Os dias que vieram depois daquela noite foram diferentes. Mais leves. Mais intensos. Mais... vivos. Ayla e eu começamos a nos ver com mais frequência. A desculpa era sempre uma mensagem boba, um “tô passando perto da loja” ou “sabe aquele vinho que você me prometeu?”. Mas a verdade é que a gente queria se ver. Sentir o outro. Ter aquele espaço de paz no meio da bagunça que era o mundo real. No morro, a rotina seguia — e seguia pesada. Neguinho, Rick e Diguinho estavam mais próximos do que nunca. Depois da treta com a Pedreira e da pancada que a gente levou nas costas, o esquema apertou. Eu voltei a colar quase todos os dias, fazendo a ronda, conferindo a contabilidade com o moleque que agora também virava planilha na loja de carros. Ele tava estudando contabilidade mesmo. Nunca imaginei

