Nardy e os Lobos - parte 2

3873 Palavras
NOITE DO DIA SEGUINTE (SEXTA) HORA: 08:04 P.M. LOCAL: MINHA CASA SITUAÇÃO: TENTATIVA DE CONTAR O EPISÓDIO DO CINEMA/ WILL KENNEDY ENSANGUENTANDO, AARON ME CONTANDO SOBRE SUA NOITE DE QUASE s**o COM MILLIE KENNEDY PERSONAGENS: AARON, EU (MEIO ÓBVIO). — Então a história de amor "Nardy & os Kennedy" está de volta? — Claro que não. Quer dizer, talvez, se eu precisar de mais 25. — Depois de tudo isso você ainda pensa em usar essa d***a? Cara, vocês surtaram, é sério. Até eu vou parar com isso. — O sangue era de verdade, Aaron. Todos no cinema olharam para nós muito assustados. — Aquela gente toda nem estava lá, cara. Vocês surtaram. Na verdade, eu nem sei qual parte é verdade, e qual é loucura de vocês. Ou se vocês imaginaram tudo isso. Vai ver, nem a ligação da Elena foi verdadeira. Já falou com ela hoje? — Era sim. Falei. Bethany também ficou furiosa e confusa. — Minha irmã comentou que vocês desapareceram do nada. — Foi quase isso. Eu m*l dormi essa noite. Acredita em mim. Aquilo. Não. Foi. Normal. — Falar pausadamente não vai me fazer acreditar em você. — Podemos esquecer isso por um instante? Aquela cena de O Iluminado não sai da minha cabeça. — Tudo bem. Bem, ontem, vocês saíram, e eu fiquei sozinho lá em casa. Millie chegou por volta das sete e meia. Coloquei um filme, mas m*l vimos. Nos pegamos muito, cara. Mas não transamos, como se já era de se esperar. — Ela é uma Kennedy. Não vai ser fácil. — Não mesmo. O lado bom é que ela disse que gosta de mim. Will vai querer me m***r. — Eu te avisei. — ri, batendo em suas costas. — Você nem tem direito de rir, Nardy. O Will está com a Bethany, que está muito mais gostosa agora, e que sem duvidas não é mais virgem. Ele vai t*****r com ela, e você não transou. Quer revanche maior que essa? Cara... Vou te contar! Se eu fosse você, estaria na fossa. — A minha namorada é tão gostosa quanto a Bethany Hughes, Aaron. — Sinto muito, irmão. A Beth é... — Vai se f***r. Aaron dormiu em minha casa naquela noite (infelizmente, porque ele ronca muito). Ele dormiu no chão, é claro. Aaron é um daqueles tipos de seres que não conseguem dormir quieto. Da última vez que viajamos para um matagal, cometi o erro de dormir na mesma barraca que ele, e, bem, não foi uma experiência muito legal — acordei com alguns hematomas no rosto. Olhando para o teto, flashbacks sobrevoam minha mente, as terríveis cenas da noite anterior ainda me assombravam. Olhei para a porta, certificando-me de que ela não estava sendo quebrada por um machado. Nenhum coelho demoníaco pairava sobre a janela. Tudo parecia bem, e a minha consciência parecia tranquila, já que eu não havia consumido nenhum tipo de d***a naquele dia. Fechei os olhos e tentei sonhar com uma noite de s**o com a Angelina Jolie, mas lembrei de rapidamente que tinha uma namorada. Sonhei com Elena nua, em minha cama. OCORRÊNCIA DE NÚMERO 3 - DOMINGO HORA: 11:04 A.M. LOCAL: ST. LOUIS CATHEDRAL (OU QUASE) SITUAÇÃO: ABSTINÊNCIA DE 25. PERSONAGENS: AARON, EU E OUTROS DROGADOS. — Eu juro que quero parar, mas tá difícil. Essa é a última vez, Nardy. — O GPS está indicando a igreja como final de destino. — disse, observando a setinha da tela de meu celular virada para a catedral. — Tem certeza de que o Will enviou o endereço certo? — Eu só abri a localização e o GPS nos trouxe até aqui. — Foi uma longa caminhada, inclusive. — Aaron arfou. — Vamos entrar, então. Vou rezar pela sua alma de drogado. A porta de St. Louis estava fechada, mas não trancadas. O padre parecia não estar lá. Algumas velas estavam acesas no local, o que deixava ainda mais assustador. A sombra