Da primeira vez que nos encontramos, tenho vergonha. Eu não sabia quem realmente era Elize Cotter, então, também não sabia sobre os seus olhos. A escuridão. Eu estava na cafeteria/biblioteca mais famosa do Maine, onde trabalho. Não a via chegar, e muito menos como chegou ali. Voltava com uma pilha de livros seminovos em meus braços, o senhor Smith caminhava colado junto a mim, pedindo atenção para que os livros não caíssem. Ela estava com óculos escuros, uma jaqueta jeans e o seu batom cor de nada. Seu cotovelo direito repousava sobre a mesa, e o seu rosto descansava, deitado em uma de suas mãos. Foi nesse momento em que eu descobri que Elize era diferente. Em uma fração de segundos, por desviar o olhar para debaixo da mesa onde ela se encontrava, a pilha de livros saltou do meu braço como tartarugas ninjas e se espalhou pelo chão da biblioteca.
Ela não olhou em minha direção quando tudo aconteceu. Apesar disso, eu só tive certeza absoluta quando o Empire State de Elize rolou sobre o chão, bem próximo a sua mesa. Seus punhos cerraram, ela parecia bastante nervosa. Enquanto eu recolhia os livros ao chão, uma mulher, que estava atrás dela, procurando por algo na estante 2, foi chamada. A tal mulher pegou o Empire para ela, e, em seguida, as duas partiram pela porta da frente.
Não tive escolha. A vida escreveu o roteiro, e eu não poderia mudar isso. Não, as coisas não acontecem por acaso. O bem e o m*l existem e acontecem por um motivo, e talvez você nunca descubra o porquê. E, o meu maior erro foi achar que eu poderia controlar tudo. A minha vida, as pessoas, o valor do dólar, as emissões de gases de efeito estufa pelo mundo, o número de acidentes de carros por minuto, o clima. Não foi por falta de aviso, devo admitir. O senhor Smith sempre costumava dizer que, um dia, isso me mataria. Ou eu deveria mata-la. A inflexibilidade, a prepotência. Mas, não é o fim. A morte é o fim, ao que tudo indica. Enquanto há uma nova oportunidade, outro dia, precisamos seguir em frente. E o aparecimento de Elize Cotter me fez decidir avançar mais uma casa no tabuleiro da vida.
Mas, quem eu era antes de Elize chegar a minha vida? É constrangedor, mas, para que essa história funcione, preciso lhes contar o quão h******l eu era. Nem era um monstro, um praticante exemplar de bullying ou algo do tipo. É claro, já me envolvi em algumas brigas durante a minha pequena vida, mas, são coisas que apenas acontecem, você não sabe o motivo. Prazer ou não, sou Andrew. Andrew Anselmo Smith. Um garoto que costumava ter muitos amigos, relativamente inteligente e com pais ricos. Sim, o senhor Smith é o meu pai. Ele é dono de uma rede de cafeterias que se estendem pelo Maine, Connecticut, Massachusetts (odeio esse lugar, depois eu explico), Vermont e Nova York. Talvez isso seja importante em algum momento desse relato.
Eu estava no último ano da escola ano passado. Namorava uma garota chamada India, mas não, ela não era de lá. Seus pais são de lá, e, segundo ela, quiseram homenagear o país natal com essa atitude engraçada. Às vezes fico imaginando se meus pais fossem loucos como os dela. E aí, USA? Bom dia, USA. Que tal um cinema amanhã, USA?
Incrivelmente bizarro, mas eu a amava, sim, a amava. Ou pelo menos achava isso. Nem preciso dizer que fomos ao baile de formatura juntos, preciso? É, nós não fomos. Eu a peguei dando uns beijos no Raymond, o melhor amigo dela, horas antes da festa. Lembro que comecei a rir, nervoso por não saber como reagir aquela situação. Não imaginava que um dia isso fosse acontecer comigo, afinal, metade das garotas da escola queriam sair comigo. Por que diabos a India iria me trair? Foi quando eu descobri que eu nem era tudo isso que eu achava. Tirando a rede de cafeterias Smith's, quem era eu? O verdadeiro Andrew. Eu já estava no último ano, e m*l sabia sobre mim. A primeira luz foi dada por Betsy, a fotógrafa desajeitada do baile. Nós estávamos sentados na escada ao lado do banheiro masculino.
