogando nos braços do Lúcifer.
Luna: — Já me trocou? — falei e ela riu.
Mariana: — Não, titia. — fala rindo.
Ju: — LUNA! — grita da cozinha então vou até lá. — Dorme aqui? — fala me entregando um pedaço de bolo.
Luna: — Aí amiga eu não sei...
Carla: — Vai menina. — fala fazendo alguma coisa no fogão.
Ray: — Por que vocês não me chamam também? — fala na ironia.
Carla: — Não precisa nem chamar, você mesmo se oferece. — Rimos.
Luna: — Mas se eu for dormir aqui eu teria que trazer o Furacão ou ele não deixa ninguém dormir chorando.
Lúcifer: — Não, aquele cachorro é uma peste. — fala entrando com a Mariana, eu olho para ele.
Luna: — Ele é bonzinho sim, mas se ele não gosta de você não posso fazer nada. — falo e ele revira os olhos.
Mariana: — O Furacão vai vim? — fala pulando de alegria.
Lúcifer: — Não. — fala brincando e ela faz cara de choro.
Carla: — Pelo amor de Deus, vai buscar esse cachorro pra essa menina não começar com o drama dela! — fala quase desesperada e o Lúcifer ri.
Lúcifer: — Vamos lá, vou contigo porque vou comprar refri. — fala e eu concordo.
Mariana: — Eu também quero ir!
Fomos para o carro dele e ele deu partida. Ele me deixou na minha casa junto da Mari e saiu falando que iria na boca rápido só para ver se estava tudo certo e voltava.
Entro pegando na mão da Mariana e fomos para o meu quarto. Peguei uma mochila e coloquei só uma roupa para dormir, meu creme, minhas máscaras de skincare, meu remédio para alergia e uma roupa para usar de manhã. Algumas maquiagens básicas e meu perfume.
Coloquei a ração do Furacão na parte menor da mochila e o ursinho dele. Quase que eu esqueço do meu ursinho dos Ursinhos Carinhosos rosa — desde sempre tenho ele e todo dia durmo agarrada nele, não consigo dormir sem ele.
Mariana: — Você parece uma criança, titia. — fala rindo.
Luna: — Vamos pegar o Furacão? — falei rindo.
Mariana: — Vamos!
Luna: — Pega esse saco. — falei apontando para um saco de Doritos que tinha na cabeceira da cama.
Assim que fez barulho com o saco, o Furacão entrou correndo pela porta do quarto e ela riu.
Mariana: — O Furacão é muito engraçado! — ri.
Escutamos a buzina então pegamos as coisas e descemos, encontrando com a minha mãe na sala.
Diana: — Aonde você vai?
Luna: — Vou dormir na casa da Ju hoje.
Diana: — Acha que eu não sei porquê? Tá me achando com cara de i****a? — fala brava.
Luna: — Mari leva o Furacão lá pra fora pra ele tomar um ventinho, já vou lá tá? — falei e ela concordou saindo brincando com ele.
Diana: — Me responde, Luna!
Luna: — Você tá louca? Eu só vou dormir com a Ju, o que tem de mais nisso? — falei reparando que ela estava muito estranha: os olhos brilhando muito, a pupila dilatada, nariz vermelho... Não. Pode ser isso! — Você tá drogada?
Diana: — COMO É GAROTA? ME RESPEITE! — fala vindo pra cima de mim.
Lúcifer: — O que tá acontecendo aqui? — fala aparecendo na porta e entrando na minha frente quando vê que ela iria fazer alguma coisa.