Fiquei ali com a cabeça dela encostada no meu ombro, o som da respiração dela misturado com o barulho baixinho da TV que a gente nem tava prestando atenção. Vênus, esparramado no chão, já tava num cochilo gostoso. Eu tava inquieto por dentro, mas tranquilo por fora — tipo quando o coração tá correndo uma maratona, mas o corpo tá sentado, disfarçando. Aí, do nada, deixei escapar: — Ayla… quanto tempo você tá solteira? Ela deu uma risadinha baixa, sem se mexer do meu ombro. — Que tipo de pergunta é essa? — disse com aquela voz suave, meio debochada. — Ué, normal… tô aqui, te conhecendo, tentando entender quem é você além do avental, do strogonoff e desse cabelo loiro que nem dá pra prender. Ela levantou a cabeça devagar, me olhando com aquela expressão que mistura surpresa e diversão.

