Sorvete

1376 Palavras
Damon narrando. A Milena só pode estar me testando. Mando o segurança seguir o carro dela, tenho certeza de que a Bruna tem algo a ver com isso, aquela praga. Só não a demiti ainda porque meu irmão me mataria. Pelo menos elas já foram para a casa dela. A Milena fugiu de mim ontem, me tratou m*l hoje, e agora faz isso... Milena, você vai pagar. Me jogo no sofá, irritado, e minha mãe senta ao meu lado: — Meu filho, tem certeza que é ela? — Sim, mãe. Já tentei me aproximar dela de todas as formas, mas ela está fugindo de mim. — A Bruna deve ter falado alguma coisa para ela. — Ela não tinha que se meter em nada. — Mas é a melhor amiga dela. Ela sente que precisa avisar. — Mãe, já mandei ajeitar a casa de campo, e a equipe do jatinho está em alerta. — Filho, mas sequestrar a menina tem que ser a última opção. — Tá bom, mãe, mas qualquer coisa, avisa o pai e o Gabriel que eles vão ter que cuidar da empresa por um tempo, caso eu precise sair. — Tudo bem. — A Milena me ama, mãe. E se não, vai ter que me amar. — Meu amor, não faça nada de que vá se arrepender. — Vai ser tudo no tempo dela, mãe... exceto o fato de ela estar do meu lado. Isso ela vai ter que se acostumar. — Tudo bem, meu bem. Vai dormir aqui hoje? — Não, já vou. Obrigado, mãe. — Abraço minha mãe, pego meu carro e pergunto ao motorista para onde ela foi. Sigo para o endereço e, ao chegar, vejo que é um bairro familiar. Pela janela aberta, vejo Milena abraçando uma criança que corre para um homem, e ela também o abraça enquanto ele bagunça seu cabelo. Será que é o namorado dela? Ela mentiu para mim? Uma mulher aparece, dá um selinho nele e sobe com a criança. Ah, é o irmão dela. Saio dali aliviado e ligo para um segurança continuar seguindo-a. Vou para casa e já arrumo o quarto e o closet para quando ela trouxer suas coisas. Faço o jantar e, enquanto como, penso nela. Não vai ter jeito. Vou ter que sequestrá-la. Pego meu carro, mas antes ligo para o motorista e pergunto se ela já voltou para casa. Ele diz que sim. Desisto de sair e volto para casa. Dois dias. Daqui a dois dias, ela estará comigo. Milena narrando Ontem voltei para casa depois de passar o dia e a noite com meus irmãos. Foi incrível. Quando cheguei, só tomei um banho antes de dormir. [...] Acordo, tomo banho, visto a roupa do hospital e prendo o cabelo. Tomo café da manhã e saio. Chegando no hospital, vou direto para a emergência e já pego um caso que eu adoro. Não que eu goste de ver alguém ferido, mas é muito satisfatório colocar ossos no lugar. Hoje, é um ombro deslocado: — Bom dia, eu sou a doutora Milena. Vamos colocar esse braço no lugar. — Aham — o homem responde, visivelmente com dor. — Vamos contar até 3, e eu coloco, ok? — digo enquanto visto as luvas e me aproximo, colocando um rolinho de gaze na boca dele para morder na hora da dor. — 1, 2... — já coloco o ombro no lugar antes do "3", e ele grita. — E o 3, caramba? — ele reclama, cuspindo a gaze. — Assim você sente menos dor. Prontinho! Enfermeira, pode enfaixar. Volte daqui a uma semana para avaliarmos. Saio de lá, tiro as luvas e compro um suco na lanchonete do hospital antes de entrar na minha sala. [...] Ao longo do dia, fiz várias consultas, retornos... coisas normais. No meu horário de almoço, a Bruna me liga: Ligação ON — Oi, amiga. — Oi, Milena. Amiga, vem almoçar comigo? — Amiga, eu só tenho 40 minutos. — Vamos em uma lanchonete. Estou com vontade de comer algo. — Tá