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DIÁRIO DE UMA PROSTITUTA

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Sinopse

Um romance sobre dor, coragem e o poder de recomeçar.

*************

Laura Moretti teve os sonhos arrancados antes mesmo de aprender a sonhar.

A mãe desapareceu sem dizer adeus, deixando-a com dois irmãos pequenos e a c***l responsabilidade de mantê-los vivos. Sem ajuda, sem estudo e sem escolha, Laura mergulhou em um mundo que a feriu por dentro — a prostituição.

Noites frias, quartos impessoais, mãos que tocam sem olhar, e olhos que olham sem ver. A cada amanhecer, ela se sentia mais vazia, mais distante da menina que um dia acreditou no amor. Chorava em silêncio depois do trabalho, limpava as lágrimas e seguia, porque desistir significava ver seus irmãos morrerem de fome.

Mas o destino tem um jeito estranho de devolver aquilo que um dia nos tirou.

Numa noite de desespero, fugindo de um cliente violento, Laura encontra um homem à beira-mar — Gabriel Duarte, um CEO poderoso, de olhos verdes e coração inquieto. Ele a reconhece. Anos antes, havia sido seu primeiro cliente. Mas, ao contrário de todos os outros, nunca a esqueceu.

Movido por algo maior do que o desejo, Gabriel decide ajudá-la. Quer devolver a Laura o que o mundo roubou: dignidade, esperança e o direito de ser amada.

Ela, porém, não acredita em finais felizes. Carrega no corpo as cicatrizes do preconceito e na alma a certeza de que amor e perdão não existem para mulheres como ela.

Entre julgamentos, discriminação e o medo de ser rejeitada, Laura precisará enfrentar o passado para descobrir se ainda é possível viver algo puro depois de tanta dor.

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“O Diário de uma Prostituta” é mais do que um romance — é um grito por humanidade.

Uma história sobre a mulher por trás do estigma, sobre a coragem de continuar respirando quando o mundo tenta nos calar.

Um livro que questiona o preconceito, expõe feridas reais e mostra que, mesmo entre as ruínas, o amor pode florescer.

