cap 08 o que está acontecendo

1747 Palavras
Luna Eu estava em choque e não consegui demonstrar 1% do sentimento que estava sentindo — eu só tava parada pensando em tudo isso sem conseguir pronunciar uma palavra sequer. Fiquei por muito tempo encarando o teto até que escutei o meu celular tocar, me tirando do "transe". Não estava afim de falar com ninguém agora, então deixei desligar sozinho, mas a pessoa do outro lado insistiu e ligou mais uma vez. Me irritei com o som do celular, então resolvi atender. Ligação on — Oi amiga, você não sabe! Vai ter um pagode aqui no morro e o Lúcifer convidou aqueles cantores lá de Mais é Mais para cantar! — fala Ju muito animada do outro lado da linha, me tirando um sorriso leve. — Não é Menos é Mais não, amiga? — sorri. — Sim, isso mesmo! — dá uma risada. — Você vai né? — fala animada. — Não sei... — Tá tudo bem amiga? Tua voz está parecendo um pouco triste... — Estou sim. — falo normal. — Ok, estou indo aí. — fala e desliga. Ligação off Fico sem entender, mas continuo deitada só pensando sobre toda essa loucura. Um tempo depois escuto alguém bater na porta, então levanto e abro vendo as meninas — elas logo entraram e sentaram na minha cama me olhando. Ray: — Tudo bem docinho? — fala me olhando. Então eu sento na cama segurando o choro. Luna: — Estou com muita raiva, sério. Por que sempre escondem tudo de mim? Acham que eu não mereço saber a minha própria história? — falei deixando as lágrimas caírem. Não estava chorando de tristeza e sim de raiva. Ray: — Quer contar o que aconteceu? Luna: — Hoje quando eu acordei o meu pai falou que a gente iria embora daqui e voltar para a nossa antiga casa, por que ele me viu saindo com... — Antes de terminar, a Ray me olha com os olhos arregalados e n**a devagar com a cabeça — então logo entendi. — Um vapor, e depois falou que ele não era pra mim por que ele era bandido. Mas ele era bandido e ficou com minha mãe. Falou também sobre uma história lá com meu avô, e isso era coisa que eu deveria saber há mais tempo, cara... Não sei por que, mas sinto que isso não é tudo, tem mais alguma coisa nesse meio aí que eles não querem me contar. — falo e elas me olham não muito surpresas. Ju: — Mas amiga, acho que os seus pais só estão tentando te proteger. Luna: — Eu tenho quase 20 anos já. Ray: — Eles realmente estão errados em te esconder essas coisas, princesa... Mas uma hora ou outra a verdade sempre chega. Talvez tenha um propósito para eles estarem demorando para contar tudo. — fala me deixando mais calma. Ainda estava com muita raiva, mas ela até tinha razão — uma hora ou outra eu vou descobrir tudo. Ficamos conversando um tempo sobre outros assuntos até que bateu a fome, então me arrumei e fomos para a lanchonete que tinha aqui no morro. Chegando lá, já vimos os meninos em uma mesa e fomos até ela sentar com eles. Faísca: — Chegaram as paquitas! — fala e olhamos serias pra ele. — Ainda não entendi por que vocês falam isso com os outros mas não gostam que falem com vocês. — fala rindo. Ficamos conversando e logo pedimos nossa comida, ficando conversando sobre tudo. Parece que estar com eles tudo fica bem mais leve... Terminamos de comer e fomos comprar sorvete. Luna: — De que vocês querem? — pergunto já que eles não queriam levantar para ir lá, então eu iria sozinha. Ju: — Chocolate. Ray: — Prestígio. Faísca: — Chocolate. MT: — Morango. Lúcifer: — Eu vou com você. — fala levantando e andando comigo até lá. — O que tu acha da gente dar outro rolê hoje? — fala me olhando. Luna: — Acho que não vai dar. Meu pai descobriu que a gente saiu junto e quer me levar embora de novo. — falo e ele fica me olhando sem reação. Lúcifer: — Então você vai embora? Luna: — Não sei, mas espero que não. Gostei muito daqui! — sorriu. Compramos os sorvetes e voltamos para onde o pessoal estava. Depois de tomarmos o sorvete eles foram embora e passamos a tarde jogando papo fora na casa da Ju. Ju: — Que horas são? — fala limpando o borrado das unhas. Ray: — 16:55. — fala e a Ju arregala os olhos pulando da cadeira. Ju: — Tenho que buscar a Mariana! — falou colocando o chinelo e então levantamos também e fomos correndo com ela. Chegamos na porta da escola e estava só ela e um menininho lá. Ela pediu desculpas a Mariana e à professora que estava esperando, e eu fiquei só olhando para o menininho. Ele era moreno de cabelo cacheadinho e preto, olhos castanhos claros — ele era muito lindo. Vejo algumas manchas roxas pelo seu corpo e isso me deixa bem intrigada. Mariana: — Tchau José, não se preocupa que sua mamãe já chega para