Dias depois O salão estava cheio.
Luz baixa, música forte, gente demais, risadas demais… e ela no centro de tudo como se o caos tivesse escolhido forma humana.
Penélope.
Camiseta elegante demais pra alguém que claramente já tinha passado do limite do vinho há horas. Taça na mão, cabelo ruivo solto, olhos verdes brilhando daquele jeito perigoso de quem não pensa em amanhã.
Ela ria alto com as amigas.
Beijava o copo.
Rodava como se o mundo fosse dela — e naquele momento, parecia mesmo.
E o pior?
Ela ainda não tinha visto a gente.
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Do outro lado do salão.
Nós quatro.
Parados.
Tensos.
Observando.
Eu não tirava os olhos dela.
Alan já estava irritado.
Dante com aquela expressão fechada, mandíbula travada.
Liam quieto demais… o tipo de quieto que antecede problema.
— Ela tá bebendo demais — Alan murmurou.
— Ela sempre bebe demais quando quer esquecer alguma coisa — Dante respondeu.
Eu dei um passo pra frente, mas parei.
Porque ver ela assim… livre… e distante ao mesmo tempo… mexia com algo que nenhum de nós gostava de admitir.
Alan soltou um riso curto.
— Olha aquilo… ela tá se divertindo.
Silêncio.
Ele disse isso como se fosse simples.
Mas não era.
Porque “se divertir sem a gente” nunca foi simples pra nenhum de nós.
Liam falou baixo:
— Não é sobre o baile.
Eu olhei pra ele.
— É sobre ela não precisar da gente agora.
Isso acertou.
Dante passou a mão na nuca.
— Ou fingindo que não precisa.
Alan estreitou os olhos.
— Ela tá fazendo isso de propósito?
Eu respondi sem desviar dela:
— Não.
Pausa.
— Ela só tá tentando não pensar.
Silêncio.
E então aconteceu.
Ela virou.
Devagar.
Rindo ainda.
E olhou direto na nossa direção.
O riso morreu um pouco.
Só um pouco.
Mas suficiente.
Porque Penélope percebe tudo.
Ela não levantou imediatamente.
Só ficou nos encarando de longe.
Como se o mundo tivesse acabado de ficar mais pesado.
Alan soltou um “p***a” baixo.
Dante deu um passo inconsciente pra frente.
Liam respirou fundo.
E eu… só continuei olhando pra ela.
Porque ali, naquele segundo…
não era mais um baile.
Era um confronto silencioso entre o caos dela…
e o nosso.
Ela não se mexeu.
E isso foi pior do que qualquer reação.
Penélope ficou parada no meio do salão, taça na mão, o riso ainda preso no canto da boca… mas os olhos já tinham mudado.
O brilho leve virou leitura.
Perigo reconhecendo perigo.
Ela inclinou a cabeça de leve.
Como se estivesse avaliando a gente.
Um por um.
Alan foi o primeiro a quebrar o contato visual, passando a mão na mandíbula, irritado.
— Ela tá nos medindo… — ele murmurou.
— Ela sempre mede — Dante respondeu baixo.
Liam deu um passo mínimo pra frente.
Eu não me movi.
Porque ela ainda estava olhando pra mim.
E quando ela olha assim… não é saudade.
É cálculo.
Ela virou a taça devagar, tomou um gole longo demais pra quem já tinha bebido o suficiente, e finalmente sorriu de lado.
Só um canto da boca.
Como se tivesse decidido algo.
Alan franziu a testa.
— Isso não é bom…
Dante já estava mais rígido.
— Ela tá vindo.
E veio.
Sem pressa.
Sem hesitação.
Como se o salão abrisse espaço pra ela sem ninguém perceber.
O som pareceu diminuir ao redor quando ela se aproximou.
Ou talvez fosse só impressão nossa.
Penélope parou a um passo de distância.
Olhou pra cada um de nós de novo.
Mais perto agora.
Mais real.
— Vocês vieram me vigiar? — ela perguntou leve.
Mas não tinha leveza na voz.
Alan soltou um riso curto.
— Você sumiu.
Ela deu de ombros.
— Eu tô aqui.
Dante cruzou os braços.
— Não do jeito que a gente deixou.
Ela riu agora de verdade.
Mas pequena.
Controlada.
— Ah… então agora vocês “deixam”?
Silêncio.
Ela virou o olhar pra mim.
— Tyler…
Eu não respondi.
Ela fez o mesmo com Alan.
— Meu francês encantador…
Depois Dante.
— Meu bandido gostoso…
E por fim Liam.
