O cheiro de carne queimada era insuportável e repulsivo ao estomago. Com todas as forças que ainda me restavam, puxei Kaelus pelo braço, para faze-lo levantar. Ele andou comigo, escorado e parecia quase um peso morto ao meu lado. Subimos as escadas da varanda, com ele se apoiando a mãono corrimão de madeira. A porta da frente estava aberta e Ravena nos espiava, na soleira da porta.
Tentei não pensar nos últimos acontecimentos que presenciei da janela da entrada, vendo Kaelus atear fogo sobre seus oponentes e o quanto isso me lembrava de algo que não queria recordar. Do dia em que senti o poder do fogo em minhas mãos. Eu fingia não lembrar, pois parecia loucura ter conseguido produzir isso com as mãos, sem se ferir. O fogo não me feria, mas feriu a sombra que tentou me atacar na sala de música da escola. Os alunos ao meu redor ficaram assustados e conseguiram fugir da sala, mas eu fiquei, enquanto o fogo consumia o local. Fui retirada de lá, pelos bombeiros, mas estranhamente o fogo não tinha me consumido. Não me ferira, apenas era quente e me aquecia por fora.
Caminhei com Kaelus até a sala, com ele apoiado em meu ombro. Ele era pesado demais para aguentar e quando vi, caímos juntos de joelhos no chão. Ele riu, como se aquilo fosse algo engraçado, mas eu não estava rindo. Estava desesperada. Me levantei, apoiando as mãos nos joelhos. Kaelus não se levantou, apenas deitou no chão de madeira, de barriga para cima, respirando com dificuldade.
- Ligue para Artie, Agnes. Eu me viro agora - ele disse, com a voz rouca.
O lastro de sangue azul metálico estava por todo caminho. Precisávamos fechar a ferida, ou ele ficaria mais fraco para enfrentar o que quer que fosse que viria nos atacar em seguida. Peguei meu celular no bolso e tentei mais uma vez ligar para Artie. O telefone foi atendido no segundo toque.
- Olá, princesa - escutei a voz melodiosa dele - Nunca imaginei que iria me ligar.
- Artie, sem brincadeiras. Precisamos de você. Kaelus foi baleado. Não sei o que fazer...eu...
- Estou indo, Agnes. Fica calma - ele disse, com a voz séria, dessa vez e desligou o telefone.
- O que faremos? - perguntei, olhando para Kaelus, que estava com uma cor cinzenta sobre a pele.
- Preciso que você remova a bala, Agnes - ele disse, em sopro de voz - Preciso que pare de sair sangue. Se não, não irei conseguir me curar e na pior das hipóteses vou ficar sem magia por um tempo. Temos os sigilos que protegem a casa, mas não por muito tempo. Feche a porta da frente e só abra se for Artie.
Assenti, fechando a porta. Escutei um clique. Com certeza Kaelus a fechou. Voltei para sala, pensando no próximo passo, que parecia muito desagradável. Minhas mãos tremiam pela antecipação de ter que remover uma bala.
- O que faço agora? - perguntei para ele.
- Vá até a cozinha - Kaelus respondeu - Lá tem um quite de primeiros socorros.
Corri até a cozinha, atravessando a casa, com Ravena em meus calcanhares. Procurei pelas gavetas e armários e finalmente achei em um armário de parede. Peguei a bolsa de couro preta e corri para a sala, ajoelhando no chão e abrindo o quite. Havia gaze, várias ampolas com um líquido verde escuro, linha de costura, agulha, tesoura, esparadrapo e uma pinça cirúrgica.
Tentei ajudei Kaelus a tirar sua camisa preta de botões. Ele silvou de dor por ter que mexer no ombro ferido e cortei a roupa com a tesoura, para facilitar. Seus músculos ficaram evidentes e sua pele era em um tom azulado e cinzento. Se aproximada da cor da pele humana, mas o tom azul da pele era cadavérico. Não era como uma criatura azulada. A pele de Kaelus parecia ter passado apenas por um tipo de maquiagem cinzenta, em cima do tom de uma pele branca.