— Olha, você é forte, sabia? Se eu estivesse em seu lugar, certamente estaria chorando rios em minha cama agora mesmo, ouvindo Fix you, Asleep ou Wait.
— É o que eu quero.
— E com um pote enorme de sorvete de chocolate de cinco litros. — Betsy completou.
— Preciso ir pra casa, Bet. E você precisar tirar as fotos desse maldito baile.
— Você tem razão. Você chora, eu fotografo. — ela sorriu, tentando me fazer rir.
— Muito obrigado. Por ser minha amiga. Hoje.
— Você não tem amigos de verdade, todo mundo sabe disso. — ela disse, enquanto apontava a lente da câmera para mim.
— Eu descobri isso hoje. Já sabia, mas...
— Sorria. — disse, segundos depois, os flashes de Betsy quase me deixaram cego.
— Meu Deus, Betsy, eu não consigo enxergar. — falei, por alguns segundos, tudo balançava entre o preto e o branco.
— Vai passar. — ria de mim, animada. — Espere alguns segundos. Vamos contar. Um, dois, três.
— Estou enxergando. Meu Deus. Graças a Deus. — disse, apreciando a visão clara de minhas mãos.
— Desde quando virou religioso, Andrew Smith? — ela riu, desligando sua câmera.
— Já fui à igreja algumas vezes, Betsy. Você não?
— Sim. No enterro da minha avó, ano passado.
— Eu sinto muito.
— Não sinta. Ela e o capeta eram melhores amigos. Está melhor com ele agora.
Nós transamos logo depois disso. Mas, continuamos amigos, até hoje. Agora, Betsy está com um cara estranho de Nova Jersey, e, apesar do sotaque, ele é bem legal. Fico feliz por ela, de verdade. A melhor coisa em Bet é que ela é uma versão feminina minha, só que ainda melhor. Então, aquela nossa noite ficou lá, distante. Nada mudou, e a nossa amizade pode seguir em frente. Mas, o relato também precisa seguir.
Meus amigos estavam ao meu lado por interesse, e eu sabia disso de alguma forma, mas não queria aceitar. Eu sempre fui um b****a, por que alguém seria meu amigo sem ter nada em troca? Não sinta pena de mim por India e o seu melhor amigo. Isso se sucedeu após sete traições minhas, e fui perdoado por cada uma delas. Hoje eu não me orgulho disso, mas, se este relato fosse feito na época em que tudo isso aconteceu, eu faria questão de escrever em negrito que foram sete garotas diferentes. Okay, não comece a me odiar agora. Está muito cedo para isso.
Não posso contar tudo o que fiz, pois, caso eu dissesse, você nem estaria lendo isso aqui ainda. Vamos a uma lista rápida e dinâmica sobre O que eu fiz quando eu costumava ser um i****a completo.
1. Eu disse "f**a-se" para metade dos professores da escola.
2. Roubei Vinte mil dólares. Meu pai pagou a fiança.
3. Destruí o carro do meu professor de física (ele me deu um C).
4. Expus fotos íntimas de todas as garotas que eu peguei na escola (as revelei e coloquei nos armários certos).
5. Quebrei a perna do principal jogador do time adversário para favorecer o nosso time na grande final.
6. Pichei 40% dos muros da escola.
7. OK, eu estava mentindo. Não, eu não sou o mesmo de antes. Eu só estava com vergonha. Leia o próximo item.
8. Praticava bullying. Muito.
9. Já quebrei o dente de um nerd que não me quis passar cola numa prova de química no primeiro ano.
10. Chega dessa lista i****a.
Isso parece tão h******l ao ler, mas fazer é infinitamente pior. No final, mesmo dentro de um furacão de erros, eu finalmente terminei o ensino médio. Logo depois, eu segui para a única faculdade em que fui aceito (a Pace, em NY, com a ajuda do meu pai). Ele ficou triste e feliz ao mesmo tempo, pois o seu plano era que eu fosse para a Bates, no Maine, onde o custo por ano beira os trinta mil dólares. Em Pace, o custo não ultrapassa mais que quinze mil. Mas, eu não fugi do castigo e das porradas do senhor Smith. No meu primeiro verão, já com dezenove anos, ele me colocou como repositor/faz tudo, em nossa loja no Maine.
