Lúcifer
Essa mina tá me deixando maluco! E olhe que ela ainda não fez nada. Cheguei em casa pensando nela — essa mina não é como as outras... Nem um selinho ela me deu, as outras só falta me dar a b****a só de olhar para a minha cara. O pai não é um Deus grego mas tá quase lá, um Deus grego preto.
Deitei na cama e tirei a blusa sentindo o cheirinho dela, coloquei a blusa no rosto cheirando a mesma e senti como se ela estivesse ali comigo. Nunca fiquei assim por ninguém não, p***a, sou de comer e pronto. Mas com ela tá sendo diferente — nem comi e tô assim; e olhe que ela ainda não fez nada...
Acabei dormindo com a blusa próxima ao meu rosto sentindo o seu cheiro.
Acordei cedinho, tomei banho, escovei os dentes e tomei café da manhã. Peguei meu fuzil, saí de casa subindo na minha moto e indo embora direção a boca. Chegando lá estavam todos na porta conversando merda — fiquei logo como: putasso!
Lúcifer: — Trabalhar seus filhos da p**a! Tão achando que tá aonde? — falei bravo e eles se assustaram e voltaram aos seus lugares.
Faísca: — Tá amargurado é? — falou sorrindo quando entrei na minha sala.
Lúcifer: — Tão fazendo o que aqui? — falei sentando.
MT: — Tu tá atrasado aí, a gente entrou pra ver se você já tinha chegado.
Lúcifer: — Não tô atrasado. — falei olhando a hora no relógio.
Faísca: — 9:30. — fala simples.
Lúcifer: — p**a QUE PARIU! Tem um carregamento para buscar às 9:40. — falei levantando.
Faísca: — Já resolvi isso. Fica tranquilo. — fala e eu sento.
MT: — Por que atrasou, irmão?
Lúcifer: — Agora fudeu, é minha mulher agora, carai? — falei puto.
Faísca: — É que é estranho, Diego. Tu nunca atrasou. — fala desconfiado.
Lúcifer: — Eu dormi de mais, só isso.
MT: — Aí vai dizer que não tem nada haver com a princesinha? Ou com o rolê de ontem? — fala e eu olho surpreso para ele.
Lúcifer: — Como que tu ficou sabendo?
Faísca: — Eu vi quando vocês saíram de moto. Eu tava na casa de uma mina aí...
Lúcifer: — Espero que não tenha sido a da minha irmã, filha da p**a. — falo lembrando que a mãe mora na mesma rua que a princesinha.
Faísca: — Mas aí não iria ter problema já que tá pegando a minha. — fala baixo.
O Faísca é irmão da princesinha, ela nunca soube dele por que quando ela nasceu ele morava com a avó dele e não quis ir com o pai para longe daqui. Ele era muleque ainda e o pai deixou, mas combinou que ninguém deveria falar sobre ele pra ela para ela não querer voltar.
Lúcifer: — Não tô pegando ela, foi só uma volta. — falei e ele me olhou desconfiado.
(...)
Luna
Acordei umas 10h da manhã, então levantei, tomei banho e coloquei um short de alfaiataria branco e um cropped bem pequeno verdinho claro. Arrumei o cabelo em um coque alto e calcei uma havaiana, desci para a sala me jogando no sofá.
Pedro: — Folgada você em! — fala sentando no outro e eu sorrio. — O que tá achando daqui? — fala depois de um tempo calados.
Luna: — Eu gostei.
Pedro: — Que bom. Mas acho que já está certo para voltarmos para a nossa antiga casa. — fala e eu olho sem reação.
Luna: — O que?
Pedro: — Vamos voltar, filha. Você vai voltar a ficar com os seus antigos amigos, seus antigos hábitos...
Luna: — Não, pai. Eu quero ficar.
Pedro: — Não estou te perguntando se você quer ficar. Estou falando que vamos embora.
Luna: — Por que tudo isso?
Pedro: — Você acha que eu não vi ontem você saindo com o Lúcifer? — fala sério. — Ele não é homem pra você! — fala bravo.
Luna: — Assim como você não era para a mamãe né? — Ele ficou quieto me encarando por um tempo e logo falou.
Pedro: — Não me orgulho de nada que fiz ela passar, e muito menos da vida que tinha no crime.
Luna: — Se não se orgulhava, por que voltou a fazer parte desta vida? Por que voltou pra cá?
Pedro: — PARA TE PROTEGER! — gritou e eu olhei séria para segurar o choro.
Luna: — DE QUE? — falei do mesmo tom.
Pedro: — Você não vai entender, é muito sensível para entender tudo isso. — fala sem paciência.
Luna: — Sempre a mesma coisa! Já estou cansada disso. O que eu não posso saber? O que vocês têm tanto medo que eu saiba? Por que nunca me contam nada?! — falei muito brava.
Diana: — O que está acontecendo aqui? — fala aparecendo na sala assustada.
Pedro: — O SEU AVÔ MATERNO QUER A SUA CABEÇA! SATISFEITA? — Gritou e eu olhei assustada. — Desde o dia em que eu comecei a namorar com a sua mãe, ele não jurou que iria fazer de tudo para que nós não fossemos felizes. Quando você nasceu ele queria tomar você de todas as formas até tentar levar você do hospital. Ficamos com você aqui no morro até fazer dois anos, depois disso fomos embora porque ele tentava de tudo para conseguir ter você, até que matou muita gente inocente para te ter e isso foi a gota d'água. Deixei o morro nas mãos do pai do Lúcifer e fugimos com você deixando tudo para trás.
Fiquei em choque por um tempo, mas para eles não pensarem que isso me atingiu muito, preferi fingir que nada tinha acontecido.
Luna: — Meu Deus. — falei surpresa.
Vi meu pai sair de casa muito alterado e então olhei para a minha mãe que parecia triste — acho que por lembrar de toda a situação. Apenas fiquei calada sentada no sofá e ela saiu em direção à cozinha. Um clima muito chato se instalou por todo o ambiente, então subi rapidamente para o quarto e me tranquei nele.