Pré-visualização gratuita Prólogo
Desigualdade Social é algo que afeta todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento ou já bem desenvolvidos. É a distância entre as pessoas mais ricas e as pessoas mais pobres. A distância entre Joalin e Sabina, pelo menos em questão de status.
Agosto de 2008. Fernando estava na sala de uma casa bem arrumada, os móveis de luxo o deixava nervoso, precisava daquele emprego ou entraria em problemas, e não queria voltar para o México, logo agora que sua filha parecia tão acostumada com o país.
- Você já foi caseiro antes, Fernando? – A forma como Johanna usou da palavra caseiro não ofendeu Fernando, mas lhe causou curiosidade, por que ela não usou o termo doméstico como todos? E por que aquela mulher não o tratou com indiferença ao procurar por aquela vaga?
- Ahm, não senhora, não tenho experiência, eu já fui jardineiro, motorista, mas nunca um doméstico.
- Caseiro. – A mulher o corrigiu. Ele assentiu nervoso.
- Sim, sim, caseiro... – Ele pigarreou e passou as mãos nos braços, como se quisesse esconder ou apagar suas tatuagens, Sabina ao seu lado, acabou ficando nervosa pelo nervosismo do pai e passou a sacudir as pernas. – Eu cuido da minha própria casa e vivemos apenas eu e minha filha. – Ele encara Sabina. Johanna também encarou a menina e sorriu levemente, Sabina encolheu o pequeno corpo e sorriu tímida também.
- Ela é linda... – Diz Johanna. – Há quanto tempo está aqui? – Ela pergunta.
- Cerca de dois meses, demorou um pouco para nos acostumarmos, principalmente por não falarmos muito o idioma... Mas estamos tentando. – A conversa foi inteiramente em espanhol. – Eu entendo completamente se a senhora não quiser me contratar por eu ser homem e.... – Ele aponta para o porta-retratos com uma foto de Johanna, o marido, o filho e sua filha, na festa de 3 anos da garota. – Por ter uma filha...
- Ei. Você parece confiável, me garantiu não ter ficha criminal e me pareceu bem simpático, em nenhum momento falou algo que pudesse me ofender e está disposto à tentar algo que nunca fez, você me parece uma boa pessoa, Senhor Fernando... – Ela diz e por fim se levanta, Sabina e Fernando seguem o movimento. – Meu marido deve chegar em instantes para resolver as questões do contrato, o que acha de uma tour pela casa.
- Mamãe... – Ouviram uma voz fina de uma criança vir da escada. Uma garotinha loira desceu as escadas, vestia um pijama do Homem-Aranha e os cabelos estavam bagunçados, um menino vinha logo atrás.
- O que ela disser é mentira. – Diz ele chegando junto com a menina.
- Crianças, temos visitas... – Diz Johanna em espanhol. A garota encara as visitas e Sabina, tímida, se esconde atrás de Fernando, Josh era um pouco tímido, mas Joalin estava animada e sorriu, teria uma amiga. – O que dizemos?
- Hola, buenos días, encantada de conocertenes. – Os adultos riram da fofura da garota ao falar espanhol, mesmo que tivesse dito a última palavra errada. Joalin ficaria brava se tivesse notado, não gostava de cometer erros, mas naquele momento ela estava mais focada na nova amiga. – Qual o seu nome? – Joalin pergunta para Sabina também em espanhol, Sabina encara o pai, novamente tímida. O pai a incentiva a responder, então ela voltou seu olhar para a menina.
- Maria. – Ela diz seu primeiro nome. Joalin sorriu.
- Nome bonito. Você é bonita. – Sabina sorriu.
- Gracías. – A menina agradeceu.
- Posso brincar com ela? – Joalin pergunta para a mãe que encara Fernando e depois Sabina, que parecia muito reclusa.
- Por que não pergunta para ela?
- Podemos brincar? – Ela diz para Sabina que encara o pai e em seguida n**a, deixando a mais nova frustrada. – Por que?
- Eu estou com vergonha. – Joalin se aproximou de Sabina e segurou sua mão.
- Não precisa ter, se sinta em casa. – Sabina encara o pai que encarou Johanna, a mulher assentiu, Joalin se animou e pegou à mão de Sabina e a puxou em direção à escada, ansiosa por ter uma amiga nova.
- Ei, mas e eu? – Pergunta Josh, um pouco enciumado.
- Você pode brincar com o carrinho que não quis dividir. – Joalin mostra a língua para o irmão e puxou Sabina escada à cima a levando até o quarto de casal.
- Uau... – Diz Sabina olhando o quarto dos pais de Joalin, onde ela ainda dormia. – Esse quarto é gigante. – Joalin sorriu.
- Você gosta de desenho? Barbie? – Sabina encara Joalin e dá de ombros. – Quer ver um comigo? – Sabina assentiu e Joalin a puxou para a cama, pegando o controle do DVD, esse é meu favorito. – Sabina se sentou na ponta da cama. – Senta aqui. – Joalin bateu a mão ao lado dela e Sabina, ainda tímida, se aproximou devagar. – Nesse filme, tem uma barbie loira e uma morena, uma que é princesa e a outra não, é muito bom. - Joalin deu play no filme e as duas começaram a assistir. Sabina acha engraçado como a Joalin cantava as músicas em pleno pulmões.
Quando o pai da Joalin chegou e resolveu as pendências burocráticas na contratação de Fernando e os três subiram para Fernando pegar a filha, se deparando com as duas dormindo, Joalin com a cabeça no ombro de Sabina e a morena descansando sua cabeça na cabeça da loirinha, os adultos sorriram. Nascia ali a mais bela amizade.