na janela, o sangue, a música horripilante, O Iluminado. "Você não está drogado, Nardy. Ainda." — penso comigo. No final do corredor (ou no começo), duas passagens. O GPS indicava que deveríamos ir à esquerda. — É sério isso? Comércio de drogas nos fundos de uma igreja? — Esse cara é mais esperto do que eu imaginava. — disse, e então seguimos adiante. Passamos por corredores, salas e locais vazios. O local era até maior do que eu imaginara. No fim, uma escada. Elas realmente pareciam estar me perseguindo. Quando pus meu pé direito sobre o primeiro degrau, uma voz vinda de trás fez meu corpo paralisar. — Posso ajuda-los? — o padre disse de forma angelical. Senti-me um demônio ardendo em chamas. — Desculpe, padre. Nós... — São amigos do James? — o padre sorriu, malévolo. Aaron olhou para mim assustado. — Hã... James? — Não precisam mentir para mim. Vocês vieram atrás de James Kennedy. O garoto das drogas. — Não, padre, nós... Nós... — Tudo bem, crianças. — sua voz pareceu um tanto assustadora. — Não tenham vergonha. Eu também uso. Descemos as escadas (já repeti essa frase umas mil vezes). A porta no fim revelava A toca dos drogados-refugiados de St. Louis. Além de uns garotos jogados pelo chão, umas garotas rindo sem motivo e um porão meio bagunçado, Nicolas James Kennedy estava no meio de todos eles. — Quem costumava ser líder era o seu irmão, James. — Vejam só. Nardy, grande Nardy. — Cara, você tá péssimo. — Aaron riu disfarçadamente. — O Will não me disse que era você. — Porque provavelmente você não viria, claro. — Olha, nós vamos embora... — Não, não. Nardy, eu sei que fui um i****a, um b****a. Mas, meu irmão tinha esse poder sobre mim, vocês sabem. Eu sempre achei que ele estava realmente errado. Só era covarde demais para enfrenta-lo. — Nós sabemos, cara. — Aaron... — chapado, James disse entre risadas. — Você não mudou nada, não é mesmo? — Então, você tem o 25 aí ou não? — inquiri. — Acabou de acabar, cara. — uma drogada de azul ao lado de James disse. — Mas, ainda temos HXX. Quem vai querer? — ele disse, com um olhar insano. Iluminado. — Tá amarrado em nome de Kubrick, Spielberg, Burton e companhia. — falei, lembrando-me da cena do filme, fazendo o sinal da cruz. Quase todos riram. — Alguém pega HXX pra esses dois belos rapazes? — James gritou com a sua equipe. — Como vocês conseguiram esse lugar? Sério, o padre usa mesmo? — Claro. Aaron, o padre era um dos meus principais clientes no começo. Ano passado, eu fiquei sem lugar para movimentar os negócios e receber os clientes. Foi quando ele mesmo sugeriu esse lugar. "Ninguém nunca suspeitaria de uma igreja, não é mesmo?" — ele disse, imitando a voz do padre. Diferente do 25, que é um pedaço quadrado de papel com umas figuras inanimadas, o HXX tem o efeito parecido, mas em formato de comprimido circular colorido. O pequeno saco plástico continha apenas cinco deles. Aaron e eu entramos na onda ali mesmo. Eu juro por Deus que o Edward de Crepúsculo estava me paquerando no porão daquela igreja. Aliás, Elena é fã de quase tudo que envolve lobos, lobisomens e vampiros. O Scott de Teen Wolf também não demorou em dar as caras, mas o brilho de Edward ainda me incomodava um pouco. Aaron estava no chão, em uma crise de riso medonha. Num piscar de olhos, eu girava, completamente tonto, por toda a sala. Ao centro, Bella, Edward e Scott faziam um ménage louco, sorrindo para mim. Está gostando, Nardy? A voz da Kristen Stewart ecoou em minha mente. Sem expressão, é claro. O porão ficou esfumaçado. Gritos vindos do inferno pareciam fazer a playlist da festa. Perdido. O padre beijava a drogada de azul. James Kennedy