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PROLOGO
O diário de uma prostituta ou garota de programa, como falam, é uma história tensa e verdadeira. Onde milhares de meninas e mulheres se vendem, ou porque sofreram abuso s****l em casa, ou porque foram obrigadas pelos pais a serem o que são hoje. E, porque precisam garantir o alimento para seus filhos, se for necessário. Muitas pessoas se sacrificam para ser o que não queriam ser e até hoje isso acontece. Queridos eleitores, espero de verdade que essa história venha a ser um exemplo para muitas mulheres que ainda da tempo de vencer e ser amada e que há chance de encontrar a felicidade mesmo quando estamos destruídas por dentro. O que voçes fariam se fosse Laura? O relógio velho da parede marcava onze e quarenta e cinco. Os ponteiros se arrastavam como se tivessem pena do tempo. A lâmpada piscava em intervalos curtos, lançando sombras sobre as paredes descascadas. Laura encolhia as pernas no colchão fino, abraçada aos joelhos, tentando silenciar o som do estômago que roncava. Dois corpos pequenos dormiam ao seu lado, enroscados num cobertor remendado. Lucas, com dez anos, e Beatriz, com quatro. O frio daquela noite parecia entrar pelas frestas da janela quebrada e atravessar seus ossos. Ela olhou para eles e sentiu o peso do mundo apertar seu peito. O mesmo peso que começou no dia em que a mãe saiu de casa e nunca mais voltou. — Eu volto amanhã, Laurinha. Cuida dos seus irmãos pra mamãe, tá? — havia dito, antes de desaparecer. Mas o amanhã virou uma promessa que se perdeu no tempo. Nos primeiros dias, Laura ainda acreditava. Deixava um prato à mesa, como se a mãe fosse chegar a qualquer momento. Até que as dívidas começaram, a comida acabou e os vizinhos começaram a olhar com pena. O leite azedava rápido, o gás acabou, e o silêncio se tornou um inimigo. Aos dezessete anos, Laura descobriu que o desespero tinha cheiro — o de roupa suada, lágrima salgada e medo de ouvir o estômago dos irmãos reclamando mais uma vez. Naquela noite, ela andou pelas ruas estreitas do bairro, com o mesmo casaco surrado e o cabelo preso de qualquer jeito. Tentava ignorar os olhares dos homens, as buzinas e os assobios. Cada passo era um nó no estômago. Uma mulher parada na esquina, maquiada demais para aquele frio, a observou e perguntou: — Tá procurando o quê, menina? Laura não respondeu. — Se é dinheiro, vem comigo. Eu te explico como é que é. Ela hesitou. Mas lembrou da panela vazia, da febre de Beatriz, do olhar perdido de Lucas. E o medo de morrer de fome foi maior que o medo do pecado. O primeiro quarto era pequeno e cheirava a cigarro. A mulher — que se chamava Mônica — explicou tudo rápido, como quem repete uma receita amarga. — Você não precisa gostar. Só precisa aguentar. Laura ficou parada na porta, observando o lençol amassado, o ventilador velho girando preguiçoso, e o homem sentado na beira da cama. Ele sorriu. — Quanto? — perguntou, tirando a carteira do bolso. A voz dela falhou. — Eu… não sei. — É novata, né? — Ele riu baixo. — Cem. Ela assentiu, sem entender direito o que estava fazendo. A mão tremia quando tirou o casaco. Fechou os olhos e esperou o pior. O resto foi silêncio. O tipo de silêncio que fica preso na pele, mesmo depois do banho. Quando o homem foi embora, Laura correu até o banheiro, se trancou e vomitou. O gosto metálico da vergonha subiu pela garganta. Chorou até não sentir o rosto. Depois lavou o corpo com força, como se pudesse apagar o que aconteceu. Mas a água não apagou. Naquela madrugada, ao chegar em casa, encontrou os irmãos dormindo juntos. Deixou o dinheiro sobre a mesa e se sentou no chão, sem forças. Olhou para o teto e pensou: “É só até eles crescerem. Só até não precisarem mais de mim.” E assim começou o ciclo que ela não conseguiria mais quebrar tão cedo. Os meses decorreram e os anos também. O corpo aprendeu a suportar. O coração aprendeu a fingir. Laura parou de chorar nas noites seguintes, ou pelo menos aprendeu a chorar sem fazer barulho. O rosto dela mudou. O olhar ficou fundo, cansado. As mãos sempre frias, o sorriso sempre ensaiado. Trabalhava à noite e dormia de manhã. Quando acordava, fazia o almoço dos irmãos, os ajudava com as lições e fingia que tudo era normal. Lucas começou a desconfiar. — Onde você vai toda noite, Laura? — perguntou um dia. — Trabalho. — Faz o quê? — Cuido de gente. — Gente doente? — É. Gente doente. — respondeu rápido, tentando não deixar a voz tremer. Mentir virou parte da rotina. Era mais fácil mentir do que explicar o inexplicável. Um dia, encontrou um homem diferente dos outros. Ele não a olhou com desejo, mas com curiosidade. Tinha um olhar calmo, verde como folha molhada. — Não precisa fingir — disse ele, quando percebeu o desconforto dela. — Eu só quero conversar. Laura estranhou. Ninguém queria conversar. — Eu te pago pelo tempo, não pelo corpo. Ela sentou-se à