ÍNDIA 02

1284 Palavras
ÍNDIA NARRANDO (AYMÊ) 13 anos depois... Pela janela pequena que tenho nesse quarto, consigo ver a chuva cair do lado de fora, o barulho das gotas batendo no telhado me traz calmaria. Faltam duas semanas... duas semanas... duas malditas semanas. Por mais que eu tente evitar esse pensamento, ele parece ecoar dentro da minha cabeça. Cresci escutando que eu deveria ser a melhor em tudo. A melhor lutadora, a melhor atiradora, a melhor em torturas e a melhor da escola. Foi assim que eu cresci, não tive nenhum brinquedo por que não podia me distrair, no lugar de brinquedos tinha arma de fogo e duas luvas de boxe, não é normal você ver uma criança de 6 anos trocando uma boneca por uma pistola, mas foi assim que eu cresci e me tornei quem sou hoje. Sou fria e calculista, nada passa batido por mim. Meu nome só não foi esquecido porque é lembrado pelos meus pais, todos me chamam de índia desde o primeiro dia que coloquei meus pés aqui dentro. Tenho poucas lembranças da época do morro, mas das poucas boas lembranças que me restam eu ainda tenho ele em meus pensamentos. Um garoto mais alto, e também mais velho do que eu, me defendendo de duas meninas que tentaram me bater sem nenhum motivo plausível. Foi o ato mais gentil que alguém além dos meus pais fez por mim. me recordo das minhas amigas, correndo pelas ruas do morro, mas são memórias vagas, que me deixam com saudades de viver a minha infância novamente, foi a época que eu fui mais feliz, onde o choro era por um joelho ralado, e o sorriso era pela mãe deixando a gente brincar mais uma hora pelas ruas. Época que a única preocupação era se no dia seguinte se eu me comportasse poderia dormir na casa de uma amiga. Hoje a realidade é diferente. Brincadeira de rua aqui no treinamento da CV é uma invasão com tiros que podem te matar, o choro do joelho ralado virou choro de um braço baleado e o sorriso esse só nasce na boca do cobra ao ver que passei em mais uma prova de resistência. dormir na casa de uma amiga virou dormir uma semana dentro de um quarto abafado no centro de treinamento, passar uma semana sem ver e sem falar com os meus pais, e sentir que a minha casa é bem mais aconchegante do que a casa de qualquer amiga que eu poderia ter. - ae índia vai começar - cabuloso fala entrando no quarto, pego o fuzil e o colete vou até ele - cobra deve tá se divertindo com essa p***a de me deixar acordada nas madrugadas ainda mais com essa chuva - falo séria com ele que n**a - tu é a melhor daqui, mais elogiada pelo chefe e tá reclamando? - essa pørra de elogio não me serve de nada cabuloso - falo saindo dali indo pra mata. Aqui tem vários dos nossos, maioria aqui já é do morro, só eu que não vivo no morro, mas vivo para o morro, m*l entrei na mata e já tentaram me passar, só escutei o tiro e me joguei no chão na hora - tá bem índia? - cabuloso me pergunta - tô bem achando que o filho da p**a do cobra tá querendo me matar nesse c*****o, deve ter achado outra b***a pra treinar nessa p***a - falo me levantando e metendo bala em quem quer que esteja atirando, aqui a gente vem como se fosse vida real mesmo, eles pegam inimigos, x9 e põem aqui dentro, tem câmera pra todo lado e um painel em cada árvore indicando quantos inimigos tem pra matar, parece mais um jogo de sobrevivência onde o prêmio é ficar vivo. treinei 2 horas ali com os meninos, sou somente eu de mulher, e sou melhor do que todos eles juntos, termino de matar o último filho da p**a e vou até a câmera. - satisfeito com o trabalho? - pode melhorar, sei do teu potencial - escuto a voz dele, as câmeras daqui é aquelas mais modernas onde ele escuta e eu posso escuta-lo também - tá liberada, pode ir ver seus pais, semana que vem é a última prova de resistência, depois disso você vai pro morro. - ele fala tudo na lata, saio dali já com cabeça a mil, não conheço o alfa e se pudesse não queria conhecer também, sigo ele nas redes sociais ele não posta o rosto dele e muito menos a voz, mas sei que é moreno e tem tatuagem por que sempre que ele tá em social com os parceiros dele ele posta as pütas rebolando no paü dele, deixando sempre um pedaço do seu corpo a mostra. Pego minha mochila e saio da base, são 3:00 da madrugada, passei por mais uma semana nesse inferno, falta pouco pra isso acabar, aqui é pior do que está na cadeia na moral, comida daqui parece uma lavagem de tão r**m que é, aqui eu sempre falo pros meus pais é uma preparação pra nunca ir preso por que não tem lógica. teve uma vez que mandaram duas mulheres de madrugada um frio da p***a, me tiraram de dentro do quarto e me colocaram no relento, e passaram a madrugada inteira jogando água fria no meu corpo, só parava de jogar pra me bater, meus pais nem sonha um trem desse, mas esse dia eu fiquei bem perto de morrer, adoeci peguei uma gripe do cão, junto com febre e uma dor de cabeça, e todos os dias tinha que passar pelo treinamento. Um verdadeiro inferno, enfrentei desafios que eu duvido que esse mulherengo do alfa conseguiria passar. Chego em casa e o snup já vem me encontrar, faço um carinho nele e entro pra dentro, são 5 da manhã, meus pais estão dormindo, e eu vou fazer o mesmo tô cansada demais. { . . . . . } Acordo com o barulho da cozinha, me levanto sem fazer barulho e vejo a minha mãe ali já organizando o almoço, chego por traz dela e dou um abraço - bom dia minha princesa - falo pra ela que se vira sorrindo - minha filha - ela me abraça bem apertado quase tirando o meu ar - que horas você chegou menina? - era umas 5 já cheguei dormindo, e agora tô com uma fome que comeria um elefante - falo sorrindo e ela já traz um café caprichado - esse povo não dá uma comida que preste né? - ela já pergunta bolada - ali nem eles prestam mãe, quem dirá a comida - falo e já começo atacar tudo que está na minha frente - cadê o pai? - foi fazer uma ligação - confirmo - essa vai ser minha última semana de treinamento - falo e ela fica séria - vamos pro morro no dia do meu aniversário, cobra já passou a visão de tudo - falo e ela n**a - eu não quero você nisso - tarde demais mãe, tô nisso desde menor, agora não tem como voltar atrás, e você e o papai não tente fazer nada, cobra parece ser passivo mas é um assassino que mata sem ter muito motivo, e vocês são tudo que eu tenho - falo e ela respira fundo e em silêncio ela volta a cozinhar, eu sei de muita coisa, e principalmente que eles pensam que comando esqueceu da promessa, o comando não esquece das promessas, e se tentar contraria-los não tem nem a chance de ver o sol no outro dia. .... Não esqueça de adicionar na biblioteca. para falar diretamente comigo, só me chamar no ïnstagram @aut.rafaela
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