agora beijava o Edward. Ele brilhava. Do além, uma piscina surgiu nos fundos da p***a do porão. Virou uma bagunça. Eu tentava achar uma saída, mas um local, antes tão pequeno, tornou-se um verdadeiro labirinto. Tentei voltar ao início, onde eu lembrava com toda certeza que tinha uma porta. Afinal, eu havia chegado por ela. Porém, a passagem já não mais existia. Só uma parede de madeira completamente fechada. Não sou claustrofóbico, mas senti como se mãos imaginárias enforcassem meu pescoço com toda a força. A fumaça, a gritaria, sem saída. Uma música hipster começou a tocar. Era uma banda. Uma banda de coelhos demoníacos de Donnie Darko. Um tecladista, um baterista, um guitarrista e um baixista. Todos de olhos vermelhos. Quando as luzes se apagaram, todos gritaram. Aaron chamava pelo meu nome, desesperado. O padre passou a minha frente em câmera lenta, com uma máscara de Scream. De relance, jurei ter visto aquela boneca filha da p**a, Anabelle. Eu girava desesperado. Elena e todos os meus outros amigos praticamente me obrigavam a parar, mas eu simplesmente não conseguia largar as drogas. Agora, aquilo estava se voltando contra mim. Desejei mais que nunca estar em casa, em minha cama, apenas Elena e eu. Meus pais não poderiam nem sonhar que tudo aquilo estava acontecendo. Não me lembro como, mas acordei e minha cama, às dez da noite. Estranhamente, enquanto descia as escadas para comer alguma coisa, havia uma mensagem de Will em meu celular. Fora enviada mais ou menos na mesma hora em que Aaron e eu estávamos prestes a chapar no porão de St. Louis. WILL: RUA 44, AV. OLSEN. TÔ AQUI TE ESPERANDO. Aquele não era o endereço da catedral. DOIS DIAS DEPOIS HORA: 12:54 A.M. LOCAL: MINHA ESCOLA SITUAÇÃO: UMA CONVERSA CONFUSA NO REFEITÓRIO. PERSONAGENS: AARON, WILL E EU. — Cara, você tá pegando realmente pesado. O meu irmão? Traficando drogas? — William sorriu, negativo. — Todos sabem que James não tem jeito pra isso. Ele sempre foi submisso a mim. — disse, levando uma batata até a boca. — Não que eu me orgulhe disso, é claro. — Alguém mandou aquela localização para o meu celular. E só pode ter sido você. O seu celular não tem senha? — Mas é claro que tem. — Will afirmou, confuso. — Acho que vocês viram coisas. Não sei. — E quanto ao episódio do cinema? Você não acredita naquilo? Quero dizer, você então tem certeza de que tudo foi imaginação de vocês. — Aaron questionou. — Olha, aquilo foi realmente estranho. Mas, essa história do James vocês estão viajando. Ele não pode nem sonhar que eu uso esse tipo de coisa, cara. Ele sempre foi o certinho e educado. Vocês sabem disso. — Ele parecia outra pessoa ontem. Um James que eu não conheço. — Nardy, olha, depois nós falamos mais sobre isso. Aconteceu uma coisa meio estranha comigo ontem. — ele disse, enquanto o sinal o soava pelos corredores. — Com você também? E... E foi parecido? — Não. Não sei. Depois no falamos. O Kennedy 1 pareceu assustado, e parecia realmente ter algo a contar. Passei a desconfiar de que o capeta estivesse atrás de mim, ou algo parecido. Eu nunca acreditei muito nessas coisas, quase como um ateu, mas, as coisas passaram a mudar definitivamente. Passei a ver rostos em quase tudo. O coelho demoníaco era o mais frequente de todos. Eu o via em muitos lugares, mas principalmente no banheiro da escola. Uma hora ele estava lá, e outra, desaparecia. Algumas semanas se passaram, e o Halloween ficava cada vez mais próximo. Se eu estava animado para a noite em que os mortos têm passe-livre para sair do inferno e vagar pela Terra? Claro que Não. Quase dezesseis dias sem o uso de 25 ou HXX, tudo parecia mais