Em anos, notei que, estranhamente ou não, eu nunca havia ajudado em nada na Smith's. Um dia, herdaria tudo aquilo, mas, nada disso seria de real importância para mim. Não havia um pingo de meu suor em nenhuma daquelas paredes, daquelas estantes ou marcas de minhas mãos naquelas mesas cadeiras. Eu m*l sabia fazer café, para falar a verdade.
— Considerando o fato de que você não merecia nem a faculdade particular, trabalhar na loja que um dia será sua parece muito pouco. Pouco até demais, Anselmo.
— Nós temos empregados de sobra. Fala sério, eu estudei pra caramba nos últimos meses. Por que não me deixa aproveitar o verão?
— Vai aproveitar aos domingos. Não é fantástico? — ele riu da minha cara.
— Hã... Não, não é. Eu não vou.
— Você vai sim.
— Eu sei.
— Então cala a p***a da boca e veste o uniforme.
Meu pai e eu também somos parecidos. Mas, como sempre, ele é uma versão melhorada. Ou melhor, eu sou uma versão r**m dele. Nasci estragado, como Betsy costumava dizer. E, bem, eu já contei como foi o meu primeiro dia de trabalho. A pilha de livros, o meu pai atrás de mim feito uma sombra, Elize e o seu Empire State. Duas semanas se passaram até finalmente eu a reencontrar novamente. Eu estava com o meu uniforme da loja: uma camisa polo vinho com Smith's bordado no peito direito, calça jeans e tênis preto. Descia as escadas do segundo andar para o primeiro, e lá estava ela mais uma vez, na mesma mesa. Desta vez, sozinha, aparentemente. Tentativa rápida de descrever a beleza indescritível de Elize B. Cotter (palavras de alguém bastante bobo de amor): Cabelos negros e longos, um rosto delicado, bochechas rosadas e uma boca pequena bem e desenhada. Altura média, pernas não muito finas e braços bem fortes para uma garota tão amável. Seus olhos ainda são um mistério. Parei a sua frente, com os braços apoiados na cadeira. Não soube o que ou como dizer.
— Oi? — Elize se adiantou, para o meu espanto. Mesmo com todo o silêncio, percebeu minha presença.
— Oi. E aí? — falei, meio sem jeito. Elize bebericava o café com seus lábios finos.
— Não estou muito a fim de conversar hoje. — ela disse, deixando a xícara sobre o pires branco escrito Smith's em vinho.
— Ah. — envergonhado, virei-me.
— Você não pode fazer isso.
— O quê? — voltei-me para ela que, milagrosamente, sorria.
— Não pode dar as costas a um cego sem uma despedida educada, sabia?
— Me desculpa, eu só achei que.
— Elize. Sou Elize Bellard Cotter. — ela sorriu verdadeiramente pela primeira vez. — E você, quem é?
— Sou Andrew. Eu vou estender a mão para você.
— Não tem sobrenome? — ela encontrou a minha mão no ar segundos depois, e nos cumprimentamos.
— Andrew Anselmo Smith. Nunca me chame de Anselmo. Só meu pai faz isso, é sério.
— Nomes compostos são tão inúteis, não acha? Sente-se comigo. — nossas mãos se afastaram.
— Não posso. Trabalho aqui, na verdade.
— Você tem mãos muito suaves para um trabalhador.
— Comecei há duas semanas.
— Primeiro emprego?
— É.
— Posso te pedir um favor? — ela disse, quase como um sussurro. Olhei para o interior da loja à procura de meu pai, mas não o vi. Sentei-me de frente para Elize e me encurvei, ficando mais próximo de seu rosto.
— E o que seria?
