Acordo encharcada!
Depois que Thiago foi embora ontem, quem teve que tomar um banho gelado fui eu. Agora, pela manhã, estou indo para mais um banho, já que tive um sonho quente, muito, muito quente.
Thiago é lindo, tem um jeito de quem sabe o que está fazendo. Porém, não iria me entregar ontem. Não tenho nenhum objetivo específico em relação a isso, mas quero que seja especial, que no outro dia eu não seja descartada...
Termino meu banho, faço minha higiene e vou tomar meu café da manhã. Vinte minutos para as oito, saio para o serviço. Chego no horário habitual e faço o que preciso.
Como de costume, às oito em ponto ele chega, com um sorriso de lado no rosto.
— Bom dia, Heloísa!
— Senhor Nunes, bom dia.
Ele vai para sua sala, e eu busco seu café, pego meu caderno e uma pasta e bato na porta.
— Entre.
— Aqui está seu café, e aqui estão as fotos das modelos para o senhor analisar.
Digo entregando a pasta para ele.
— Ótimo. Ligue para Carolina, consultora de imagem da empresa. Ela vai estar presente aqui nas escolhas.
— Certo. Os compromissos de hoje são esses. Apenas alguns papéis que vou analisar e trazer para o senhor. Os italianos pediram um horário para conhecer seu catálogo, e consegui para a semana após a viagem.
— Perfeito. Bom, espero a Carolina na sala de reuniões para vermos as modelos.
— Chamarei ela.
Me levanto.
— Dormiu bem esta noite, Heloísa?
Olho para ele, que está com cara de quem sabe exatamente os sonhos que tive.
— Sim, dormi. Muito bem, para falar a verdade. E o senhor?
— Gostaria de não ter dormido, mas, como não foi possível, tive bons sonhos...
— Que bom que teve um bom descanso...
Ele vai se aproximando; eu vou dando passos para trás...
— Aceita um jantar comigo hoje?
— Eu... eu... argh... Eu não sei se seria uma boa ideia.
— Não sou uma boa companhia?
— É, sim. Apenas não sei se eu poderia fazer aquilo que o senhor quer.
Meu telefone começa a tocar, e saio de sua sala o mais rápido possível.
Atendo, depois ligo para Carolina e começo a analisar os papéis que Thiago precisa assinar.
Assim que termino, ele já está na sua sala. Já são quase onze horas da manhã. Bato na porta e aguardo ele avisar que posso entrar.
— Entre.
— Trouxe os papéis que o senhor precisa assinar. Já analisei, e está tudo em ordem.
— Ótimo. Sente-se, Heloísa.
Ele indica a cadeira, se levanta e busca um copo de bebida.
— Já analisei as modelos. A pasta está em cima da minha mesa, pode enviar para a agência.
— Claro, farei isso agora.
— Quero que aceite jantar comigo hoje, Heloísa.
— Senhor Nunes...
— Thiago...
Respiro fundo.
— Thiago, eu não sei se seria uma boa ideia...
— Por que não? Um jantar, Heloísa. Apenas um jantar.
— Ok. Eu aceito.
Ele abre um sorriso de orelha a orelha, como uma criança que ganha o que sempre pediu.
— Mas é apenas um jantar, Thiago. Agora, com licença, irei enviar as fotos para a agência.
Saio de sua sala sem ao menos lhe dar tempo de falar algo mais. Não sei por que aceitei esse jantar. Acabei de chegar à minha mesa e já estou arrependida.
O restante do dia passa voando. Às 16h, ele me liga e avisa que estou liberada e que passa para me buscar às 19h.
Pego minhas coisas e envio uma mensagem para Rebeca avisando que saí mais cedo. Ela sempre espera por mim; estamos construindo uma amizade muito legal.
Vou para casa e tomo um banho demorado. Escolho uma roupa e começo a me arrumar.
Às 19h, a campainha toca. Vou atender e encontro um Thiago lindo, em uma calça jeans escura e camisa social preta que marca todos os seus músculos.
Ele faz uma varredura pelo meu corpo e, pelo sorriso, estou aprovada. Estou usando um vestido verde, um pouco mais curto, manga longa e um decote um pouco mais ousado. Deixei o cabelo solto; apenas uma mecha ficou presa. Nos pés, uso um salto bege.
— Está linda.
— Obrigada. Você também não está nada mal...
— Aceitarei isso como um elogio. Vamos?
— Claro.
Pego minha bolsa, que combina com os sapatos, e saímos.
Thiago me trouxe a um restaurante lindo!
A meia-luz deixa o ambiente acolhedor e íntimo. Ele fala seu nome, e a hostess nos acompanha até a nossa mesa.
— Gostou do restaurante?
Ele pergunta, vendo-me observar o lugar.
— É maravilhoso, muito lindo.
— Faça a sua escolha.
Diz, indicando o cardápio. Quando olho, quase tenho um ataque: há pratos aqui que custam o meu salário.
— Thiago, você não precisava me trazer a um restaurante tão caro...
— Está tudo bem, Heloísa. Escolha o que quiser.
Ele pisca para mim.
— O que você sugere? Nunca fui a um restaurante assim...
Digo a última frase baixinho.
— Bucatini all’amatriciana. Tenho certeza de que vai amar.
O garçom chega, e ele faz o pedido do vinho e da comida. Assim que o garçom sai, ele fala...
— Me fale sobre você, Heloísa.
— Sobre mim? Minha vida é sem graça, Thiago. Passo a maior parte do dia no escritório, depois vou para casa e é isso.
— Tem quantos anos? 19?
— Errou. Tenho 18 anos.
— É daqui de São Paulo mesmo?
— Não. Moro aqui há pouco mais de três meses. Morava antes em uma cidade do interior de Santa Catarina.
— Veio sozinha?
— Eu sou sozinha há muito tempo. E é sozinha que sempre vivi. Mas isso é uma longa história, e é uma história que eu não gosto de reviver...
— Está bem. Respeito isso.
— Obrigada. E você, quem é o Thiago fora da empresa?
— Um cara muito chato.
— Mais chato? Impossível.
— Haha, engraçadinha. Com você eu nunca fui chato.
— Devo admitir: quando fui fazer minha entrevista, ouvi coisas horríveis, mas, no fim, nem era tudo aquilo. Era só um pouco.
Damos risadas e seguimos em um assunto leve e tranquilo.
O jantar chega, e comemos nossas comidas. Que delícia. Depois, fomos até seu carro. Ele abriu a porta para mim e seguiu caminho para o meu apartamento...