Larissa
Eu deveria estar preocupada.
Muito preocupada.
Porque toda vez que estava com Dante, ficava mais difícil lembrar dos motivos que me faziam querer manter distância.
Talvez porque ele nunca me pressionasse.
Nunca tentasse me mudar.
Nunca me fizesse sentir pequena.
Era exatamente o contrário.
Quando estava com ele, eu me sentia vista.
E aquilo era perigoso.
Perigosamente viciante.
Na manhã seguinte ao nosso jantar, acordei com uma mensagem.
E, para minha vergonha, sorri antes mesmo de abrir.
Dante: Bom dia.
Meu coração acelerou.
Eu: Você sabe que pessoas normais esperam pelo menos uma hora antes de mandar mensagem.
A resposta chegou quase imediatamente.
Dante: Quem disse que sou normal?
Comecei a rir.
Sozinha.
Na cama.
Como uma completa boba.
E o pior?
Não me importava.
O dia passou lentamente.
Ou talvez eu apenas estivesse ansiosa.
Porque Dante tinha me convidado para jantar novamente.
E eu tinha aceitado rápido demais.
Sem pensar.
Sem hesitar.
O que dizia muito sobre meu estado mental atual.
— Você está apaixonada.
Júlia anunciou durante nossa ligação no fim da tarde.
— Você e a Clara precisam parar de conspirar.
— Não é conspiração quando é óbvio.
Revirei os olhos.
Mas não consegui argumentar.
Porque estava ficando cada vez mais difícil negar.
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Dante
Eu estava olhando para o relógio.
Pela quinta vez em menos de dez minutos.
E isso era ridículo.
Completamente ridículo.
Mas eu queria vê-la.
Mais do que deveria.
Muito mais.
Uma batida interrompeu meus pensamentos.
— Entre.
Matteo apareceu.
Com aquele sorriso irritante.
— Você está esperando ela.
— Tenho uma reunião.
— Claro.
Revirei os olhos.
— Vá embora.
— Não antes de dizer que você está completamente perdido.
Bufei.
Porque ele estava certo.
Outra vez.
E aquilo estava se tornando um hábito irritante.
Mas o pior?
Era que eu nem queria discutir.
Porque eu estava perdido.
Perdidamente perdido.
E pela primeira vez na vida, aquilo não me incomodava.
Quando cheguei ao prédio de Larissa, ela já estava esperando.
E por um segundo...
Meu coração realmente parou.
Ela usava um vestido simples.
Nada extravagante.
Nada chamativo.
Mas estava linda.
Absolutamente linda.
E a forma como sorriu quando me viu fez alguma coisa dentro de mim apertar.
De um jeito bom.
De um jeito que eu nunca tinha sentido antes.
— Você está me olhando.
Ela comentou.
Sorri.
— Sempre.
O rosto dela ficou vermelho.
E Deus.
Eu gostava disso mais do que deveria.
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Larissa
Acabamos desistindo do restaurante.
A ideia foi dele.
E, para minha surpresa, gostei.
Muito.
Compramos café.
Sentamos em um banco de uma praça iluminada.
E simplesmente conversamos.
Sem pressa.
Sem interrupções.
Sem máscaras.
Pela primeira vez, senti que estava conhecendo o verdadeiro Dante.
O homem por trás dos ternos caros.
Por trás da confiança absurda.
Por trás do empresário poderoso.
E eu gostava dele.
Muito.
Mais do que deveria.
— Posso te perguntar uma coisa?
Dante perguntou.
Assenti.
— Claro.
Ele demorou alguns segundos para falar.
O suficiente para me deixar nervosa.
— Você ainda tem medo?
Meu coração apertou.
Porque eu sabia exatamente do que ele estava falando.
Do meu ex.
Das inseguranças.
Das cicatrizes.
Dos medos.
Respirei fundo.
— Sim.
A honestidade saiu antes que eu pudesse impedir.
— Menos do que antes.
Mas ainda tenho.
Os olhos dele permaneceram nos meus.
Atentos.
Calmos.
Esperando.
— Obrigado.
Franzi a testa.
— Por quê?
— Porque você foi sincera.
Meu coração acelerou.
Outra vez.
— Eu não quero mentir para você.
As palavras escaparam antes que eu pudesse impedir.
E imediatamente percebi o peso delas.
