lágrimas da madrugada

1256 Palavras
Era aproximadamente às três horas da manhã quando Gael começou a soluçar, despertando Hanna de seu sono profundo e tranquilo. Com um olhar preocupado, ela se levantou imediatamente, pois sabia que ele estava com fome. Com todo zelo e dedicação materna, Hanna aqueceu a mamadeira que havia preparado previamente, antecipando a possibilidade de precisar dela durante a noite. Com cuidado, ela ofereceu a mamadeira a Gael, buscando acalmá-lo. No entanto, mesmo após tomar o leite, Gael ainda estava agitado e inquieto. Seu choro persistente continuava a ressoar pelo quarto, enchendo o ambiente de ansiedade e preocupação. Sensível à aflição do bebê, Hanna decidiu tomar medidas adicionais para acalmá-lo. Com ternura transbordando de seu coração, ela o pegou no colo, envolvendo-o em seus braços protetores e começou a cantar uma doce melodia, na esperança de embalar Gael em um sono tranquilo e restaurador. Enquanto isso, Augusto, também foi despertado pelo choro insistente de seu filho. Com um misto de curiosidade e preocupação, ele se levantou e dirigiu-se ao quarto, determinado a descobrir o motivo do choro noturno de Gael, já que isso era uma ocorrência rara. Ao entrar silenciosamente, ele foi presenteado com uma cena de pura ternura e beleza: Hanna, com seus cabelos desarrumados e olhos brilhantes, embalando e acalmando Gael com sua voz suave e melodiosa. Fascinado pela visão que se desenrolava diante de seus olhos, Augusto permaneceu parado, observando em silêncio a conexão especial que Hanna estava criando com o filho dele. Ele sentiu uma onda de gratidão e admiração por Hanna, maravilhado com a forma como ela cuidava com tanto amor e dedicação de seu pequeno tesouro. Foi então que Hanna, percebendo a presença de Augusto, quebrou o silêncio e falou com ternura: "-Senhor Augusto, você está aí?" "O que será que está acontecendo com ele? Ele não costuma chorar durante a madrugada!" Disse Augusto. Hanna dirigiu-se a Augusto, entregando-lhe o bebê com cuidado, enquanto compartilhava seus pensamentos: "-Eu tenho uma ideia, acredito que talvez Gael esteja sentindo falta da sua presença paterna. Talvez seja bom para ele dormir pertinho de você, sentindo sua proteção e amor." Augusto, aceitou o bebê em seus braços com gratidão. Instantaneamente, o choro de Gael cessou, pois ele sentia a presença tranquilizadora e reconfortante de seu pai. O quarto ficou envolto em um silêncio sereno, enquanto Augusto embalava Gael suavemente, transmitindo todo o amor e segurança que apenas um pai pode proporcionar. Após observar que o pequeno havia encontrado a tranquilidade, Augusto gentilmente dirigiu-se a Hanna em sussurros suaves: "Hanna, fique à vontade para voltar a repousar. Eu assumo o cuidado dele neste momento. Agradeço imensamente pela sua disponibilidade." Com gratidão genuína em sua expressão, Augusto transmitiu sua sincera apreciação. Hanna retornou ao aposento, deixando Augusto responsável pela atenção ao seu amado filho. Augusto começou a ponderar sobre a dinâmica entre Hanna e Gael, questionando-se sobre a adequação de permitir que a babá se aproximasse tanto do pequeno. Reconhecia que Hanna era uma profissional dedicada e amorosa, cuidando de seu filho com todo o zelo e carinho que uma mãe proporcionaria. Surgia em sua mente a possibilidade de Gael enxergar Hanna não apenas como uma babá, mas como uma figura materna em sua vida. Por um lado, Augusto ansiava por alguém que pudesse preencher o papel de mãe para Gael, alguém que lhe desse a atenção e o afeto que ele merecia. No entanto, ele também se lembrava de que a mãe biológica de Gael havia falecido, deixando um vazio emocional difícil de ser preenchido. Hanna, por sua vez, era apenas a babá e poderia partir a qualquer momento, o que trazia uma incerteza em relação à continuidade desse vínculo especial que ela havia estabelecido com Gael. Essa ambiguidade de sentimentos e pensamentos deixava Augusto em uma encruzilhada, sem