Joalin sempre foi energética e ativa, por isso, sempre teve aulas extracurriculares, como aulas de hip-hop e outros tipos de danças, futebol e o que ela mais amava, handebol. Era uma forma que ela tinha de descarregar suas energias e seu estresse, por isso ela sempre dava o melhor de si nos campeonatos e nos treinos, assim como estava fazendo agora.
Joalin era a pivô, ela atuava abrindo o espaço para suas colegas e também terminava as jogadas, e ela era boa naquilo, e junto com suas outras 6 amigas, elas formavam um time.
Sina era a goleira, o time malmente perdia um jogo quando se tratava dela no gol e por isso ela estava sempre cotada para jogar, ela sabia defender bem o espaço do gol e poderia até marcar um gol se fosse necessário.
Any e Sofya eram as pontas, por serem ambas ambidestras, assim facilitava a movimentação ofensiva do jogo, fora a técnica em arremesso que as duas tinham.
Diarra e Savannah eram as meias, ambas altas e com boa impulsão e arremesso em longa distância.
E por fim, Bua, armadora central, apesar de ser a menor entre as amigas, ela tinha raciocínio rápido e boa leitura dos trunfos da sua equipe e também da defesa adversária, por isso, por voto unânime, ela foi nomeada a armadora central. Era como a capitã.
- Muito bem, garotas... – Parabenizou Yonta, a treinadora das meninas. – Esse campeonato é nosso. – As meninas riram e comemoraram enquanto se organizavam para beber água. – Lembrem-se de estudarem bem e tirarem boas notas, não quero ninguém de fora desse jogo, ok? – Todas assentiram.
- Onde vai ser o campeonato? – Pergunta Diarra.
- Ainda não sei, mas não se preocupem... Agora, todas para o banho, não devem se atrasar para o jogo de basquete.
. . .
- Então quer dizer que a senhorita voltou com o meu irmão? – Pergunta Joalin sentada ao lado de Savannah, já prontas, Sina e Sofya já haviam ido para a quadra de basquete para guardar lugar para as meninas.
- Não acredito que você voltou para aquele branquelo. - Any deu de ombros à fala de Diarra. - Ele deve ser bom de cama.
- Pelo amor de Deus, sem comentários sobre meu irmão, por favor. - As meninas riram de Joalin.
- Espera, você e o Josh, já… - Bua não terminou a fala. Os costumes tailandeses eram diferentes, ela m*l segurava a mão de Pon em público, pois se sentia envergonhada em fazer isso, apesar do namorado já ser acostumado com isso, ela ainda estava em transição, por isso sempre que suas amigas falavam sobre sexo e afins, ela ficava vermelha e envergonhada, mas até certo ponto, curiosa.
- Claro que já… Várias vezes. - Ela ficou vermelha novamente e abaixou a cabeça, pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha. Diarra espremeu os olhos.
- Hm… O que tem por trás da pergunta? - Ela encara Diarra assustada. - Abre o jogo.
- O quê? Não tem nada. - Ela diz rapidamente.
- Ela falou rápido. - Diz Joalin. - Definitivamente tem alguma coisa. Abre o bico, tailandesa. - Bua resmunga.
- O Pon… - Ela fala hesitante. As meninas demoraram um pouco até entender onde a menor queria chegar.
- Ai meu Deus… - Joalin sorri pondo a mão na boca, Any logo entendeu e as outras meninas também, sorriram sugestivas.
- Eu não sei o que fazer, não sei se sou muito nova, ou… - Savannah interrompeu.
- Espera, ele está pressionando você? - Bua não teve tempo de responder. - Por que se ele estiver te pressionando, ele está sendo abusivo pra caramba.
- Pelo amor de Deus, Savannah, você vê como o Pon faz tudo que essa garota quer. - Diz Any.
- Ele não está me pressionando a nada. - Bua disse por fim. - Nós dois conversamos sobre isso, ele disse que queria e me perguntou se eu estava pronta.
- Então tá bom. - Diz Savannah, ainda pé atrás com a situação.
- Bua não pense muito sobre isso. - Diz Joalin. - É bom? Não sei, nunca fiz com homens, mas deve ser porque você e ele se gostam.
- E se for r**m. - Any atrai a atenção de Bua para si. - Pode acontecer também, normal de primeira vezes, só não se force ou vai ser r**m, ok? - Bua suspirou e assentiu.
- Agora vamos, está na hora do jogo. - Diz Diarra puxando Bua pela mão.
Elas chegaram à quadra que já estava lotada pelos outros alunos, o jogo não era uma competição, era um jogo entre os alunos que faziam parte do time, os principais e os reservas. Pon fazia parte do time principal.