— Meu coreano lindo…
Ela sorriu.
Mas agora era provocação.
Não carinho.
— Vocês estão muito tensos pra quem só veio me ver dançar.
Alan deu um passo.
— A gente não veio ver você dançar.
Ela inclinou a cabeça.
— Não?
Dante respondeu seco:
— A gente veio porque você sumiu de novo dentro do próprio caos.
Ela suspirou, como se aquilo fosse cansativo.
— Eu não sumi.
Eu finalmente falei:
— Você se escondeu.
Ela me encarou.
E por um segundo… o salão inteiro sumiu.
Só nós.
Ela chegou mais perto.
Baixou a voz:
— Eu não me escondo de vocês.
Liam respondeu baixo:
— Mas se afasta.
Silêncio.
Ela engoliu seco.
Pequeno.
Quase imperceptível.
Depois sorriu de novo.
Mas agora era defesa.
— Vocês não gostam quando eu tenho vida fora de vocês.
Alan riu sem humor.
— Não é isso.
— É sim — ela cortou.
Dante se aproximou mais.
— Não é controle.
Ela ergueu a sobrancelha.
— Parece muito controle.
Eu dei um passo também.
Agora estávamos todos próximos.
Demais.
E ela ainda não recuava.
Penélope olhou ao redor por um segundo, depois voltou pra nós.
A voz saiu baixa, firme:
— Eu não sou de vocês.
Silêncio.
Pesado.
Brutal.
Alan travou.
Dante ficou imóvel.
Liam fechou os olhos por um segundo.
Eu… só encarei ela.
E então ela completou, mais baixo ainda:
— Mas vocês também não são meus.
O ar parou.
E por um instante, o caos inteiro ficou em silêncio.
Antes de qualquer um responder…
ela virou a taça na mão, deu um sorriso pequeno e disse:
— Agora… vocês vão me deixar terminar minha noite ou vão continuar estragando ela?
E esperou.
Como se o mundo inteiro dependesse da resposta.
Horas depois O clima virou em segundos.
Os dois caras que tinham chegado perto dela nem tiveram tempo de entender direito o que estava acontecendo.
Dante e Liam já estavam lá.
— Vaza daqui agora, p***a — Liam falou baixo, firme.
Dante nem esperou resposta.
— Tá surdo?
Um dos caras riu, tentando bancar o esperto.
— Qual foi, mano—
Dante deu um passo à frente.
Só isso.
O suficiente.
— Vai encarar?
Silêncio.
O tipo de silêncio que responde sozinho.
Os dois recuaram e sumiram no meio da multidão sem mais coragem nenhuma.
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Penélope ficou parada.
Braços cruzados.
Bico irritado nos lábios.
— Vocês são irritantemente chatos.
Alan foi direto até ela, sem hesitar.
Passou a mão firme na cintura dela e a puxou pra perto, beijando o pescoço dela devagar, como se estivesse marcando território sem nem tentar disfarçar.
— E você é nossa, p***a — ele murmurou. — Para de testar nossa paciência.
Ela inclinou a cabeça de leve, sentindo, mas ainda com aquele sorriso provocador.
— Vocês gostam de me tentar, né?
Eu cheguei mais perto.
— Claro.
Dante segurou o queixo dela com dois dedos, fazendo ela olhar pra ele.
— Sabe o nome disso?
Ela arqueou a sobrancelha.
— Hum?
Ele respondeu sem desviar o olhar:
— t***o acumulado.
Silêncio curto.
Ela riu baixo.
Um riso lento.
Perigoso.
— Eu também.
Isso fez tudo ficar ainda mais perigoso.
Liam passou a mão no cabelo, já perdendo a paciência.
— Então chega.
Eu olhei pra ela.
— Chega dessa p***a.
Ela ainda tentou olhar pra trás, pras amigas.
— Meninas—
Elas riram, já entendendo tudo.
— Vai lá, Penélope — uma delas falou. — Vocês não têm jeito.
Ela deu de ombros, sorrindo de lado.
— Fazer o quê? Não tenho escolha.
Mas a verdade era outra.
Ela escolhia.
Sempre.
Ela pegou a mão de Alan primeiro.
Depois deixou Dante encostar nela de novo.
Liam veio logo atrás, guiando ela pela lateral.
E eu fui fechando o grupo.
Saindo do salão como se nada mais existisse ali.
E as risadas ficaram pra trás.
Mas o problema… não ficou.
Porque aquela tensão entre nós nunca acabava no momento em que ela vinha com a gente.
Só mudava de lugar.