Pré-visualização gratuita Capítulo 1
O despertador tocou às seis e quarenta da manhã, mas, como sempre, eu já estava parcialmente acordada alguns minutos antes. O sol ainda m*l tocava o horizonte, e a luz que entrava pela fresta da cortina dourada do meu quarto iluminava as paredes com tons suaves de âmbar. Suspirei, espreguicei-me e me sentei na cama, observando por alguns segundos o mundo silencioso lá fora.
Eu sou Elisa Carvalho, e posso admitir, gosto da vida do jeito que ela parece ser perfeita de fora, mesmo sabendo que nem tudo é tão simples. Acordar cedo, tomar meu café da manhã, organizar a mochila, checar mensagens cada detalhe da minha rotina me dá a sensação de controle, mesmo que, às vezes, a vida queira me surpreender.
Levantei-me e caminhei até o closet, que mais parecia uma pequena boutique particular. Hoje, queria algo que refletisse meu humor equilibrado: elegante, mas sem esforço exagerado. Escolhi uma blusa branca de seda, de mangas longas levemente bufantes, combinada com uma saia lápis azul-marinho que chegava pouco acima dos joelhos. Nos pés, optei por sapatilhas nude, discretas, mas sofisticadas. Completei o look com alguns acessórios: um colar delicado de ouro com pingente de coração, e um relógio fino de pulseira marrom. Cada detalhe era pensado, porque gosto de sentir que posso controlar ao menos minha própria imagem.
Segui para o banheiro e comecei minha maquiagem, que era sempre natural, mas destacava meus traços favoritos. Comecei com uma base leve, suficiente para uniformizar a pele, seguida de um ** translúcido, para não brilhar demais. Delicadamente, apliquei blush pêssego nas maçãs do rosto, realçando meu tom de pele clara com algumas sardas. Nos olhos, um sombra marrom suave, delineador fino e máscara de cílios para abrir o olhar. Nos lábios, um batom nude levemente rosado, que combinava com minha personalidade discreta, porém confiante.
Enquanto me arrumava, observei meu reflexo no espelho e sorri levemente. Não era apenas vaidade; era consciência de quem eu era, de como queria ser percebida. Eu era linda, sim, mas também determinada e observadora, qualidades que nem todos notavam à primeira vista.
Depois de terminar, desci para a cozinha. Minha mãe ainda não tinha saído para o trabalho, e o silêncio da casa era reconfortante. Preparei meu café com leite, coloquei uma fatia de pão integral na torradeira e, enquanto esperava, olhei pela janela. A cidade começava a acordar devagar: algumas pessoas caminhando para o trabalho, o cheiro do pão fresco vindo da padaria da esquina, os carros passando lentamente. Tudo parecia tão normal… tão previsível.
Ao sentar-me para tomar meu café, comecei a pensar no dia que me esperava. Aula de manhã, estágio no pequeno ateliê de design à tarde, algumas tarefas de casa, e, provavelmente, alguns encontros inesperados — embora eu ainda não soubesse de quem ou de que forma. Mas havia algo na sensação de expectativa, aquela pontinha de curiosidade no peito, que me lembrava que cada dia poderia ser o início de algo diferente, mesmo quando parecia comum.
Depois de me alimentar e arrumar a cozinha, subi novamente para o quarto para pegar minha bolsa. Olhei mais uma vez no espelho, ajeitei uma mecha de cabelo e senti aquela mistura de ansiedade e animação que surge quando você não sabe exatamente o que o dia reserva, mas tem a sensação de que algo vai mudar.
Enquanto caminhava para a porta de saída, meu olhar se perdeu no jardim da frente. As flores estavam frescas da noite, o cheiro de terra molhada ainda pairava no ar. Sorri sozinha, respirando fundo. Pequenos detalhes, pensei, são capazes de transformar qualquer rotina em algo memorável.
E, sem saber ainda, naquele instante, algo estava prestes a acontecer que tornaria qualquer dia comum… absolutamente inesquecível.
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Perfeito! Vamos continuar o Capítulo 1, expandindo mais 900 palavras, mantendo Elisa como narradora, mostrando seu dia, rotina, personalidade e o primeiro vislumbre de Josué, de forma sutil, natural e intrigante.
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Saí de casa com a bolsa pendurada no ombro e a sensação de leveza misturada à expectativa. O caminho até a escola era curto, mas sempre gostava de caminhar devagar, absorvendo cada detalhe da rua: a padaria com o cheiro de pão recém-assado, a senhora que varria a calçada com cuidado, o barulho suave do vento balançando as árvores. Eu adorava essas pequenas coisas — para mim, elas eram como pequenas peças de um quadro que contava a história de cada dia.
Chegando à escola, a rotina começou a se desenrolar como um relógio bem ajustado. Cumprimentei as amigas no portão, sorri para alguns professores e senti aquela familiar mistura de ansiedade e conforto que só os primeiros minutos em um lugar conhecido proporcionam. Sentei-me na minha sala, organizando meu material antes que a aula começasse, e observei os colegas. Alguns falavam animadamente sobre provas, outros ainda pareciam sonolentos. Eu, como sempre, tentava manter a atenção, mas meu pensamento divagava sobre coisas pequenas: um novo tom de sombra que queria testar, a cor que queria para o próximo esboço de pintura, ou apenas o quanto gostava de sentir que tudo estava sob meu controle.