beira da cama, desconfiada. — Por quê? — Porque parece que ninguém te escuta. Foi a primeira vez que alguém disse algo que a fez sentir vontade de chorar. Eles conversaram por uma hora. Sobre o mar, sobre infância, sobre sonhos que ela já havia esquecido. Antes de sair, ele apenas tocou sua mão. — Qual seu nome? — Laura. — É bonito. — E foi embora, deixando um envelope na mesa. Ela nunca mais o viu. Mas ficou com aquela sensação estranha — como se alguém tivesse enxergado o que ela tentava esconder. Agora, quatro anos depois, naquela noite de vento forte, Laura estava cansada de tudo. O cliente insistia em coisas que ela não queria fazer. Ela disse “não” e ele gritou. Chamou-a de lixo, de v***a, de ingrata. Ela o empurrou, pegou o casaco e saiu correndo sem olhar pra trás. Andou sem rumo pelas ruas vazias, as lágrimas misturadas à chuva fina. Chegou até a praia, descalça, o cabelo grudando no rosto. As ondas batiam com força, o vento gelava. Parou diante do mar e gritou. — Por quê, meu Deus? O que eu fiz de tão errado? — As palavras se perderam no vento, mas o grito libertou algo dentro dela. Ela chorou como nunca. O choro de anos presos. O choro de quem já não tem fé, mas ainda tem dor. De repente, sentiu uma mão tocar seu ombro. Virou-se assustada. Um homem estava ali, de terno preto, o rosto parcialmente iluminado pela luz dos postes distantes. Os olhos dele… eram verdes. — Você está bem? — perguntou com voz calma. Ela não respondeu. — O que uma garota tão bonita faz sozinha a essa hora, aqui? — Tentando esquecer o que é viver. Ele se aproximou um passo. — Você não devia estar sozinha. — Eu estou sempre sozinha. — respondeu, olhando pro mar. O vento jogou o cabelo dela para o rosto. Ele tirou um lenço do bolso e estendeu para ela. — Toma. Laura hesitou, mas aceitou. — Eu não tenho nada que te interesse. — disse, fria. — Acho que se engana. — respondeu ele, com um meio sorriso. — Eu sei quem você é, Laura. Ela franziu a testa. — Como sabe meu nome? — Porque eu nunca esqueci de você. O coração dela disparou. — A gente… já se conhece? Ele assentiu. — Faz tempo. Ela tentou lembrar, mas não conseguiu. O olhar dele era familiar, mas a mente recusava-se a acreditar. — Eu fui seu cliente, há muitos anos. O ar pareceu sumir. Laura recuou um passo, envergonhada. — Então veio me procurar pra quê? Pra se divertir com isso? — Não. — respondeu firme. — Eu vim porque te vi chorando. Porque não suportei ver alguém tão forte se quebrando. Laura riu, um riso amargo. — Forte? Eu sou tudo menos isso. — É forte porque ainda está de pé. — respondeu ele, encarando-a. — E porque ainda tem olhos de quem quer viver, mesmo quando diz que não quer. Ela desviou o olhar. — Não sabe o que eu fiz pra chegar até aqui. — Sei mais do que imagina. E nada do que fez apaga quem você é. O silêncio se estendeu entre eles. O barulho das ondas era o único som. Ele então disse: — Eu me chamo Gabriel Duarte. Laura repetiu o nome baixinho, como se fosse uma lembrança distante. — Eu não lembrava de você. — Eu nunca te esqueci. As palavras o fizeram parecer sincero. Mas para ela, soavam como uma ilusão perigosa. — Por que está me dizendo isso? — Porque quero te ajudar. Ela deu um passo para trás. — Ninguém ajuda alguém como eu sem querer algo em troca. — Eu não quero nada. — respondeu. — Só quero te ver respirar sem dor. Os olhos dela marejaram. — Isso não existe. — Existe, sim. Mas precisa acreditar de novo. Laura abaixou a cabeça, sem forças. — Eu não sei mais acreditar em nada. — Então deixa que eu acredito por nós dois. Por um instante, o tempo parou. O mar, o vento, a dor — tudo pareceu suspenso. Ela olhou para ele e viu algo que há muito tempo não via: sinceridade. — Eu não posso voltar pra casa. — murmurou. — Meus irmãos vão perguntar por que estou chorando. — Então vamos tomar um café. Só conversar. Nada além disso. Ela hesitou, mas a voz dele era calma, quase acolhedora. — Eu pago o café. — Não quero seu dinheiro. — Então aceita só o silêncio. Às vezes, é tudo o que precisamos. Laura respirou fundo. A chuva diminuía. O sal do mar misturava-se às lágrimas. — Tá bom. Só um café. Gabriel sorriu de leve. — Só um café. Enquanto caminhavam juntos pela calçada úmida, Laura sentia o coração batendo de um jeito estranho — como se algo dentro dela, adormecido há anos, começasse a acordar. E pela primeira vez em muito tempo, teve uma pequena esperança de que talvez o amanhã não fosse apenas mais um castigo. Naquela noite, quando o sol começou a nascer, Laura abriu o diário e escreveu: “Hoje alguém olhou pra mim e não viu uma prostituta. Viu uma mulher cansada que ainda respira. E, por um segundo, eu quis continuar respirando.” Ela fechou o caderno, encostou a testa nele e chorou baixinho. Não era um choro de dor. Era o primeiro choro de quem, talvez, ainda tivesse salvação.

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