Ele era cobiçado por a maioria, senão todas as garotas, até a Joalin derretia com seu sorriso, mas ela tinha muito respeito por Bua e sabia que os dois se amavam, então, mesmo se hetero, ela jamais estragaria o que os dois tinham, assim como todas as suas amigas, mas nem todas as garotas pensavam daquela maneira, muitos falavam que o Pon era “muita areia” para a Bua e outras só o desejavam por ver o quanto ele era carinhoso e amoroso, por isso o namoro era invejável aos olhos.
Pon viu a namorada e sorriu para ela acenando, a mesma sorriu tímida e acenou de volta, então ele voltou a prestar atenção no jogo.
Quando terminou, ele pode por fim, ir até sua namorada e a beijou rapidamente, sabendo que ela ainda se sentia tímida por trocar carícias em público, principalmente em frente às amigas.
- Jogou bem, Pon. - Diz Joalin.
- Obrigada, LBeau. - Diz ele pegando a garrafa de água que Bua o entregava e a bebendo.
- É, mas tome cuidado. - Diarra bateu em sua cabeça. - As meninas estavam babando em você. - Any riu.
- Quando não babam? - Diz Any e Pon dá de ombros.
- Eu não dou atenção para elas. - Diz ele após beber água. - Tenho olhos apenas para uma. - Diz piscando para Bua que ficou vermelha, principalmente depois das amigas dizerem um “Awn” em união.
- Ei Pon… - Um dos jogadores apareceu. - O treinador está chamando. - Diz e Pon beija a bochecha de Bua, se despede das meninas e sai. Mas não sem antes se virar novamente e acenar para a namorada e as meninas.
- O Pon é tão fofo. - Diz Savannah.
- E ele é tão carinhoso com nossa Bubua… - Diz Joalin chamando-a pelo apelido e abraçando a garota. - Não se preocupe, Buasri. - Novamente por outro apelido. - Quando a hora chegar, eu aposto que ele vai ser carinhoso e delicado e você vai amar. - Bua novamente ficou vermelha e iria responder, mas o sinal tocou e elas pegaram suas coisas para irem para as aulas.
. . .
Do outro lado da cidade, Sabina Hidalgo guardava suas coisas em seu armário quando sentiu uma presença ao seu lado, era China, sua colega e melhor amiga.
- Oi. – Diz Sabina, mas franziu a testa ao notar que havia algo de errado com a amiga.
- O que aconteceu? – Pergunto e ela bufa.
- Nada. Eu só não consegui entrar para o time, outra vez. – Sabina fez uma careta, sabia o quanto sua amiga desejava entrar para o time de futebol feminino.
- Por que não entrou dessa vez?
- Já estou na equipe de química, sugeri sair da equipe, mas a diretora não deixou. – Ela diz rolando os olhos.
- Claro que não. – Diz Sabina. – A equipe vinha perdendo tudo até você assumir. – China gemeu.
- Por que não dá para fazer os dois? – China geme descontente.
- Por que a grade de horários não é compatível?! – Diz como se fosse óbvio. Sabina percebe que deixou seu armário aberto e o fecha. – Você está pronta para aula? – China assentiu ainda fazendo uma careta nada feliz e as duas seguiram pelo corredor até a sala de aula.
As aulas se passaram arrastadas àquele dia, sempre passavam para Sabina, principalmente quando era sexta-feira. Quando era a hora de almoço, ela quase se ajoelho ao chão dando graças à Deus.
Todas as suas aulas do dia, antes do almoço, foram com China e por isso as duas foram juntas ao refeitório para o almoço, a comida escolar não era tão agradável, mas era o que tinham e não podiam reclamar. Já com a bandeja em mãos, eles caminharam para a mesa onde o restante de seus amigos já estava: Krystian, Hina e Noah.
- O dia hoje está passando tão devagar. – Reclama Sabina.
- Graças à Deus. – Diz Noah após engolir sua comida. – Semana que vem começam as provas. – Sabina bufa, nunca estudou para nenhuma prova desde que entrou no ensino médio, o que não se fazia tanto tempo, em vista que ela estava no segundo ano.
- Querem marcar para estudar? – Pergunta China.
- Eu tenho preguiça. – Diz Sabina almoçando.
- Como você tem notas altas? Eu faço como você e minhas notas são baixíssimas.
- É um dom. – Diz Sabina para Noah.
- Acho que a Sabina estuda e diz que não.
- Eu não estudo, juro. – Diz ela. – Eu não sei, eu só lembro das aulas e das anotações quando estou fazendo a prova, mas se você me perguntar algo agora, eu não saberei responder.
