cap 03 de quem eles estão falando

870 Palavras
Luna Sento na cadeira da penteadeira e o Furacão corre para os meus pés. Coloquei esse nome porque ele não para quieto — já fazem dois dias que ele está comigo e esse cachorro já fez a maior bagunça, nem parece que é do tamanho de um rato. Não vi mais o Lúcifer pessoalmente, mas ele começou a me seguir no i********:. A conta dele é privada, m*l posta coisas e nem tem foto de perfil — só uma de uma parede com uma frase escrita. Postei uma foto que tinha acabado de tirar e vou olhar os stories do pessoal. Passa um do Lúcifer divulgando um baile aqui no morro. Continuo passando e chega uma notificação: foi ele que reagiu à minha foto. Estranhei, mas curti a mensagem e logo recebi: "Vai para o baile amanhã?". Respondo que não sabia, e ele respondeu com um "Jae". Já fui para bailes antes, mas nunca daqui — sempre ia com os meus pais. E antes que pensem "aí eles são velhos e estão em bailes ainda?", o meu pai tem 38 anos e a minha mãe 34; eles me tiveram bem novinhos. Desci as escadas vendo que o meu pai já tinha chegado. Ele falou que estava trabalhando novamente, mas não recebia o mesmo que antes — mas dava para nos sustentar e ainda sobrava um pouco. Luna: — Boa noite, galerinha! — falo e eles me olham. Diana: — Filha, a loja de uma conhecida está sem modelo, e ela perguntou se você não queria fazer fotos lá. — fala mexendo em uma panela no fogão. Luna: — Vou sim, a senhora sabe que odeio ficar parada. — falo e ela concorda. Diana: — Alguns amigos vão jantar aqui hoje, tá? O seu pai convidou, só soube agora à noite. Luna: — Precisa estar bem arrumada? Diana: — Não, só trocar essa roupa de dormir. Luna: — Certo, eles vão chegar de que horas? — escutamos alguém chamar no portão. Diana: — Agora. — fala desligando o forno. Subo as escadas e troco de roupa — já tinha tomado banho faz nem uma hora. Coloco hidratante e um body splash, desligo a luz do quarto e desço escutando vozes. Assim que piso o pé na sala, dou de cara com o Lúcifer, que sorri para mim — e eu não sei o porquê, mas fiquei sem graça. Desvio o olhar para o lado e vejo uma garotinha me olhando com os olhos brilhando e a boca aberta: — Uau, você parece uma princesa! — fala e eu sorrio junto com o pessoal. Luna: — Você que parece! É a cara da princesa Ana. — falo e ela abre um sorrisão. — É a minha princesa favorita! — pula, fazendo todos rirem. Pedro: — Princesa, esses são MT, Carla, Júlia e Lúcifer, que você já conhece. — ele aponta para cada um. Luna: — Oi, gente! — sorrio e eles respondem um oi. Sentei ao lado da menininha no sofá e comecei a conversar com ela. Descobri que o nome dela é Marina, que a cor favorita dela é lilás, que ama cachorrinhos e gatinhos — e mais um monte de coisas. Amo esse jeitinho das crianças. (...) Já estávamos todos sentados na mesa de jantar, comendo e conversando um pouco. Que dizer: eles estavam conversando, hora ou outra eu concordava com alguma coisa, mas sempre ficava quieta. Marina: — Papai, eu quero ir no banheiro. — fala olhando para o MT. Diana: — Leva lá ela, Luna. — fala quando terminei de comer. Concordo com a cabeça e levanto junto dela, indo a caminho. Marina: — Ihhh, que lindo! — fala toda animadinha vendo o Furacão comendo o ursinho velho que dei a ele para não ir atrás das minhas pelúcias. Luna: — Cuidado que ele é bem louquinho. — vejo ela indo alisar ele. Marina: — Como é o nome dele? Luna: — Furacão. — falo vendo ela levantar. Marina: — Mas porque? — fala e o cachorro começa a correr feito louco, quase derrubando o vaso da minha mãe. Ela ri: — Entendi! Luna: — Vamos ao banheiro? — falei e ela concorda. Depois que ela usou o banheiro, fomos até a sala de jantar e escuto eles conversando: Carla: — Quando vão falar para ela? — escuto a voz da Carla. Diana: — Não sabemos, ela é muito sensível, não sei se aguen... — a Marina corre até eles que se calam. Quem é muito sensível? E o que precisam contar? Luna: — Oi, gente, o que estavam conversando? — falo e eles se olham. Pedro: — Nada de mais, filha. Vamos para a sala, pessoal? — fala levantando e todos vamos com ele. A minha mãe e a Carla ficaram lá na cozinha, e nós fomos para a sala. Vejo a Júlia sentar ao meu lado e começamos a conversar — ela era legal e percebemos que tínhamos os mesmos interesses e gostos. Depois de um tempo eles foram embora, e eu e a Júlia trocamos os números. O que escutei ainda tava na minha mente, não consigo esquecer — e sei que se eu perguntar aos meus pais, eles iriam mentir. Durmo com esses pensamentos.
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