- Tudo bem, eu já estava de saída. Falei um pouco mole.
Peguei o meu salto e me levantei, o que piorou pois levantei muito rápido, eu acabei cambaleando e o moço com suas mãos bem firmes me segurou.
- Ei, quer ajuda para sentar em algum lugar?
- Não, eu... Eu consigo ir sozinha.
Na verdade, eu m*l conseguia falar.
- Tem certeza? Ele insistiu.
- Eu tenho! Falei o empurrando de leve para ter acesso ao salão novamente.
Mas acabei quase caindo de novo.
A Bianca estava certa, essa bebida é forte.
O garçom passou com uma bandeja cheia em minha frente, bem... Pelo que puder ver, a cozinha era perto do banheiro.
Peguei mais um copo, mesmo não me aguentando em pé.
Senti uma mão em minha cintura e logo um sussurro me tirou o restante de consciência que eu ainda tinha:
- Tem certeza? Se você virar essa, vai cair e ser pisoteada.
Eu tomei a bebida de uma vez só e me virei pro moço anônimo dizendo:
- Como tem tanta certeza? Tô vivinha, ó.
Dei uma balançada no ritmo da música que estava tocando e animando a todos.
Logo em seguida dei um meio sorriso desafiador.
- Percebi que gosta do perigo, não é mesmo?
Ele disse num tom mais rouco ainda, suas mãos ainda estavam em minha cintura, eu ainda segurava o meu salto e na outra mão o copo de bebida.
- Eu adoro! Sussurrei perto de sua orelha, tive que ficar praticamente na ponta do pé, é claro.
Nossos rostos estavam bem pertos um do outro, passei um de meus braços em volta do seu pescoço e quando eu ia beijar o cara, acabei vomitando na roupa dele.
- Caraca, não podia ter virado? Ele falou furioso.
Tudo o que eu consegui fazer foi dar risada.
- Isso não tem graça, irá pagar por isso.
Ele disse entrando novamente no banheiro.
Eu m*l sabia onde estava, parecia que tinham mais pessoas ou será que eu estava vendo todos duplicados?
Fui caminhando até um sofá próximo eu me lembro de ter largado o copo no caminho e ter encontrado o João com uma garota no sofá, depois disso, eu me joguei no colo do João mesmo com a garota do lado e tudo se escureceu.
***
- Ai! Abri os meus olhos lentamente e totalmente arrependida.
Se não me engano, fiquei uns 4 minutos lutando contra a luz que batia em meu rosto, a dor de cabeça não colaborava.
Quando abri os meus olhos por completo, olhei ao meu redor e avistei o quarto da Bianca, como eu havia parado aqui? Perguntei a mim mesma.
Mal conseguia me levantar, a minha v*****e era de ficar deitada ali o dia todo.
Olhei para a cômoda ao lado da cama e avistei um remédio e um copo d'água.
Sorri, a Bianca era um amor.
Tomei o mesmo e esperei uns 30 minutos deitada até que a dor aliviasse pelo menos um pouco.
Me levantei e me deparei com algumas roupas, produtos higiene e uma toalha, Bianca havia separado para mim.
Com uma amiga dessas, preciso de mais nada, ela me conhece bem e sabe que sou fraca em bebidas.
E de compensação, eu não me recordava de nada, absolutamente nada depois que bebi.
*Gus
Acordei na manhã seguinte com um cheiro h******l, olhei para a minha roupa e ela estava num estado grave.
- Ótimo! Alguém vomitou em mim.
Logo em seguida, murmurei de dor de cabeça e fui direto pro banho.
Eu já estava acostumado com a ressaca, era todo fim de semana uma festa diferente, eu adorava essa vida.
Mas, uma coisa que me intrigou, foi o fato de eu não conseguir me lembrar direito dos meus últimos momentos naquela festa, como por exemplo, quem me sujou.
Joguei as minhas roupas na máquina de lavar e logo em seguida o meu celular começou a tocar.
*Ligação:
- Gus?
- Oi, bi, o que manda? Falei me deitando no sofá da sala.
- Aconteceu um imprevisto com a firma que contratei para limpar o salão de festas e sobrou tudo pra mim, você pode me ajudar a arrumar as coisas?
- Ah, Bianca, sério? Limpar salão de ressaca?
- Tu já tá acostumado, pare de drama.
- Tá bom, chego aí na sua casa em 10 minutos.
- Ok. Trás o João, ele está te esperando.
- Fechou, até.
Fim da chamada*
Respirei fundo e fui logo trocar de roupa, hoje o dia seria longo.
*Lua
- Bom dia, amigaaaaaa. Dei um grito meio baixo, sim, é possível gritar baixo (risos).
Bi: Bom diaaaaaa, tomou o remédio que te deixei, né? Nem parece que tá de ressaca.
Soltei uma gargalhada.
- Tomei sim, aliás, agradeço por ter cuidado de mim.
Bi: Mais do que o meu dever, aliás, sou a mais velha.
Revirei os meus olhos e disse:
- É mesmo, tô vendo até os cabelos brancos, sua idosa.
Caímos na risada.
- Bi, uma pergunta que não quer calar é, como eu vim parar aqui e se o carro da minha mãe tá vivo.
Ela deu risada do jeito em que eu havia falado e disse:
- João não bebeu tanto assim, então trouxe eu e você no carro do Gustavo que também estava loucão, então ele teve que carregar o bebê gigante e o seu carro está no salão ainda.
- Nossa, falando em Gustavo, eu nem vi ele ontem.
Bi: Não? Ela disse surpresa.
- Não, tinha muita gente, sem falar que perdi a maior parte de minha memória.
Bi: Amiga, então, ocorreu um problema com a empresa de limpeza que eu havia contratado e sobrou para nós limparmos a festa, eu chamei o Gustavo, se importa? Caso sim, eu ligo pra ele agora mesmo e...
A interrompi e disse:
- Por favor, né, Bi, já foi, é passado, foi há 6 anos atrás, eu tô bem, pode ficar tranquila, uma hora ou outra a gente iria se barrar por aí, sem falar, que não o conheço mais, creio que ele mudou muito, virou um homem.
Bi: Sim, ele mudou e muito mesmo, ficou pior do que era no ensino médio, é mulher pra tudo que é lado, vive em festas com o João, a dupla do terrorismo, e Kevin estava metido nessa também, mas, a pescadora aqui conseguiu pegar o peixe.
Ela disse toda empolgada e no mesmo instante a campainha tocou.
Eram eles...