- Afinal, segunda é prova do quê? – Pergunta Krystian.
- Matemática. – Diz Sabina. – Essa sim eu vou tirar um belo zero.
- Eu não sei por que matemática é importante em nossa vida. – Reclama Noah. – Eu não quero transformar o x em número nenhum.
- Bom, todas as matérias são importantes, mas acho que poderíamos escolher o que queríamos aprender. – Diz Krystian.
- E sermos disfuncionais em outros assuntos? – Indaga Hina. – Assim como estado unidense é disfuncional em geografia?
- Me senti ofendido. – Diz Noah.
- Ah é? Me diz cinco países da América então. – Noah franziu a testa. – Do continente América, Noah. – O rapaz pareceu ainda mais confuso.
- A América não é um continente.
– Acabou de provar o meu ponto.
- Ei, eu sou estado unidense tá? – Diz China, se fazendo de ofendida. - E sei cinco países da América, sem citar o Estados Unidos.
- Ah é? Manda. – Diz Hina, duvidando da capacidade da amiga.
- Canadá, México, Brasil, Argentina e Venezuela. – China faz uma pose de vitoriosa e Hina para de comer para aplaudir, enquanto a amiga ri.
. . .
Sabina trabalhava no 82nd Market um supermercado que levava cerca de 30 à 50 minutos de ônibus e quase uma hora de caminhada de sua escola até o mercado, ela trabalhava no depósito e organizava as prateleiras e todos os dias tinha que lidar, muitas vezes, com clientes m*l educados e nada simpáticos que queriam saber onde ficava determinado produto.
Perdeu as contas de quantas vezes foi humilhada, discriminada ou assediada, mas ela não poderia desistir, precisava daquele emprego e dava graças à Deus que se dava bem com alguns de seus colegas de trabalho.
- Mexicana... – Nancy, uma de suas colegas se aproxima quando ela arrumava a prateleira de biscoitos. – Precisa de ajuda?
- Você terminou com a prateleira de frutas? – Nancy assentiu. – Ótimo, então pode ir arrumando os biscoitos nessa prateleira debaixo? – Nancy assentiu. Enquanto arrumava, ela percebeu que o celular de Sabina vibrava.
- Não vai atender? – Indaga Nancy. Sabina parou o que fazia e pegou seu telefone.
- É meu pai. – Diz ela. – Ele me mandou uma mensagem. – Diz ela guardando o celular novamente. – Depois eu vejo, vamos terminar logo isso. – Nancy deu de ombros e continuou a ajudando.
Quando o fluxo diminuiu devido ao horário, Sabina foi ao deposito e pegou seu celular, vendo a mensagem que seu pai mandara.
Papi
Sabina, filha, irei dormir no trabalho hoje, Johanna e Pepe disseram que você pode vir também, Josh e Joalin estão com saudades.
5h35pm
Sabina, quando vê essa mensagem me avisa se virá dormir aqui ou não, eu fui em casa e peguei algumas roupas para você.
6h00pm
Sabina respondeu ao seu pai avisando-o que iria sim dormir na casa de Joalin e que assim que seu expediente acabasse, ela seguiria para o trabalho de seu pai. Sabina havia se afastado um pouco de Joalin, ela lembra que ambas cresceram juntas e que Sabina considerava a loira uma de suas melhores amigas, mas logo, Sabina reparou que as duas eram de mundos completamente diferentes.
Joalin morava em Beverly Hills, um dos bairros mais ricos da cidade, repletos de mansões, estudava em uma escola particular bem renomada e poderia ter todo o sucesso e privilégio na vida, mesmo sendo metade mexicana, a garota havia herdado todos os traços da mãe, Sabina não se lembra de algum dia Joalin tenha usado isso ao seu favor ou que se sentisse superior fazendo-a se sentir inferior, pelo contrário, Joalin sempre fez questão de dizer o quanto a morena era linda, mas à medida que foi crescendo, foi notando que a amizade delas não era algo para ser.
Sabina morava em Watts, um bairro com casas simples e pessoas simples, a única escola de ensino médio por lá não tinha uma boa fama e por isso ela ia estudar há 1h15min de sua casa, pegando três ônibus no processo, já que o escolar não fazia a rota por seu bairro.
Apesar de não querer, Sabina passou a comparar as realidades, os encontros foram parando e nem ela mesma sabia dizer o motivo e por fim, ela nem se lembrava a última vez que vira Joalin que agora, passava mais tempo em seu quarto estudando, do que fazendo qualquer outra coisa e, o que sabia da garota, era o que via em seu i********: e o que seu pai lhe contava. E sempre que isso acontecia, ela recordava a infância e sentia falta de sua antiga amiga.