Luna
Saio de casa ouvindo uma buzina de moto e vejo três motos: o MT e a Ju em uma, o Faísca e a Ray em outra, e o Lúcifer sozinh.
Lúcifer: — Sobe aí. — Me deu um capacete.
Luna: — Espera aí rapidinho.
Entro em casa e subo rapidinho, pegando minha toca de cetim e desço colocando-a.
Lúcifer: — Que p***a é essa? — fala rindo.
Luna: — Não vou amassar os meus cachinhos com esse capacete! — falo e ele ri negando com a cabeça. Eu subo na moto já com o capacete na cabeça.
Ele sai acelerando e eu aperto a sua cintura para não cair.
Luna: — p**a QUE PARIU, VAI DEVAGAR, MENINO! — grito fazendo ele rir, assim como os outros que estavam acompanhando a gente.
Com a rapidez dele, chegamos lá em menos de 5 minutos. Desci da moto toda tremendo e ele rindo de mim — então olho brava para ele.
Luna: — Nunca mais ando com você!
Lúcifer: — Calma, cachinhos... — ri.
Fomos com o pessoal até uma área muito linda, por sinal. Tirei até uma foto para postar no i********:.
Luna: — Nossa, aqui tá muito lindo! — falo admirando o lugar.
Lúcifer: — Também acho sem graça!
Sentamos todos pertos e ficamos lá curtindo o lugar — tudo era muito lindo aqui...
Os meninos vão pegar bebidas e deixam a gente sozinha lá conversando, até que do nada aparece quem eu menos esperava.
Clarisse: — Não sabia que iria encontrar você por aqui. — fala me olhando. — Não acredito que você agora está andando com esses favelados. Desculpa amiga, mas você não pode mais andar comigo. — fala toda cheia de si e eu rio.
Luna: — GRAÇAS A DEUS! Não te aguentava mais! — Ela ficou me encarando com cara de nojo.
Ela iria argumentar, mas aí chegou o Vinícius, meu ex, e ela colocou o braço ao redor do seu pescoço.
Clarice: — Já chegou, amor? Eu só estava falando com a Luna aqui... Você acredita que ela está andando com esses marginais aqui? — fala com deboche.
Ray: — Vai tomar no cu, arrombadinha! Tá achando que só por que é filhinha de papai vai escapar de levar uma surra aqui é?
Clarice: — O sonho de ir para a cadeia é tão grande que quer até me bater, acho que por que lá tem o que você comer né? — fala e eu levanto para segurar a Ray, que por pouco não voa nela.
Vinícius: — Vem, amor. O castigo deles já é ter nascido favelados. — fala e aí os meninos chegaram na hora.
Lúcifer: — Tá me tirando? — fala indo pra cima dele e eu entro no meio dos dois.
Luna: — Calma gente, isso não vale a pena! — falo tentando segurar eles e vem mais três amigos da Clarice.
— O que tá acontecendo aqui?
Clarice: — Essa p**a acha que só por que tá andando com esses favelados é alguma coisa. — ri.
Luna: — Quem é p**a aqui?! — grito e os meninos me tiram dali. — Me solta!
MT: — Não, fica quietinha aí, por que já sabemos como tu é! — fala e sai, me deixando só com o Lúcifer. Então tento passar por ele e o mesmo me segura.
Lúcifer: — Não vai sair daqui. — fala sério me segurando e eu bufo. — Vai pegar as meninas, não vai dar certo ficar com elas aqui com essa maluca. — fala e os meninos saem.
Ele fica em silêncio apenas me encarando e confesso que senti um pouquinho de desconforto.
MT: — Vamos. — fala segurando a mão da Ju e o Faísca da Ray, que estava vermelha de raiva.
Lúcifer: — Vamos embora. — fala sério.
(...)
Ele me deixa na frente de casa e então eu agradeço, dou um tchau e entro. Sinto a todo momento os olhos dele em mim...
Diana: — Onde estava? — fala séria.
Luna: — Saí com as meninas. — falei normal subindo as escadas.