tranquilo. Aparentemente. Em meus sonhos, vez ou outra, o sobrenatural dava as caras. Até os personagens horríveis que Elena gostava. Quando contei a ela que Edward tentou me beijar em um deles, ela riu. "Inveja de você, Nardy". Dias antes do festival do Halloween, recebi uma ligação em meu telefone. Era uma gravação de um filme de terror. "Diga o seu nome e então direi o meu" — com uma voz terrivelmente assustadora. Após uns segundos com as mãos trêmulas, sem responder nada, desliguei. OCORRÊNCIA DE NÚMERO 4 – 31 DE OUTUBRO HORA: 09:00 P.M. LOCAL: MINHA ESCOLA (OU QUASE) SITUAÇÃO: FESTA DE HALLOWEEN. PERSONAGENS: OS MESMOS DE SEMPRE + FIGURANTES. Eu estava livre das drogas. Elena e Madison, que faziam parte do grupo organizador, fizeram um belo trabalho. A escola estava incrivelmente irreconhecível e assustadora. A decoração estava impecável, a música era incrível, a comida, bebida e todo o resto. Aaron estava com Millie, e para nossa surpresa, William não ficou tão furioso assim. Um tanto surpreso, é claro. Nada fora do normal. Ele realmente havia amadurecido (em alguns aspectos). Elena e eu estávamos vestidos de Jasmine e Aladin, respectivamente. — Você tinha que vestir logo isso? É sério? — Depois do que você me disse do porão de St. Louis, da banda de coelhos, eu não consegui pensar em mais nada, irmão. Eu juro que queria ter visto isso. — Você passou tempo demais apagando, rindo, jogado no chão. — Eu não me lembro de absolutamente nada. Quase nada. — Do que você não lembra? — Millie chegou por trás, com dois ponches. Um deles era para Aaron. — E aí, Millie. Quanto tempo... — sorri para ela. Lembrei-me da última vez em que troquei palavras com Millie, no quarto dela, pouco antes do meu namoro com Bethany Hughes se iniciar, ano atrás. Éramos crianças. — Nardy! Servido? — ela sorriu, levantando sua taça em minha direção. A festa seguiu freneticamente. A chegada de Will e Bethany não foi nada agradável. Não pelo casal em si, longe disso. O filho da p**a do Kennedy 1 me fez beirar novamente entre a realidade e a insanidade. Alegando que tinha algo importante para me dizer, o acompanhei até o banheiro da quadra da escola para receber a grande proposta da noite. Eles estavam vestidos de Mickey e Minnie. Só que o Will era a Minnie. Bizarro. — Estão chamando de 20. Por ser mais leve que o 25. Falaram que você pode curtir a vontade, sem ficar muito louco. E relaxa também. — Will... Olha, melhor não. Você não se lembra do que aconteceu com a gente? Você me disse que também ia parar. — Essa é mais leve, cara. Relaxa. É de gente de confiança, não do meu irmão. — ele riu, em tom de deboche. William nunca acreditara que o irmão era um t******************s da St. Louis. William é corajoso, apesar de ser um grande b****a às vezes. Dias depois do episódio do refeitório, Kennedy finalmente me contou o que acontecera no mesmo dia em que Aaron e eu entramos em um mundo paralelo num porão de uma igreja. Segundo o mesmo, ele e os seus amigos drogados foram perseguidos por um grupo terrorista (não do tipo bomba, calma lá). Eles vestiam roupas pretas e máscaras grotescas. Eles foram presos, largados num quarto vazio de uma casa assustadora em uma rua sem saída. Ficaram trancados por lá durante horas, sendo torturados de forma c***l. Ele não entrou em detalhes, mas tentei imaginar o pior. Mesmo com a sensação de que eu estava fazendo a escolha errada, aceitei o 20 de Will. É isso que as drogas fazem: transforma o errado em certo e vice-versa. Meses do vício não se apagariam tão facilmente. Quem eu estava enganado? Eu certamente deveria participar de um desses grupos de apoio antes que