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1203 Palavras
Minutos depois O clima mudou na hora. O quarto parecia menor. Mais quente. Mais perigoso. Penélope ainda estava encostada na parede, taça de vinho na mão, mas o sorriso tinha sumido um pouco. Não por culpa… por cálculo. Ela sabia exatamente o que aquela pergunta significava. Eu dei um passo à frente. — O que você fez fora daqui? Alan cruzou os braços. — Aonde você estava? Dante já estava com aquele olhar fechado, o tipo que não perdoa resposta vaga. Liam não falou nada… mas o silêncio dele era pressão suficiente pra quebrar qualquer um. Ela respirou fundo. — Buenos Aires. — Tá. — eu cortei rápido. — E? Ela deu de ombros. — Visitei uns primos. Meu pai me apresentou um empresário lá… foi só isso. Eu ri sem humor nenhum. — “Só isso”? Dante deu um passo. — Penélope… Ela levantou a mão na hora. — O quê? Vocês queriam transparência, tô sendo transparente. Alan apontou pra ela. — Não tá. Silêncio. Ela ficou parada, encarando a gente como se estivesse decidindo até onde ia ceder. Liam foi o primeiro a falar baixo: — O que você tá omitindo? Isso acertou. Eu vi. O leve tensionar do maxilar dela. O jeito que os dedos apertaram a taça por um segundo a mais. Ela desviou o olhar. Só por meio segundo. Mas foi o bastante. Eu já estava na frente dela de novo. — Penélope. Ela suspirou, cansada… ou fingindo. — Vocês são insuportáveis. — Responde. — Dante falou firme. Ela riu de leve, mas sem alegria. — Eu não tenho nada pra esconder. Alan soltou uma risada curta. — Mentira. Silêncio pesado de novo. E dessa vez… ela não respondeu na hora. Isso foi pior que qualquer confissão. Eu encostei mais perto, abaixando a voz. — Você voltou diferente. Ela finalmente me olhou. — Eu sempre volto igual. Liam se aproximou também. — Não. Ela engoliu seco. E ali… o caos dela falhou por um segundo. Só um. Mas eu vi. Ela baixou a taça devagar e passou por nós, indo até a janela. — Meu pai me colocou em reuniões que eu não pedi — ela disse por fim. — Empresário, contrato, essas coisas. Dante não acreditou nem por um segundo. — E você acha que isso explica três meses sumida? Ela virou rápido. — Eu precisava de espaço. Eu ri, agora sem controle. — Espaço? Alan apontou pra ela. — Você some sem falar nada, Penélope. Ela ergueu o queixo. — Porque quando eu falo, vocês vão atrás. Silêncio. Porque era verdade. E isso deixava tudo pior. Liam falou baixo, perigoso: — Então você foge da gente. Ela abriu a boca… mas não respondeu. Eu vi. De novo. E agora não era só tensão. Era algo escondido. Algo que ela não queria nomear. Eu cheguei mais perto. — Tem alguém lá. Ela travou. Só um segundo. Mas travou. Dante viu também. Alan viu. Liam também. O quarto inteiro ficou pesado. — Penélope… — eu falei mais baixo. Ela respirou fundo. — Não. Mas foi fraco. E quando ela diz “não” fraco… significa sim. Silêncio absoluto. Eu encarei ela. — Você não ficou com ninguém. Ela desviou o olhar. — Quase não é ficar. Dante soltou um “c*****o” baixo, passando a mão na cabeça. Alan riu sem humor nenhum. — Tá me tirando, né? Ela virou rápido. — Ei, relaxa! Eu falei quase, não falei que fiquei! Eu dei um passo. — Aonde você tava, Penélope? Ela ficou em silêncio por um segundo longo demais. E então falou, mais baixo: — Estava em Buenos Aires… visitando meus primos. Mas ninguém mais estava ouvindo isso. Porque agora a pergunta era outra. Quem estava com ela lá. E por que ela não estava dizendo. Entao O ar mudou na hora. Não era mais só tensão. Era limite. Penélope largou a taça na mesa com força suficiente pra fazer o vidro bater e girou de frente pra nós, os olhos verdes agora acesos de irritação real. — Eu estava chateada com vocês. Queria ficar longe. Eu dei uma risada curta, sem humor. — Ah, então ia pra cama de outro e? Foi automático. Raiva. Ciúme. Controle perdido. Mas eu vi o efeito na hora. O olhar dela endureceu. — Ei. A voz dela cortou o quarto. Fina. Direta. Perigosa do jeito dela. — Baixa o tom pra falar comigo. Silêncio. Alan passou a mão no rosto, já percebendo que a linha tinha sido cruzada dos dois lados. Dante ficou imóvel, mandíbula travada. Liam respirou fundo, mas não interrompeu. Eu ainda estava com o sangue quente. — Você some por três meses e volta dizendo “quase”— — Eu não quero brigar mais! — ela cortou, mais alto agora. — Vocês parecem que estão querendo isso p***a… que chatice! Silêncio pesado. Ela passou a mão no cabelo, frustrada, andando dois passos pelo quarto como se precisasse de espaço dentro do próprio caos. — Eu fui embora porque eu tava irritada, porque eu precisava respirar longe de vocês… longe dessa loucura toda! Ela virou pra gente de novo. — E vocês fazem o quê? Me recebem assim? Me interrogando como se eu fosse um problema? Dante deu um passo à frente. — Você some sem explicação, Penélope. — E vocês acham que eu não sei disso? — ela respondeu na hora. — Eu sei! Eu sei exatamente o que eu faço com vocês! Alan soltou um riso curto. — Então por que faz? Ela travou por meio segundo. Só meio segundo. Mas eu vi. E aquilo me atingiu mais forte do que qualquer resposta agressiva. Liam falou baixo, firme: — Você não respondeu a pergunta dele. Ela fechou os olhos por um instante. Respirou. Quando abriu, a voz saiu mais baixa… menos ataque, mais verdade. — Porque vocês me sufocam. Silêncio. — E eu não sei ser de outro jeito quando sinto isso. Isso quebrou o ritmo. Dante relaxou um pouco, mas ainda tenso. Alan desviou o olhar. Eu… fiquei olhando pra ela. Porque ali não tinha provocação. Nem jogo. Só ela. E o caos dela tentando não se afogar. Eu passei a mão no rosto, mais baixo agora: — A gente não quer te sufocar. Ela riu sem humor. — Mas sufoca. Silêncio longo. Liam se aproximou devagar. — E você acha que fugir resolve? Ela baixou o olhar. — Eu achei que sim. Eu dei um passo mais perto dela. — E resolveu? Ela ficou quieta. E a resposta veio sem palavras. Não resolveu. Só piorou tudo. Dante falou mais baixo: — Você acha que a gente ia deixar isso barato? Ela levantou os olhos. — Vocês nunca deixam nada barato. Alan cruzou os braços. — E você ainda volta do mesmo jeito… achando que pode apagar tudo. Ela abriu a boca… fechou. E dessa vez a voz saiu mais cansada: — Eu não sei fazer diferente com vocês. Silêncio. Eu cheguei mais perto, mais calmo agora. — Então não faz sozinha. Ela me olhou. E pela primeira vez naquela noite… não tinha guerra ali. Só confusão. Só ela… tentando não perder a gente enquanto tentava se proteger da gente ao mesmo tempo.
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