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1153 Palavras
Então Penélope falou como se fosse simples, como se estivesse organizando agenda… não mexendo com quatro homens no limite. — Então dessa vez vou avisar com antecedência. Vou passar só 15 dias aqui. Depois volto pra Buenos Aires. Meu pai me quer lá, passei umas semanas lá. Eu fiquei parado por um segundo. Só processando. Depois veio o resto. Raiva. Impulso. E aquela sensação r**m de perda antes mesmo de acontecer. Dante foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Quinze dias. Não era pergunta. Alan soltou uma risada incrédula. — Você tá falando isso como se fosse normal. Liam não olhava pra ela. Olhava pra um ponto qualquer, como se estivesse segurando alguma coisa por dentro pra não explodir. Eu dei um passo à frente. — Você acabou de voltar. Ela cruzou os braços. — E vou ficar quinze dias. — Não. — eu cortei na hora. Ela arqueou a sobrancelha. — “Não” o quê, Tyler? Eu passei a mão no rosto, já perdendo a paciência. — Não funciona assim. Ela soltou um riso curto. — Não funciona assim pra vocês. Dante se aproximou, voz baixa e dura: — Você some três meses, volta bagunçando tudo, e agora decide prazo? Ela levantou o queixo. — Eu tô avisando. Alan deu um passo pro lado, inquieto. — Avisando não muda nada. Liam finalmente falou, voz baixa, perigosa: — Você não decidiu isso com a gente. Ela virou pra ele. — Eu não preciso decidir tudo com vocês. Silêncio. Isso foi o estalo. Eu cheguei mais perto, a voz mais baixa agora, controlada à força: — Precisa sim quando envolve a gente. Ela piscou devagar. — “Envolve vocês”? Eu ri sem humor. — Você. Dante completou, firme: — A gente não é uma pausa da sua vida, Penélope. Alan passou a mão no cabelo. — Você não vai entrar e sair quando quiser como se a gente fosse… opcional. Aquilo bateu nela. Eu vi. Por um segundo, o olhar dela perdeu a provocação. Só um segundo. Depois voltou, mais defensiva. — Eu não tô fazendo isso por m*l. Liam deu um passo mais perto dela. — Mas tá fazendo. Silêncio de novo. Agora mais pesado. Mais real. Eu respirei fundo. — Quinze dias não vai acontecer. Ela me encarou. — Vai sim. Dante riu baixo, sem humor. — Você não entendeu ainda. Ela deu um passo à frente também. — O quê eu não entendi? Alan respondeu na hora: — Que você mexe com a gente. Ela abriu os braços, irritada agora de verdade: — E vocês acham que não mexem comigo?! Silêncio. Porque isso era verdade também. Ela respirou forte, passando a mão no cabelo. — Eu tô tentando manter tudo sob controle. Eu dei um sorriso mínimo, frio. — Controle? Ela me olhou. — É. Eu cheguei mais perto. — Você nunca teve controle disso. Ela ficou imóvel. Liam falou baixo, quase um aviso: — E quinze dias é uma decisão r**m. Ela olhou pra cada um de nós. Um por um. E o quarto inteiro parecia menor de novo. — Vocês vão me prender aqui agora? Dante respondeu sem hesitar: — Se precisar. O ar quebrou. Alan soltou um “c*****o” baixo. Liam fechou os olhos por um segundo. Eu não desviei o olhar dela. Porque a verdade era simples demais pra ser bonita: — Você volta… ou você some de novo… mas não vai mais ser do jeito que você decide sozinha. Penélope ficou em silêncio. E pela primeira vez… o caos dela não tinha resposta imediata. Só olhos verdes encarando quatro homens que não estavam mais fingindo que aquilo era leve. Entao O quarto ficou pesado de um jeito diferente. Não era só ciúme agora. Era ruptura. As palavras dela bateram no ar como vidro quebrando. — Então deixa eu ver se entendi… vocês estão me dando um ultimato, é isso? Eu ia responder, mas ela já estava acelerada. — Penélope… — Não! — ela cortou, a voz subindo. — Não, c*****o. Vocês estão mandando em mim, me exigindo não ir. Não é assim que funciona. Vocês sabem que eu tenho minha vida, minhas coisas pra resolver! Alan abriu a boca, mas ela não deixou. — Vocês também somem às vezes! “Trabalho”, “missão”, “negócio”… e eu aceito. Eu entendo. Mas quando sou eu, vocês querem botar bronca? Querem me culpar de bagunçar a vida de vocês? Dante deu um passo à frente. — Sim. Você bagunça. Silêncio. Isso foi direto. Cru. E eu vi o rosto dela mudar na hora. Ela ficou imóvel por meio segundo. Só meio. Depois veio o estalo. — Tá tudo bem — ela disse, a voz estranhamente baixa agora. — Então eu não vou mais bagunçar nada. Ela riu sem humor. — Tá resolvido. Eu senti o estômago apertar. — Penélope… Ela levantou a mão, interrompendo. E agora não tinha mais raiva. Tinha decisão. Fria. — A gente acaba tudo entre a gente de vez então. Silêncio. Não foi dramático. Foi pior. Foi simples. Alan foi o primeiro a reagir, dando um passo pra frente. — Você tá ouvindo o que tá dizendo? Liam já estava tenso, mandíbula travada. Dante não se mexeu, mas o olhar dele escureceu. Eu fiquei parado por um segundo. Porque aquilo não parecia ameaça. Parecia defesa. Eu dei um passo à frente. — Você não fala isso assim. Ela me olhou direto. — Falo. Silêncio. Eu respirei fundo. — Não depois de tudo. Ela deu um sorriso pequeno, quebrado. — Depois de tudo é exatamente por isso. Alan passou a mão no cabelo, nervoso. — Isso não é solução. — É pra vocês — ela respondeu. Dante soltou um riso baixo. — Você acha que a gente vai deixar você simplesmente ir embora? Ela abriu os braços, cansada. — Vocês já fazem isso quando querem. Liam falou baixo, perigoso: — Não é a mesma coisa. Ela olhou pra ele. E agora a voz dela saiu mais baixa também: — Pra mim é. Silêncio. Pesado. Real. Eu dei mais um passo. Agora mais calmo. — Você tá falando no impulso. Ela negou. — Tô falando porque eu tô cansada de brigar pra caber numa coisa que nunca encaixa direito. Aquilo bateu diferente. Porque não era sobre Buenos Aires. Não era sobre viagem. Era sobre nós. Eu cheguei mais perto. — Então você vai desistir da gente assim? Ela piscou. Só uma vez. E a voz saiu mais baixa ainda: — Vocês já desistiram de mim várias vezes… só que voltam depois. Silêncio absoluto. Liam fechou os olhos por um segundo. Dante passou a mão na mandíbula. Alan olhou pro chão. Eu fiquei encarando ela. E pela primeira vez naquela noite… não tinha mais grito. Só desgaste. Só verdade m*l resolvida. E ela ali no meio, pronta pra ir embora antes de ser deixada de novo.
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