me internassem em uma clínica para malucos. Naquele momento, a vontade de relembrar a sensação (as que eu costumava ter, normais e não assustadoras) me fez suplicar pela d***a. Segundos depois, lá estava eu novamente. Um ciclo de dias havia sido quebrado, e Aaron não poderia nem sonhar com isso. A festa era transmitida para os meus olhos em câmera lenta. Tudo parecia calmo demais. Com riso leve, eu vagava entre os alunos fantasiados feito um fantasma. Elena me procurava entre todos os casais, porém eu me esquivava de seu olhar. Ela não poderia me ver daquele jeito. Will e eu nos esbarramos mais uma vez na escada (para as arquibancadas) próxima aos banheiros. Aaron estava com ele. — Nós somos muito fodidos. — Aaron riu para mim, quando percebi que eu não era o único b****a da noite. — Eu não sei se me sinto bem ou m*l por ver você assim, Aaron. — Erramos. Mas, errar é humano, Nardy. Quer dançar comigo? Nós rimos. Dançamos juntos no salão ao som de baladas antigas. As meninas haviam evaporado, como de costume. Ou nós, eu não tinha muita noção de espaço naquele momento. De repente, o 20 não me pareceu tão fraco assim, e todos do salão passaram a ter cabeças de lobos. Lobos chapados. O mesmo Edward que tentou me seduzir também estava presente, perdido pela multidão. Will filho da p**a, isso é 25? — Você tá vendo? Aaron. Abre os olhos, p***a. Tá vendo isso? — Quê? — ele acordou de um transe, assustado. — Lobos. Cabeças de lobos. — Eles estão fumando maconha? — Enganaram o Will, cara. Essa m***a é 25. Estamos fodidos. Uma música, a mesma do porão de St. Louis começou a se espalhar por todo o salão. A banda dos coelhos estava no palco da escola. Quando olhei para o lado, Aaron estava sendo carregado com sua fantasia de coelho por quatro pessoas com cabeças de lobo. Meu amigo foi deixado no palco, onde recebeu uma guitarra para participar da banda. William gritou. Olhei para todos os lados, mas não o encontrei. Em seguida, o que vi a minha frente também me fez gritar. Era Elena. Estava jogada no chão, ensanguentada, assim como Will ficara no Hill's, ao lado da máquina de pipoca. Corri em sua direção. As pessoas passavam de um lado para o outro, sem notar a presença de Elena no chão, completamente ferida. Cinco passos. Luzes coloridas. d***a. Coelhos demoníacos, o grito de Will. Uma fumaça azul começava a tomar conta do local. Eu tentava ter força para gritar, mas o 20 levou tudo o que eu tinha. Os meus braços eram tão fortes quanto um boneco de posto. Comecei a chorar, sentindo-me incapaz de ajuda-la. O arrependimento — inútil, já que agora já não havia mais tempo — veio à tona. Passei minhas mãos sobre seu sangue, o corte que havia em sua bochecha. Caos. Quando finalmente reuni todas as minhas forças para dar um último grito de socorro, as luzes se acenderam. Todos estavam parados. Todos eles. Olhavam para mim. Eu não conseguia entender. Os olhos de Elena se abriram. Selei os meus lábios nos dela, antes de ela me dirigir uma palavra. — Desculpa, Nardy. Foi pelo seu bem. Levantei-me, com os olhos semicerrados, observando todos a minha volta. Cada um deles, simultaneamente, retiravam seus capacetes de lobo de suas cabeças.  