Parque

1341 Palavras
Milena narrando. Acordo e vejo que são 11h. Faço minha higiene, arrumo a cama e visto uma roupa de academia. Acho que vou andar no parque. Tomo meu café da manhã, pego o que vou usar lá fora e saio. Até penso em chamar a Bruna para correr, mas acho que ela está dormindo. Pego o elevador e logo estou no parque. Me alongo, começo caminhando e depois corro. [...] Paro para comprar uma água e bebo em pé mesmo. De repente, um cachorro gigante me derruba. Olho para ele, que late enquanto fica em cima do meu tórax, me assustando. Não faço nada, esperando que o dono acalme o animal. — Vem, rapaz, Brutus... — O cachorro sai e abana o r**o para o dono, como se tivesse obedecido. — Me desculpa, vou te ajudar a levantar. — Ele me ajuda e meu rosto mostra surpresa. Damon é o dono do cachorro. — O nome dele combina muito com sua personalidade. — É mesmo, que coincidência te ver por aqui. — É... — digo, olhando as horas. — Você sempre vem correr aqui? — Às vezes. Acho melhor eu ir, senhor Damon. Tchau. — Eu te acompanho. — Ah, não precisa, na verdade tenho que ir para um lugar. — Para onde? — Para uma lanchonete — digo a primeira coisa que me vem à mente. — Ah, eu te acompanho, também não tomei café. — Eu já tomei, só vou levar algo para minha amiga. — Eu te ajudo, meu irmão com certeza está com ela. — Que cara insistente. — Mas não pode cachorro lá. — Eu te acompanho até a porta, então. — Assinto, pego a garrafa que caiu no chão, jogo fora e percebo que ele está olhando descaradamente para minha b***a, me deixando desconfortável. Ignoro e ando rapidamente até a lanchonete. Ele fica na porta. Peço pão doce e pão francês para Bruna, já que disse que ia comprar. Pago e saio, e a praga ainda estava lá. — Olha, Damon, eu gostaria que você não me acompanhasse. Não me sinto à vontade perto de você. — O quê? — Ele parece chocado, como se não acreditasse. — Tchau, Damon. Tchau, Brutus. — Faço carinho na cabeça do cachorro e vou para casa. Chegando, já escuto baterem na porta. Olho pelo olho mágico e vejo que é Gabriel. — Bom dia, Milena. Sim, ela está aqui. — Ele fala no telefone e desliga após me cumprimentar. — O que foi? — pergunto, séria. — Nada, não. Tem café? — Tem o pó, mas comprei pão para vocês. — Poxa, não tem café pronto? — Está achando que aqui é hotel, Gabriel? Se toca! Pego o pão e coloco na mão dele. Bato a porta e tranco. Damon me irritou. Me sinto uma gatinha perto de um leão quando estou com ele. Como o pão doce, tomo banho e visto uma roupa normal, arrumando o cabelo em um r**o de cavalo. Bato na porta para chamar minha amiga para almoçar fora, mas Gabriel abre. Ele parece calmo, mas quando me vê, fica alarmado. — Você tá bem? — pergunto. — Sim, sim. Você vai sair? — Ia chamar a Bruna para almoçar. — Você pode ir comigo e com ela para a casa dos meus pais. Minha mãe passou m*l. Não parece ser nada grave, mas como você é médica... — Mas eu sou ortopedista. — Mas você fez o básico, né? Por favor, estou preocupado. — Vamos então. Só vou pegar minha bolsa. — BRUNA, PEGA SEU CASACO E VEM! — Ele grita, e eu entro no meu apartamento. Pego uma bolsa e saio. Eles já estão na porta. Bruna me olha preocupada, e tento falar com ela por sinais. Ela faz o sinal de "depois". Sim, mulheres conseguem se comunicar por olhares. Entramos no carro, e alguém liga para Gabriel. Ele tenta atender, mas Bruna pega o telefone primeiro. — Amor, é pessoal. — Não vai falar ao telefone enquanto dirige. Alô? ...Damon? ...Fala... Não, ele não pode