- Me dê o frasco. Qualquer um serve - ele pediu.
Tirei a rolha e entreguei a ele. Tomou em suas mãos tremulas e se ergueu pelo cotovelo, tomando o líquido escuro e estranho. Ele deitou a cabeça de volta no chão e largou o frasco.
- Agora, você vai fazer a pior parte. Eu não imaginava que um dia iria precisar disso de novo.
O que ele disse me chamou a atenção.
- Você não deveria, sei lá, se curar sozinho? Não tem essa habilidade? - tirei minha blusa e pressionei no ombro ferido dele, para estancar o sangramento. Ele soltou o silvo, mas não reclamou.
- Os elfos tem isso, mas quando se usa o poder demais, demora muito mais para ocorrer a cicatrização. Em batalha, você precisa de um elfo de cura, apenas para ajudar os soldados da linha de frente.
Assenti. Aquilo era estranho para mim. E não tinha tempo para pensar no quanto eles eram peculiares em seu modo de viver. Se um ser humano leva um tiro, ele demora muito tempo para se recuperar. São questão de semanas, há meses, dependendo de onde foi alvejado. Se for perto de uma artéria vital, na cabeça, ou no coração, não há mais chances de sobrevivência.
- Pegue a pinça, Agnes e remova a bala - ele pediu.
Olhei para seu semblante sofrido, mas um pouco menos acinzentado, um pouco mais azul. Talvez, devido a beberagem que continha no frasco.
- O que tinha no frasco? - perguntei, para tomar tempo. Eu queria que Artie chegasse e ele fizesse isso. Que retirasse a bala. Eu não se iria aguentar.
- Uma poção para revitalizar o corpo apenas. Isso vai ajudar no processo de cicatrização do ferimento. Agora, pegue a pinça, Agnes. Isso já esta doendo como o inferno - ele mordeu os lábios e tive pena dele.
Passei a mão por sua testa, que estava suada e beijei sua pele. Ele pareceu surpreso e sorriu para mim, com os olhos semicerrados.
- Gosto disso - ele sussurrou.
- Do que você gosta? - perguntei, bem próxima do seu rosto, apoiando a mão espalmada no chão.
- De ser cuidado por uma princesa - ele zombou, mas havia uma nota de agradecimento ali. Eu sabia que sim.
Beijei de novo sua testa e ele levou a mão até meu rosto, acariciando, mas sem abrir os olhos.
- Estou começando a gostar de você, Agnes. Eu não deveria, mas gosto - ele disse.
Era estranho falar com alguém de olhos fechados e que estava muito m*l. Precisava focar na minha tarefa e conter a perda de sangue, mas para minha sorte, já havia estancado. Retirei a blusa, encharcada por um líquido pegajoso e azul, deixando-a de lado no chão. Olhei para a ferida e fiz uma careta. Havia um buraco no ombro direito dele. Me senti enjoada, imediatamente.
- Vamos, Agnes, é só uma ferida - ele pediu, sem abrir os olhos.
Assenti, para mim mesma e pensei que poderia aliviar a dor dele de alguma maneira.
- Será que você precisa de algo para morder, ou tomar? - perguntei.
- Um whisky seria bom - ele disse, rindo.
A bebida me lembrou que eu teria que desinfetar o local. E perguntei a ele se tinha álcool.
- Não tenho, Agnes. Mas, há uma cristaleira com algumas bebidas, se você quiser usar isso. Me dê uma garrafa, para que eu posso suportar a dor.
Levantei do chão e fui até a cristaleira. Era um armário, com portas de vidros. Vi uma garrafa de um líquido viscoso, em tom ambarino que achei ser o whisky que estava procurando. Destampei a garrafa de vidro e senti o cheiro adocicado, quase como se fosse mel. Aquilo não era whisky, definitivamente. Fiz o exame minucioso em outras garrafas, mas todas eram parecidas.
- Você não tem whisky - eu constatei.
- Traga qualquer garrafa - ele pediu.