Os coelhos da banda também tiraram, exceto Aaron. Meus pais (que provavelmente brotaram do chão), também estavam lá, observando-me. Até o professor Samuel estava lá, vestido de lobo drogado. Mas que diabos... — Desculpa pela brincadeira, Nardy. — Madison apareceu ao lado de Elena. — Não vou negar, foi divertido. — Bethany também apareceu. — Mas, o objetivo era muito melhor. Desculpe também, meu amor. — disse, e notei que Will estava logo atrás de mim. — Gente, eu tô chapado. Alguém pode me explicar o que tá rolando? — Aaron disse enquanto tirava o seu capacete de coelho e se livrava de sua guitarra. — Estão preparados? — Elena nos perguntou enquanto se livrava do sangue em seus braços. E elas nos contaram tudo. Elena, Madison e Bethany se uniram contra mim, Aaron e Will. Sabiam que estávamos viciados, e então, resolveram fazer a coisa parecer muito pior do que era. A sombra na janela de meu quarto foi feita por Elena (e ela não me revelou exatamente como). Quando pensei em sua saída repentina da casa de Madison, tudo fez sentido. A ligação misteriosa foi feita por James, que também se uniu as meninas. O próprio James pegou o celular do irmão e me enviou aquela localização de St. Louis na noite anterior, apagou a mensagem enviada, e depois fingiu se passar como traficante somente para causar ainda mais confusão entre nós. As meninas também estavam lá em St. Louis. "Nós éramos a banda.", elas disseram. Nenhum deles estava realmente drogado, exceto por mim e Aaron. Tudo o que eles fizeram foi ensaiado, mas o 25, sem dúvida, ajudou na questão de minha imaginação. "E quem era o Edward?" "Era só um dos meus amigos repleto de **, branco feito um fantasma. Mas ele parece um pouco com o ator também." Eu esqueci de perguntar sobre a Bella. O episódio do cinema foi o mais difícil, elas disseram (o tio da Bethany é um dos donos do local, e eu nunca soube disso). Porém, todos lá eram atores (ou pelo menos tentaram). E quanto ao professor Samuel? Bem, ele não estava naquele cinema por acaso (filho da p**a, novamente). Eu disse que elas mereciam um prêmio para pegadinhas. O sangue era uma receita da internet mais um líquido que fazia o cheiro parecer bem natural. E, como eu disse, a d***a sempre fazia tudo parecer bem pior. Enquanto ouvia suas declarações, lembrei-me de como elas foram cínicas no dia do cinema. "Vamos ao banheiro. Onde vocês estão?" E de repente tudo se apaga. Admito que, no final, rimos de tudo. E, o trio fez que aprendêssemos a lição. E, é claro, não pude deixar de reclamar que a pegadinha final com a Elena foi pesada demais. E os coelhos que apareciam pela escola, principalmente no banheiro masculino? Bem, o desgraçado do James revelou que ele vestiu a fantasia, mas que muitos outros dos aliados (os cabeças de lobo na festa de Halloween) também vestiram o traje. Fechamos a noite voltando ao cinema, dessa vez, sem pegadinhas, para assistir aquele filme r**m. Aaron, Millie, Will, Bethany, Elena, eu (claro). E, por incrível que pareça, até a Madison arrumou um cara. O filme foi r**m pra c*****o, mas não pior do que tudo que passei. Só de pensar nas drogas, calafrios percorriam por todo o meu corpo. Voltar ao Hill's não foi tarefa fácil, mas eu tinha que superar aquilo. Will também. Na verdade, eu achava que precisava das drogas para me divertir, mas, depois de assistir a um bom (r**m) filme com os meus melhores amigos, percebi de que não preciso de nada ilícito para me fazer feliz. Eu estava bem, confiante. Will zombou de mim durante um bom tempo, além disso. "Eu te disse que James nunca seria um t******************s, cara". Apesar de não terem falas por aqui (as drogas também atrapalham a sua vida familiar, preciso melhorar nisso também), meus pais continuaram no meu pé durante um bom tempo, até que tivessem certeza de que eu estava livre do carma. Meses depois, provei que estava. O Nardy drogado partiu para um universo paralelo onde os coelhos demoníacos habitam. Mas, nesse aqui, eu escolho viver livremente. Sem depender de nada, e nem ninguém.
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