atender... Estamos indo para a sua mãe... Tá, tá bom. Vou avisar. Tchau. — Ela desliga. — Ele falou que já reservou o jato. — Para hoje? — Não sei. Vocês vão viajar? — Bruna pergunta. — Eu não. — Gabriel responde, me olhando pelo retrovisor. — Amor, para nessa sorveteria — Bruna fala séria. — Não dá tempo. — Por favoooor, Gabriel! — Que drama esses dois. — Tá bom, amor. Ele para, e descemos. Bruna me puxa e entramos no banheiro. — Olha, eu tenho certeza que ele e o Damon estão armando alguma coisa, e tem você no meio. Recebeu alguma ligação do Damon hoje? — Não, eu vi ele quando fui correr, mas dei um fora, amiga. Está tudo bem. — Amiga, ferrou. Ele está louco por você. Aí, Milena, você não vai conseguir fugir, mas pode impedir. — Amiga, não estou entendendo nada. Impedir do quê? — Sei lá, de te sequestrar, qualquer coisa. Pensa, Bruna, pensa! — Ela fala para si mesma. — Que exagero. Não acho que seja isso. — Tá bom, pode ser só paranoia minha. Vamos. Saímos do banheiro, e Gabriel ia perguntar algo, mas Bruna o beija. — Passou a vontade, vamos. Entramos no carro, e seguimos em silêncio. Quando chegamos, era uma mansão enorme. Entramos, e vejo dona Júlia no sofá com o filho. Ela sorri para a gente, e eu estranho. — Ela não estava doente? — Oi? — Ela responde. — É, mãe. Viemos porque o Damon falou que você passou m*l, então trouxemos a Milena. — Ah, claro. Eu passei m*l mesmo. — Me aproximo dela, e Damon se senta, me olhando com... raiva? — O que a senhora está sentindo agora, e o que aconteceu antes? — Só tive uma tontura e caí. — Bateu a cabeça? — Não. — Então deve ter sido só uma queda de pressão. — Ah, obrigada, meu anjo — ela me diz. — De nada. Gabriel, você pode me levar embora? Já que está tudo bem. — Fiquem todos para almoçar. Não é um convite, é uma ordem — o senhor Rossi diz, descendo as escadas. — Ah, eu não posso — digo, mas dona Júlia me segura pelos ombros. — Pode sim, meu anjo. Queremos te conhecer. Ela me guia até a mesa. Damon puxa a cadeira para mim, e eu me sento. Ele fica do meu lado, e Bruna também, que o olha feio. Todos se servem, e quando olho para Damon, ele estava sorrindo para mim. Que estranho. — Então, Milena, qual sua especialidade médica? — o senhor pergunta. — Sou ortopedista, senhor Rossi. — Que pecado o meu. Me chamo João. Mas voltando, seus pais devem estar orgulhosos de você. — Eles são, sim. — Você é filha única? — Não, sou a mais nova. Meus irmãos já são casados e com filhos. — E você os vê sempre? — Quando posso, sim. Hoje mesmo vou jantar na casa de um deles. — Amor, pare com esse questionário — dona Júlia diz, colocando a mão no ombro dele, que a beija. Termino de comer, e na hora da sobremesa, não aceito. Era pêssego em calda. Nada contra, mas não gosto. Todos se levantam para ir à sala, e eu, discretamente, chamo um táxi. Dez minutos, o tempo estimado. Eles continuam conversando, mas Damon ainda me encara. — Só por brincadeira, vamos falar com quem foi nossa última conversa por celular? — Ele diz, deixando todos confusos. — Menos ciúmes — Gabriel comenta. — Pessoal, obrigada pelo almoço, mas preciso ir. Foi um prazer. — O prazer foi nosso, querida. Damon, dê uma carona para ela — dona Júlia diz, e ele se levanta. — Não precisa. Chamei um táxi, já deve estar lá fora. Tchau a todos. Damon faz uma cara furiosa, e eu saio com minha bolsa. O taxista estava falando com um segurança. Entro no carro e dou o endereço do meu irmão, querendo sair o mais rápido possível.
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