Assenti e peguei a garrafa de vidro nas mãos. Kaelus abriu os olhos lentamente.
- Por favor, me ajude a sentar - ele pediu.
Seus lábios estavam brancos, agora. Senti que estava perdendo muito tempo e precisava tomar coragem de retirar a bala presa em seu ombro.
Ajudei-o a se inclinar, pelo menos, com a mão apoiada em sua cabeça. Ele pegou a garrafa e tomou, fechando os olhos, parecendo estar em êxtase. Deixei que ele deitasse no chão de novo. Sua aparência estava se alterando. Parecia melhor, não que estivesse curado, mas não estava tão cinzento quanto antes.
- O que tem isso? - perguntei, investigando a garrafa de vidro em minhas mãos.
- Algo que um humano não poderia beber. É como uma d***a potente, como esctasy. Mas, isso nos ajuda a melhorar. Aquele que bebe isso, se tornara um elfo. Quem beber com um elfo, será levado por eles.
Assenti, deixando a garrafa no chão. Kaelus parecia dormir, com um sorriso nos lábios. Respirei fundo, sentindo todo meu corpo tremulo e peguei a pinça, olhando para ela. Não havia nada para desinfetar o local. Ele não tinha álcool destilado nem o normal, então teria que contar com a sorte no momento, para que não ocorresse uma infecção.
Coloquei as pontas dos dedos, ao lado da ferida e examinei. Não conseguia ver nada. Mas, a bala estava lá, não havia atravessado o ombro. Peguei a pinça com a mão direita e tentei encontrar a bala. Kaelus resmungava, mas não se mexia. Parecia estar em sono profundo. Quando senti algo, com a ponta de metal da pinça, pincei e puxei. Saiu um pedaço de estilhaço da bala. Aquilo não seria nada bom. Kaelus agarrou minha cintura, que estava apoiada ao lado do corpo dele, com força. Ele soltou um silvo, mas sem abrir os olhos. Estava sofrendo.
- Vai acabar logo - eu disse, em tom de voz calmo. Eu não me sentia assim por dentro.
Fazendo o exame minucioso, com o apoio da lanterna do celular, consegui tirar o máximo de estilhaço possível da bala. Kaelus grunhia de dor, mas não abria os olhos. Ele me apertava e mordia os lábios, mas parecia inconsciente quando tentava falar com ele. Meu corpo inteiro suava e minhas mãos estavam tremulas. Na hora de usar a pinça, tentei firmar minha mão o máximo possível, para não machuca-lo.
Estava cansada e parecia que eu estava fazendo isso há várias horas. A pior parte seria costura-lo. Eu nunca havia dado pontos em ninguém. Costurar era algo que sabia razoavelmente bem, devido aos figurinos que já precisei construir para as peças de teatro que participava. Era um hobbie apenas, não um talento. Bom, teria que tentar. Observei meus dedos. Estavam manchados de um tom azulado e parecia estranhamente reconfortante não ser sangue humano.
Peguei a linha de costura, dentro do quite médico no chão e peguei a agulha. Passei a linha preta, depois do que pareceu minutos e fiz o nó nas pontas. Respirei fundo e coloquei os dedos sobre a pele dele, tentando junta-las, para fazer a costura. Imaginei estar dando pontos em uma bainha de calça ou saia e os pontos saíram quase perfeitos. Quando dei o nó, usei a tesoura do quite para cortar e analisei meu trabalho. Os pontos eram tortos, mas pelo menos o ferimento estava fechado.
Respirei fundo, deitando ao lado de Kaelus, sentindo meu corpo exausto. Suava tanto, que meu corpo parecia encharcado. Segurei a mão de Kaelus, entrelaçando nossos dedos. Não sabia se era um gesto fraternal ou muito mais significativo que isso. Ele apertou, fracamente meus dedos.
- Obrigado - ele sussurrou.
Eu escutei, mesmo ele quase não movendo os lábios. O silêncio era algo facilitava escutar até meus batimentos cardíacos.
