A manhã tinha um brilho quase irreal. A cortina deixava entrar apenas um feixe de luz dourada, que atravessava o quarto e desenhava formas suaves sobre a parede. Julie piscou lentamente, como quem desperta de um sonho que gostaria de prolongar. O lençol ainda guardava o calor da noite anterior, e nela permanecia uma sensação inédita: não de culpa, não de medo, mas de completude. O corpo inteiro guardava marcas sutis da entrega — músculos relaxados, um leve cansaço prazeroso, a pele ainda sensível ao menor sopro de ar. Não eram marcas de prisão. Eram marcas de liberdade. Pela primeira vez, ela sentia o peso do passado cedendo, como se as asas da borboleta tatuada em seu pulso se agitassem de verdade, prontas para o voo. Passou a ponta dos dedos sobre a tatuagem. O traço parecia arder, com