A minha mãe tem esse costume chato. Sei que é só preocupação, mas às vezes as preocupações dela são muito exageradas!
Deito na cama e fico mexendo no celular até que adormeci. Acordo às 01h30 da manhã e pego o celular vendo algumas mensagens de um pessoal falando sobre ter visto a Clarisse beijando o meu ex — eu só ignoro e fico assistindo reels. Logo chega uma notificação do Lúcifer e eu abro o chat do i********:.
Mensagens on
Lúcifer: tá acordada?
Luna: Oi, estou sim
Lúcifer: tá fazendo o que?
Luna: Nada, acabei de acordar kkk
Lúcifer: Huum
Mensagens off
|Ligação de vídeo|
Atendo a ligação um pouco desconfiada.
Lúcifer: — Iae? — fala com os olhos pretos meio avermelhados.
Luna: — Oi, tudo bem? — sorrio.
Lúcifer: — Seria melhor com você aqui...
Luna: — O que? — pago de doida.
Lúcifer: — Nada. Você jantou?
Luna: — Não, estava tão nervosa quando cheguei que vim direto pro quarto, e agora estou morrendo de fome. — falo levantando e abrindo a porta do quarto, olhando para ver se ouvia algum vestígio de meus pais acordados. Pelo silêncio, eles já estavam dormindo.
Lúcifer: — Vou ir aí então, te buscar pra nós lanchar. — fala e desliga antes que eu possa falar alguma coisa.
Ligação off
Que homem louco! Eu realmente estava com muita fome e não estava com vontade nenhuma de fazer comida uma hora dessas... Então eu vou!
Fechei a porta do quarto e fui banhar, depois só troquei de roupa e fiz um delineado simples. Calço um tênis branco, coloco o meu casaquinho de couro preto com pelinhos, passo perfume, escovo os dentes e recebo uma notificação dele falando que já estava aqui na frente.
Sai do quarto trancando a porta, saio de pontinha do pé com a chave da casa na mão e abro o portão saindo devagar para não fazer barulho. Fechei o portão e peguei o capacete — logo bato na testa quando lembro que tinha esquecido a toca!
Luna: — Droga, a toca! — falei baixo e ele ri.
Lúcifer: — Bagulho mó feião. — fala e eu o olho séria colocando o capacete.
Luna: — Vai acabar com os meus cachinhos. — falei subindo na moto. Ele sai com a mesma desligada, já que era uma decida, e só ligou quando afastou um pouco da minha casa.
Logo chegamos em uma pizzaria que estava aberta na cidade. Desci da moto e ele faz o mesmo, entramos lá e sentamos em uma mesa. A gente faz o pedido e começamos a conversar — a todo momento percebi o olho dele bem vermelho.
Luna: — Você tá bem? — pergunto e ele me encara por alguns segundos sem entender o porquê da pergunta. — Os seus olhos estão vermelhos... — acrescentei.
Lúcifer: — Eu fumei.
Antes que eu pudesse falar, o garçom trouxe a pizza — então agradeço e começamos a comer enquanto conversávamos besteiras.
Luna: — Vou ao banheiro. — falo levantando enquanto ele me olha concordando, pagando a conta ao mesmo tempo.
Perguntei ao garçom onde ficava e logo fui a caminho de lá. Fiz xixi, lavei as minhas mãos, retoquei o gloss e saí. Chegando lá, ele me chamou pra dar um rolê de moto — e já que eu já estava aqui, não iria negar né? Contanto que ele não andasse tão rápido.
(...)
Paramos em frente da minha casa e ele me ajuda a tirar o capacete. Percebo o seu olhar em mim, percorrendo o meu corpo e minha boca — isso era como se o corpo dele estivesse chamando por mim. Encarei aqueles lábios, mas logo desviei ao lembrar que era muito cedo para isso ainda.
Dei um abraço nele e agradeci pela madrugada de hoje, dei um beijo em sua bochecha e virei abrindo o portão e entrando em casa.