— Pode me dizer onde é o banheiro? É a segunda vez que venho aqui, nunca fui. Minha irmã vai chegar em alguns minutos, mas, eu não estou aguentando.
— É bem ali. — eu disse, como um reflexo, apontando com a mão direita para o fim do corredor, ao lado do caixa. Depois de perceber o tamanho da minha idiotice, olhei ao redor, e ninguém pareceu notar. Elize estava com uma cara sem expressão.
— Eu quis dizer se você pode me levar até lá. Como um acompanhante. Um cão guia. Não que você seja um cachorro. Eu nem sei se você tem cara de cachorro. — ela disse, e riu da própria piada.
— Claro. Claro. — disse, sem saber como reagir da forma certa.
— Você tem cara de cachorro? Anselmo é nome de cachorro.
Dessa vez, concordei com ela e ri. Levantei-me, dando a volta na mesa e ela se levantou da cadeira naturalmente. Seu braço esquerdo e o meu braço direito se conectaram, como se conhecessem há anos. Elize sacou a bengala, quinze centímetros se transformaram em um pouco mais de um metro em questão de segundos. Em meio-silêncio, eu a conduzi até o banheiro da loja. Renata, uma das mulheres do caixa, fez um sinal positivo enquanto passávamos a sua frente. "Você é incrível" — ela sussurrou, animada.
— Aqui. A porta está bem a sua frente.
— Obrigada mesmo. Você é incrível. — ela sussurrou sarcástica, de forma parecida com Renata, dando a entender que ouvira muito bem o comentário da caixa.
— De nada. — ri, sem jeito, e ela adentrou o banheiro.
Voltei ao trabalho, com a sombra do senhor Smith atrás. Servi alguns cafés, ajudei alguns clientes a acharem livros quase invisíveis nas estantes e limpei o chão quando uma criança fofa derrubou 600 ml de suco de laranja natural no chão da loja. E o pior, a criança ainda riu de mim, enquanto estava numa posição constrangedora limpando a besteira que o mesmo fez. Você pode até não acreditar, mas, nesta mesa, havia: a mãe da criança e outros dois irmãos da criança desastrada.
— Essa vida é difícil, não é? — a mulher disse para mim, enquanto esfregava o pano contra o chão.
— Quê? — disse, para ter certeza de que falava comigo.
— Por isso eu digo a vocês para estudarem. — a mulher falou aos outros dois filhos ao seu lado, mais velhos (entre quatorze e dezesseis). — Não querem terminar assim, querem? Limpando chão de uma loja no Maine.
— Nós estudamos, mãe! — um dos filhos falou, impaciente.
— Estudar não basta. Vocês não acham que esse pobre garoto terminou o ensino médio? — apontou em minha direção. — É claro que terminou. Mas, isso não basta. Não basta mesmo. — finalizou, e os três olharam para mim, indignados.
Eu perdi a cabeça. Já estava furioso, pois passava tudo aquilo pelas exigências sem cabimento de meu pai. Eu já havia conhecido Elize, sim, mas aquele ainda era o velho Andrew. Joguei na cara da mãe e dos seus filhos que eu estava na faculdade, e que meu pai era o dono daquilo tudo. A mulher se levantou ainda mais furiosa que eu, e começou a gritar feito louca. Meu pai chegou, e de repente a briga tomou uma proporção enorme. Diversos clientes se retiraram da loja, assim como a tal mulher, que saiu da loja xingando o nosso café, os livros, o nosso atendimento e falando como o Smith's era a vergonha de todo o Maine.
Passei a trabalhar ainda mais, inclusive aos domingos. O verão, antes sinônimos de férias e descanso, tornou-se um verdadeiro caos. Eu desejava voltar para Pace a todo tempo, mamãe também. Já não aguentava mais as minhas brigas com meu pai e toda a rotina repetitiva e monótona. O desvio das horas perturbadoras com o uniforme vinho era Elize. Não demorou muito para que ela finalmente voltasse a desfrutar do café amargo e a mesa desconfortável dos Smith's. A mesma mulher que a acompanhara antes estava lá mais uma vez, ao seu lado. Sua irmã, presumi o óbvio. Ela parecia ter um trinta anos, aparentemente. Disputei com Emily, uma outra atendente da cafeteria, quem atenderia Elize, mas eu venci.
