A vida não me deixa esquecer quem eu sou, por mais que eu tente construir um caminho diferente. E naquela semana, quando tudo parecia estar indo bem demais, a quebrada resolveu me lembrar que o morro é meu, sim, mas só se eu souber manter ele sob rédea curta. Tudo começou quando o Rick me ligou. A voz dele já veio seca no celular, sem o tom brincalhão de sempre: — Dante… tem m***a rolando aqui. — Que tipo de m***a? — perguntei, já me levantando da cadeira da loja, indo pro fundo, longe da clientela. — Tiro pra cima, um moleque nosso baleado, e tão vendendo pedra que não é nossa. Meus olhos gelaram na hora. Fechei o punho, respirei fundo e respondi, sem pestanejar: — Tranca tudo. Segura geral. Tô subindo agora. A loja já tava fechando mesmo, final de tarde. Entrei na caminhonete, dir