O meu telefone tocou no bolso, depois do que pareceu uma hora inteira e atendi.
- O que aconteceu aqui? - escutei a voz de Artie - Por que tem corpos no quintal da casa do feiticeiro?
- É uma longa história - eu respondi.
- É seguro entrar? - ele perguntou - Meus amigos estão aqui para ajuda-los, mas eu não quero me meter nisso.
- É seguro sim - garanti - Agora traga sua b***a até aqui.
- Sim, vossa alteza - ele disse, em tom zombeteiro.
A porta da frente se abriu em um toque da minha mão na maçaneta. Kaelus devia ainda estar acordado. Ravena passou por mim e recepcionou os convidados. Eram quatro caras comuns e uma menina, além de Artie, atrás, olhando tudo desconfiado. Todos deviam estar com sortilégios, para parecerem humanos.
Eles entraram comigo e expliquei a Artie o que houve. Um dos caras disse que seria um problema m***r humanos e Kaelus poderia ser julgado por isso. Expliquei que a rainha Ária havia mandado eles e que não havia o que ser feito. Eu vira os espectros controlando eles, como se fossem suas marionetes.
- Pelo menos um dia para ele se recuperar - disse um dos caras, de cabelos cor de areia - Ele esta péssimo. Vamos precisar ficar aqui e esperar. Hazel, você cuida dos corpos?
Um cara grande, coberto de tatuagens e parecia ter implantes de chifre na cabeça. Os outros dois caras o seguiram e a garota de cabelos vermelhos ficou, olhando para Kaelus. Ela parecia murmurar algo, concentrada. Podia ver algo brilhante sai de suas mãos e chegar até Kaelus, no chão. Fiquei perto de Artie e o puxei pela mão, saindo da sala, ficando de frente para entrada da casa e a escada em espiral.
- Quem são eles e o que aquela garota está fazendo? - inquiri.
Ele me fitou, com um sorriso divertido e entrelaçou nossos dedos, com i********e. Puxou minha mão para cima e viu o sangue, fazendo uma careta.
- Eles são amigos muito queridos - ele respondeu, sem desviar os olhos de mim. Seus olhos eram uma cor de avelã, parecendo ter uma espécie de ramos que saiam da pupila e iam ate as bordas da íris - E são filhos do nosso reino. Elfos que se exilaram e vivem aqui, há tanto tempo quanto eu.
Assenti. Ele ainda segurava minha mão e eu deixei. Era reconfortante ter um amigo naquele momento.
- E a garota, o que ela estava fazendo? - perguntei.
- Curando seu feiticeiro, Agnes - ele respondeu, com um sorriso malicioso - Está com ciúmes dele?
- Eu não tenho ciúmes - eu discordei, com um olhar irritado, tentando soltando minha mão. Ele a segurou com mais força.
- Eu estou, um pouco - ele disse, aproximando seus lábios da maçã do meu rosto e beijando de leve - Eu gosto de você.
- Está me ajudando então por segundas intenções? - perguntei, irada.
Me afastei dele, sentindo a raiva me consumir. Ele me fitou, sem se abalar.
- Estou ajudando, pois você é nossa esperança de um futuro melhor. Para salvar nosso povo - ele respondeu, sério, mas sorriu de novo, de forma ferina - Mas, também, quero você. Acho que esse é um m*l meu, desejar alguém que esteja mergulhado em dor e caos. Você é assim, Agnes. Puro caos e sofrimento. Aprecio isso.
O fitei com desdém.
- Eu não sinto nada por você Artie. Não serei um dos seus joguinhos - disse, em tom cortante.
- Vai desejar ser, quando perceber que Kaelus não esta de fato disponível para você - ele disse, se aproximando de mim, perigosamente. Queria contestar o que ele disse, sobre eu querer Kaelus. Eu não queria. Não queria ninguém. Mas, não disse nada. Apenas vi ele segurar meu queixo, com sua mão e me lançar um olhar desejoso - Posso dar a você tudo que ele não pode. O coração dele já pertence a outra pessoa. E eu posso ser inteiro seu.