— Que bom que voltou. — disse, quando ela e a irmã já estavam acomodadas em uma das mesas.
— Anselmo. Bom te ver. — ela sorriu, encantadora. Sua irmã me encarou com frieza.
— Bom te ver. — repeti, como um papagaio irritante.
— Ele é o garoto incrível. — ela voltou-se para a irmã, rindo.
— Ah, é você. — a mulher sorriu. — Prazer. Sou Troian. Obrigada por ajudar minha irmã semana passada. Eu me atrasei um pouco.
— Ela sempre se atrasa. — Elize disse.
— É, quase sempre.
— Andrew. Foi um prazer ajudar.
— Você não parece ser assim, sabia? — ela disse, confusa.
— Assim como?
— Educadinho. Você não é assim.
— Elize! — Troian repreendeu a irmã.
— É sério. Ele parece ser descolado. E bem mais interessante que "foi um prazer ajudar". — disse, engrossando a sua voz para repetir o que eu havia dito.
— Você tem razão, eu não sou assim. Quase parei na cadeia umas três vezes, e uma delas foi por destruir o carro do meu professor de física.
— É disso que eu tô falando, cara. — ela riu, Troian balançou a cabeça em negativo.
— Brincadeira. — completei, quando percebi que a irmã de Elize não havia gostado.
— Pode trazer dois cappuccinos? — Troian perguntou, séria.
Pedi a Emily que levasse o pedido das irmãs. Ainda estava meio sem jeito por Troian, que devia estar com uma péssima impressão de mim, como a maioria das pessoas têm. Quando Em voltou da mesa de Elize, trazia um pequeno papel em mãos.
207-641-2610
— É o telefone dela? — disse ao pegar o papel.
— Não, é uma sequência de números aleatórios. — Emily respondeu, revirando os olhos.
— Quê?
— Claro que é o número dela, i****a. E você deveria ligar ainda hoje. — sorri enquanto recebia um t**a de leve na cabeça.
Foi como num filme, onde esse é o momento de embate do longa, quando um dos protagonistas toma a primeira atitude, e tudo começa. Estranhamente, quando a olhei, de alguma forma, ela sabia que eu o fazia. Mas, Elize não era fácil, nunca foi. Desde o início, eu sabia que seria difícil. O momento romântico com fundo musical imaginado por mim foi interrompido pelos gritos intrépidos do senhor Smith, que me chamava de volta ao trabalho, á realidade.
— Boa noite, é o Andrew, amigo da Elize. Ela está?
— Andrew? Ela nunca me falou de você.
Pude ouvir a voz de Elize ao fundo, gritando "mãe, traz o telefone aqui".
— Nos conhecemos no Smith's.
— A cafeteria?
— E livraria.
"Mãe, traz a d***a do telefone, por favor?"
— Ela está furiosa. — ela riu da própria filha, como se fossem irmãs.
— Posso ligar outra hora, se for melhor.
— Você é mesmo amigo dela? Elize não faz amizade com pessoas como você.
— Como assim?
— Eu vou passar pra ela.
"O que disse a ele? Você só me faz passar vergonha, meu Deus. Me dá o telefone. Obrigada".
— Anselmo? — ela assumiu a linha segundos depois.
— Elize.
— Jurava que Troian tinha escrito um número qualquer no papel. Para me sacanear, porque ela não gostou de você.
— Que bom que ela escreveu o número certo.
— Mais ou menos. Agora, vou ter que dobrar as roupas dela por um mês. Olha, podemos fingir que você não ligou? Eu combino com a mamãe para mentir também.
— Eu...
— Quando eu estiver falando muito, você me avisa, tudo bem? Eu falo demais.
— Ah.
— Tá tudo bem?
— Eu acho que.
— Comigo também. Desculpe por interromper. De novo.
— Elize?
— Andrew?
— Por que me deu seu número?
— Pelo mesmo motivo pelo qual você ligou para ele.