ter certeza sobre qual caminho seguir. Ele reconhecia a importância de Hanna na vida de Gael e a conexão genuína que havia se formado entre eles. Ao mesmo tempo, não queria criar expectativas irreais para o filho, nem colocar um peso emocional excessivo sobre a babá. Ao romper da aurora, Augusto prontamente se ergueu da cama, ansioso para enfrentar mais um dia repleto de desafios. Enquanto Gael permanecia adormecido, desfrutando de um merecido descanso após uma noite tumultuada, Augusto deslizou elegantemente em seu terno impecável, como um verdadeiro advogado de sucesso que ele era. Ciente da importância de uma imagem impecável, ele sabia que sua vestimenta era uma extensão de sua personalidade confiante e determinada. Enquanto Augusto se ocupava com a rotina matinal, preparando o café da manhã com habilidade e destreza, não demorou muito para que Hanna despertasse também. Ansiosa Hanna verificou como o pequeno Gael estava, ele que desfrutava de um tranquilo sono. Ao adentrar a cozinha, Hanna foi surpreendida pela cena que se desenrolava diante de seus olhos: uma mesa elegantemente posta, com todos os detalhes meticulosamente arranjados, e Agusto sentado, desfrutando de sua xícara de café com um ar de cortesia e sofisticação. "-Bom dia, senhor Augusto!"- exclamou Hanna. "Bom dia, Hanna"- respondeu Augusto, com uma voz gentil e acolhedora. "-Sente-se comigo e desfrute de um delicioso café da manhã."- Ele a convidou para se sentar. Hanna, embora se sentisse um pouco desconfortável com a situação de morar com seu chefe, sabia que era importante manter uma postura profissional e respeitosa. Ela ponderou sobre sua decisão de compartilhar um espaço de convivência tão próximo com Augusto e se questionou se havia tomado a decisão certa. No entanto, ela optou por disfarçar seus sentimentos e agir de maneira educada e cortês. Com um sorriso delicado no rosto, Hanna respondeu a Augusto: "-Eu prefiro esperar o senhor sair para tomar café, acho mais adequado." Seu tom de voz transmitia respeito e consideração pelas regras de etiqueta e profissionalismo. Embora por dentro ela estivesse lutando com seus próprios pensamentos e sentimentos, Hanna era hábil em ocultar suas preocupações e manter uma fachada tranquila e equilibrada diante de Augusto "-Que isso, Hanna, por favor, sente-se. Eu preparei o café para você também!"- Ponderou Augusto. Embora ainda se sentisse um pouco insegura em relação à sua decisão de morar com seu chefe, a gratidão se misturou com o medo em seu coração. Ela decidiu aceitar o convite e se sentou à mesa, pronta para desfrutar da refeição que Augusto havia preparado com tanto cuidado. "-Hanna, desejo expressar minha profunda gratidão por ter preparado o jantar para mim ontem. Entretanto, quero enfatizar que não é necessário que você se encarregue disso. Não é sua obrigação, cuide somente de Gael"-expressou Augusto com sincera preocupação pelos cuidados de Hanna. "-Senhor Augusto, fique tranquilo. Está tudo bem. Não foi nada demais. Eu já estava preparando algo para mim e não me custou absolutamente nada fazer um pouco a mais para o senhor"-respondeu Hanna, demonstrando que não foi nenhum incômodo. "- Está tudo bem, Hanna, mas se você estiver cansada, não precisa se preocupar em fazer isso! E também não precisa acordar no meio da noite para alimentá-lo. Estou aqui e posso cuidar disso para você," -disse Augusto, mostrando a Hanna que se importava com os esforços que ela fazia para cuidar de tudo. "- Estou aqui exatamente para isso, para cuidar de Gael! Você chega cansado do trabalho, deixe isso comigo, por favor! É melhor que descanse,"- respondeu Hanna, demonstrando sua preocupação com o sono de Augusto. Augusto percebeu que Hanna era uma pessoa especial, com uma sensibilidade e dedicação incomuns. Ele se surpreendeu com a semelhança entre Hanna e sua falecida esposa, tanto nos cuidados com Gael quanto em suas atitudes amorosas.
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