Fiquei tentada em provar seus lábios, sua aparente humanidade. Mas, vi sua pele dourada, por trás do sortilégio, se eu prestasse a máxima atenção. Ele parecia reluzir uma luz e frescor, como se fosse um elfo da natureza. Ele era um bardo, é claro. Alguém que controlava a música e talvez, esse lado sedutor fosse próprio dele. Me afastei, empurrando-o pelo ombro.
- Não preciso de você ou de Kaelus - retruquei, cruzando os braços sobre o peito.
Ele mordeu os lábios, negando com a cabeça.
- Você não precisa de ninguém, princesa. Mas, eu sei que você já se apaixonou por Kaelus. Uma pena - ele disse, com um tom ardiloso.
Entrei na sala, dando as costas para ele. Artie passou por mim, colocando a mão na base da minha cintura e beijando a minha têmpora.
- Quando se cansar dele, pense em mim. Eu nunca iria abandona-la, nem usa-la - ele sussurrou, em meu ouvido.
Me retrai, me afastando dele e fitando Kaelus, que parecia bem melhor. A garota de cabelo vermelho havia parado de sussurrar suas palavras estranhas e ajudou ele a ficar de pé. Ele se sentou no sofá, recostando a cabeça. A jovem sorriu para mim e se sentou na poltrona de Kaelus, como se estivesse em casa.
O cara de cabelo cor de areia nos fitou, com um olhar inquisitivo.
- Tem certeza que ela é a princesa, Artie? - perguntou, desconfiado, olhando para mim, de cima abaixo - Ela parece humana.
- É humana, mas por circunstância de sigilos feito logo no seu nascimento - ele esclareceu - O rei Norian queria proteger sua filha, mas parece que Kaelus a encontrou, mesmo assim.
- Ele é um traidor. Devia morrer - o cara de cabelo de areia vociferou - Devíamos leva-lo ao tribunal e julga-lo. Ele matou quatro humanos e colocou essa garota em risco. Ele está quebrando o juramento de não se revelar a humanos.
- Ele pode ser um traidor, mas esta cuidando da jovem com sua própria vida - Artie interveio. Fiquei agradecida por isso. Kaelus podia ter tentado me m***r, mas recuou no último instante. Eu acreditava que ele não queria fazer isso. Que ele estava do nosso lado - Deixe que seu castigo seja protege-la, Lorcan. Pode avisar o tribunal, mas deixe que ele posso se defender.
- Por que quer defende-lo? - ele perguntou, olhando para Kaelus, que estava deitado no sofá agora, com os olhos fechados e não parecia se importar com o julgamento severo - Ele é um traidor. Acha que vai realmente nos ajudar? Nós devíamos ficar com a suposta princesa e testar a veracidade disso, de que ela é a princesa Asha.
- Querem ficar na mira de Ária, boa sorte para vocês - escutei Kaelus dizer, em tom fraco.
O silêncio foi palpável, depois disso.
- Iremos observar o caso - Lorcan disse.
- E o que que quero não conta? - perguntei, em tom explosivo - Estou cansada de vocês decidiram o que eu vou fazer.
Kaelus suspirou, Lorcan pareceu ignorar o que disse e a ruiva apenas me fitou com tristeza. Artie se aproximou de mim, encurtando o espaço e colocou a mão no meu ombro.
- Agnes, é melhor não ficar sozinha, nem tomar decisões por agora - ele disse, me apertando contra seu corpo - Eu sei que esta sendo difícil, um mundo novo como esse. Mas, tente entender que isso é somente para ajuda-la a voltar para seu reino de origem.
Ele beijou meus cabelos e me senti mais calma. Era como se seu toque fosse calmante. Repousei sobre seu abraço e baixei minhas defesas. Estava tão cansada de lutar e me tornar forte, que me deixei embalar pelo abraço dele. Me escondi do olhar investigativo de Lorcan e me protegi nos braços de Artie. Ele podia ser um i****a as vezes, mas era meu único amigo agora. E único que me tratou com gentileza.