A primeira aula passou rapidamente, entre cadernos e lápis de cor, notas e explicações da professora. Ainda assim, algo em meu coração me dizia que o dia não seria completamente comum. Talvez fosse apenas intuição, mas havia um friozinho de expectativa que eu não conseguia ignorar.
No intervalo, caminhei até o pátio, onde o sol começava a aquecer levemente o espaço, iluminando o concreto e deixando tudo com uma cor dourada. Foi quando o vi pela primeira vez, sem que tivesse qualquer intenção de olhar. Ele estava encostado perto do mural de avisos, conversando com um grupo pequeno de colegas, rindo levemente. Não era apenas sua aparência que chamava atenção — embora fosse impossível não notar os cabelos escuros e os olhos intensos —, mas havia algo em sua postura, na forma como se mantinha, que o fazia parecer diferente de todos os outros.
Não sei dizer exatamente o que senti naquele instante. Foi como se um detalhe no mundo tivesse mudado, imperceptível, quase sutil. E, por algum motivo, meu coração deu um leve salto, sem que eu compreendesse por quê.
Decidi me aproximar da mesa onde minhas amigas conversavam, tentando ignorar o que meu olhar teimava em acompanhar. Mas minha mente continuava a revisitar a imagem dele, analisando cada gesto, cada sorriso que lançava para os amigos. Ele parecia calmo, confiante, mas não arrogante — uma diferença sutil que despertou minha curiosidade imediatamente.
As horas seguintes se passaram entre aulas de desenho, teoria das cores e práticas de design digital. Eu me mantinha concentrada, mas não conseguia apagar a presença dele da minha mente. Cada vez que eu levantava os olhos, de relance, parecia que ele estava ali, ou pelo menos a lembrança de seu rosto permanecia.
Quando o sinal do almoço finalmente tocou, saí da sala apressada, ansiosa por aquele momento de pausa. Decidi comer no jardim da escola, um local que sempre me trouxe tranquilidade. Sentei-me em um banco sob a sombra de uma árvore frondosa, tirando da bolsa meu lanche cuidadosamente preparado. Pão integral, queijo fresco e algumas frutas simples, mas suficiente para me dar energia.
Enquanto mordia uma maçã, senti um movimento próximo. Olhei de relance e percebi que ele se aproximava, sozinho. Meu coração acelerou sem que eu pudesse controlar, mas mantive a postura tranquila. Ele parou a alguns metros, parecendo hesitar por um instante, antes de se sentar em um banco próximo. Não houve palavras imediatas, apenas uma distância respeitosa entre nós, e eu percebi que estava consciente de cada detalhe: a forma como ele ajeitou a mochila, o leve sorriso que surgiu quando percebeu que eu o observava.
Foi um momento estranho e silencioso. Não nos apresentamos, não houve conversa, mas havia algo no ar — uma energia tênue e inesperada que fez meu coração bater mais rápido. Não era amor à primeira vista, certamente, mas uma espécie de reconhecimento, de curiosidade mútua que não podia ser ignorada.
Passei o resto do almoço tentando me concentrar na minha comida, mas minha mente continuava a voltar a ele. Quem era? O que estudava? Por que parecia tão familiar, mesmo sem nunca termos nos falado? São perguntas que eu sabia que provavelmente não teriam resposta imediata, mas que, de alguma forma, me deixavam animada.
Depois do intervalo, tivemos mais uma aula de artes, prática de desenho ao ar livre. Enquanto eu esboçava a paisagem do jardim, ele apareceu novamente, desta vez um pouco mais próximo, apoiando-se no corrimão da escada que dava para o pátio. Eu tentei me concentrar no traço do lápis, mas minha visão o acompanhava discretamente. Ele parecia atento a algo, talvez a um detalhe do ambiente, ou talvez apenas perdido em pensamentos.
Quando finalmente nos encontramos olhando diretamente, senti meu rosto aquecer. Ele desviou o olhar rapidamente, mas não antes de um breve encontro de olhares que me deixou estranhamente elétrica. Era como se a vida tivesse colocado ali, naquele banco, naquele jardim, alguém que mudaria algo, sem que eu soubesse ainda o quê.
O restante da tarde passou entre trabalhos de design, pequenas conversas com colegas e a constante sensação de que meu dia tinha mudado. Cada som parecia mais claro, cada detalhe mais intenso. Eu sabia que não se tratava de uma paixão instantânea — era algo mais sutil, como uma faísca acesa pela curiosidade e pela energia que ele transmitia sem perceber.
Ao voltar para casa, o sol já começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. Caminhei lentamente, refletindo sobre o dia. Algo me dizia que aquele jovem, Josué Martins, não era apenas mais um estudante da escola. Havia algo nele que despertava minha atenção de maneira que eu não conseguia explicar, algo que não tinha relação apenas com sua aparência ou presença.
Chegando em casa, respirei fundo e senti uma mistura de cansaço e excitação. A rotina havia sido normal, mas havia acontecido algo diferente. Um encontro silencioso, um olhar compartilhado, um instante que parecia simples, mas que carregava consigo uma estranha promessa.
Enquanto me preparava para jantar, ainda refletindo sobre os acontecimentos do dia, percebi que uma nova curiosidade havia surgido em mim. Quem era realmente Josué? Por que parecia tão familiar e, ao mesmo tempo, tão distante?
Deitei-me mais tarde naquela noite, o corpo cansado, mas a mente inquieta.