Porque eram verdade.
Dante ficou em silêncio.
Mas alguma coisa mudou em seu olhar.
Algo mais profundo.
Mais intenso.
Mais emocional.
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Dante
Ela não fazia ideia do que aquelas palavras significavam para mim.
Nenhuma ideia.
Porque eu estava acostumado com pessoas escondendo coisas.
Com interesses.
Com aparências.
Com mentiras.
Mas Larissa era real.
Ela era gentil.
Engraçada.
Imperfeita.
Humana.
E eu estava me apaixonando por ela.
Não havia mais como negar.
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Larissa
Já estava tarde quando Dante me levou para casa.
Mas, pela primeira vez, não senti vontade de me despedir.
Pelo contrário.
Queria mais tempo.
Mais alguns minutos.
Mais uma conversa.
Mais um sorriso.
Mais ele.
Quando paramos diante do meu prédio, nenhum de nós se moveu imediatamente.
O silêncio tomou conta do carro.
Mas não era desconfortável.
Era carregado.
Cheio de coisas que nenhum dos dois parecia pronto para dizer.
— Larissa.
Meu coração acelerou.
— Sim?
Os olhos dele encontraram os meus.
E por um segundo todo o resto desapareceu.
A rua.
Os carros.
O mundo.
Tudo.
— Acho que estou com problemas.
Uma risada escapou.
— Por quê?
O sorriso dele foi lento.
Bonito.
Perigoso.
— Porque toda vez que tento passar um dia sem pensar em você...
Ele parou.
Como se estivesse escolhendo as palavras.
— Eu fracasso miseravelmente.
Meu coração simplesmente derreteu.
Por um momento, nenhum de nós falou.
Apenas nos encaramos.
E pela primeira vez tive a sensação de que estávamos à beira de alguma coisa.
Algo importante.
Algo que mudaria tudo.
Dante respirou fundo.
Passando a mão pelos cabelos.
Como se estivesse tentando recuperar o controle.
— Vamos.
Franzi a testa.
— Vamos?
Ele saiu do carro.
Confusa, fiz o mesmo.
Caminhamos em silêncio até o hall de entrada do prédio.
Meu coração batia rápido demais.
Porque eu sentia que alguma coisa estava acontecendo.
Alguma coisa que ele estava tentando esconder.
Quando paramos diante da porta, Dante me observou por alguns segundos.
Como se estivesse decorando meu rosto.
Como se estivesse travando uma batalha consigo mesmo.
— Posso te pedir uma coisa?
A voz saiu rouca.
Mais baixa do que o normal.
Meu coração tropeçou.
— Depende.
Um sorriso rápido apareceu.
Mas desapareceu quase imediatamente.
— Me dá um abraço.
Meu coração simplesmente derreteu.
Porque eu esperava qualquer coisa.
Qualquer coisa.
Menos aquilo.
Sem dizer uma palavra, dei um passo à frente.
E me joguei em seus braços.
O ar abandonou meus pulmões.
Porque Dante me abraçou como se estivesse me segurando pela primeira vez.
E ao mesmo tempo como se nunca quisesse me soltar.
Os braços dele me envolveram.
Firmes.
Protetores.
Seguros.
Meu rosto ficou encostado em seu peito.
E consegui ouvir os batimentos acelerados do coração dele.
Tão acelerados quanto os meus.
Por alguns segundos ficamos apenas ali.
Sem falar.
Sem nos mover.
Apenas sentindo.
— Larissa...
A voz dele vibrou contra meu cabelo.
Fechei os olhos.
— Hum?
Os braços dele se apertaram um pouco mais.
Como se estivesse reunindo forças.
— Vai embora antes que eu esqueça todas as minhas boas intenções.
Minha respiração falhou.
Levantei os olhos para encará-lo.
E naquele instante percebi que ele estava falando sério.
Muito sério.
O olhar dele desceu para minha boca apenas por uma fração de segundo.
Mas foi suficiente.
Meu coração disparou.
Porque eu finalmente entendi.
Dante estava por um fio.
E talvez eu também estivesse.
Enquanto subia para o apartamento alguns minutos depois...
Uma certeza ocupava meus pensamentos.
Eu estava me apaixonando.
E, pela primeira vez em muito tempo...
Isso não me assustava tanto quanto deveria.