te pegar. — fala e ele concorda triste. José: — Eu não queria ir pra casa. — fala triste. Luna: — Por que não, neném? — falo e ele me olha. José: — Minha mãe falou que eu não posso falar nada. — fala se calando e isso me deixa mais intrigada. Ju: — Vamos? — fala para a Mariana e ela concorda, dando um beijo na bochecha do menino. Mariana: — Não fique triste, tá? — fala e ele concorda com a cabeça envergonhado. Então a Mariana pega na mão da tia e saímos andando. Ray: — Eita que se o teu pai souber... — ri. Mariana: — O papai é muito ciumento, titia. Não foi nada de mais né? — fala e ela concorda. Ju: — Não foi, mas não pode ficar beijando a bochecha dos meninos por que se o papai souber ele vai brigar com você. Mariana: — Tá certo. Não vou beijar mas na frente de ninguém. — fala e eu dou risada do seu jeitinho. Fomos para a casa da Ju e ela pediu para dar um banho na Mari já que ela ia fazer um lanche pra a gente. Levei os brinquedinhos dela para o box e os shampoo dela junto da toalha. Ajudei ela a tirar a roupinha e dei banho nela enquanto conversava com ela — ela é muito fofinha falando das princesas. Mariana: — Titia conta uma história de princesa hoje pra mim dormir? O papai não sabe contar. E a vovó nunca conta por que está cansada. — fala e eu concordo com a cabeça. Luna: — Conto sim. Enxuguei ela e coloquei uma fantasia da Elsa que ela pediu, um perfume, arrumei o cabelo dela e passei um hidratante labial. Ela calçou uma Crocs rosa e descemos vendo o pessoal lá na sala. Mariana: — TITIO! — solta minha mão e desce correndo se jogando nos braços do Lúcifer. Luna: — Já me trocou? — falei e ela riu. Mariana: — Não, titia. — fala rindo. Ju: — LUNA! — grita da cozinha então vou até lá. — Dorme aqui? — fala me entregando um pedaço de bolo. Luna: — Aí amiga eu não sei... Carla: — Vai menina. — fala fazendo alguma coisa no fogão. Ray: — Por que vocês não me chamam também? — fala na ironia. Carla: — Não precisa nem chamar, você mesmo se oferece. — Rimos. Luna: — Mas se eu for dormir aqui eu teria que trazer o Furacão ou ele não deixa ninguém dormir chorando. Lúcifer: — Não, aquele cachorro é uma peste. — fala entrando com a Mariana, eu olho para ele. Luna: — Ele é bonzinho sim, mas se ele não gosta de você não posso fazer nada. — falo e ele revira os olhos. Mariana: — O Furacão vai vim? — fala pulando de alegria. Lúcifer: — Não. — fala brincando e ela faz cara de choro. Carla: — Pelo amor de Deus, vai buscar esse cachorro pra essa menina não começar com o drama dela! — fala quase desesperada e o Lúcifer ri. Lúcifer: — Vamos lá, vou contigo porque vou comprar refri. — fala e eu concordo. Mariana: — Eu também quero ir! Fomos para o carro dele e ele deu partida. Ele me deixou na minha casa junto da Mari e saiu falando que iria na boca rápido só para ver se estava tudo certo e voltava. Entro pegando na mão da Mariana e fomos para o meu quarto. Peguei uma mochila e coloquei só uma roupa para dormir, meu creme, minhas máscaras de skincare, meu remédio para alergia e uma roupa para usar de manhã. Algumas maquiagens básicas e meu perfume. Coloquei a ração do Furacão na parte menor da mochila e o ursinho dele. Quase que eu esqueço do meu ursinho dos Ursinhos Carinhosos rosa — desde sempre tenho ele e todo dia durmo agarrada nele, não consigo dormir sem ele. Mariana: — Você parece uma criança, titia. — fala rindo. Luna: — Vamos pegar o Furacão? — falei rindo. Mariana: — Vamos! Luna: — Pega esse saco. — falei apontando para um saco de Doritos que tinha na cabeceira da cama. Assim que fez barulho com o saco, o Furacão entrou correndo pela porta do quarto e ela riu. Mariana: — O Furacão é muito engraçado! — ri. Escutamos a buzina então pegamos as coisas e descemos, encontrando com a minha mãe na sala. Diana: — Aonde você vai? Luna: — Vou dormir na casa da Ju hoje. Diana: — Acha que eu não sei porquê? Tá me achando com cara de i****a? — fala brava. Luna: — Mari leva o Furacão lá pra fora pra ele tomar um ventinho, já vou lá tá? — falei e ela concordou saindo brincando com ele. Diana: — Me responde, Luna! Luna: — Você tá louca? Eu só vou dormir com a Ju, o que tem de mais nisso? — falei reparando que ela estava muito estranha: os olhos brilhando muito, a pupila dilatada, nariz vermelho... Não. Pode ser isso! — Você tá drogada? Diana: — COMO É GAROTA? ME RESPEITE! — fala vindo pra cima de mim. Lúcifer: — O que tá acontecendo aqui? — fala aparecendo na porta e entrando na minha frente quando vê que ela iria fazer alguma coisa.
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