bom, te encontro lá. Pego um carro por aplicativo. Acho que vou comprar um carro ou uma moto. Tenho gastado demais, e não dá mais para pedir carona para a Bruna e o Gabriel. Chego rápido e a vejo na porta. — Amigaaa, vamos logo, estou com fome! — Você está bem? — Só com vontade de comer. — Amiga, pede um combo para mim com refrigerante. Vou na farmácia rapidinho, tá bom? — Tá bom. Atravesso a rua e compro dois testes de gravidez para ela. Pago e volto, vendo que ela já está comendo. Ela comprou dois lanches e está devorando tudo. — Até que enfim! Eu estava com fome e queria te esperar — ela diz enquanto me sento. — Amiga, como está sua menstruação? — Deve vir essa semana — responde, com a boca cheia. — Comprei teste de gravidez. Toma, faz e depois me conta. — Não precisa, amiga. — Precisa sim. Termino minha batata enquanto vejo que ela já comeu os dois lanches. — Amiga... — ela fala com cara pidona. — Só se você me der sua batata — respondo, rindo, e ela troca os pratos comigo. Dou risada dela e continuo comendo. Olho em volta quando escuto algumas pessoas suspirando e vejo o Gabriel e o Damon na porta, olhando em volta. Reviro os olhos e continuo comendo. Bruna está tão concentrada que nem percebe. Eles param do nosso lado, de braços cruzados e com cara de bravos. Bruna sorri ao olhar para Gabriel. — Oi, amor. — Bruna, eu falei que não queria que você comesse mais essas coisas. Fazem m*l para a saúde. Você tem que ficar saudável para vivermos até os 100 anos. — Eu só comi um lanche pequeno — ela mente na cara dura. — Mentira! Comeu dois lanches e o meu também, né, bonita? — falo, e ela sorri. — Sentem, vocês dois. — Eles pegam cadeiras e se sentam ao nosso lado. Damon ao meu lado, mas fico distraída brincando com o canudo do refrigerante. Olho no relógio e tenho mais 20 minutos. — Amiga, vou comprar um sorvete. Quer? — Quero um de chocolate com crocante em cima. — Eu pego. Quer qual, meu anjo? — Damon me pergunta, agora menos sério. — O mesmo que o dela. Vou pegar o dinheiro. — Eu pago. Ele levanta e faz um sinal para Gabriel, que assente, mas não entendo o gesto. Deixo o copo na mesa e organizo as coisas para jogar no lixo. — Você fica estranho aqui — falo para Gabriel. — Por quê? — Você é rico. Provavelmente nunca nem comeu aqui. Nem sei se toma refrigerante. — Realmente, não gosto. Mas faço de tudo pela minha mulher — ele responde, rindo, e beija Bruna. Damon volta com os sorvetes, e eu sorrio. Ele me entrega e provo uma colherada. — Humm, muito bom! Obrigada, Damon. — De nada, anjo. Não sei como conseguem comer esse chocolate barato. — Com a boca, ué! É muito bom. Quer provar? — Primeiro ele faz cara feia, mas depois aceita. Dou uma colherada para ele. — O que achou? — Não é r**m. Olho o relógio e faltam 15 minutos para o meu horário acabar. Preciso ir. — Gente, tenho que voltar para o hospital. — Não pode ficar mais um pouco? — Gabriel pergunta, olhando para o irmão, que muda de expressão. — Não dá. Agora vou ficar na emergência. Vou chamar um carro. — Eu te levo. Prometo me comportar. — Sério? — Sim. — Então vamos. Tchau, amiga. Não esquece sua sacola. Tchau, Gabe. Saio e Damon me acompanha. No estacionamento, paro e espero ele mostrar o carro. Por que ainda me surpreendo com ricos? Ele aparece com um carro caríssimo, abre a porta para mim, e entramos. Fomos o caminho todo em silêncio. Ao chegar no hospital, ele me olha. — Entregue. — Obrigada, Damon, pela carona e pelo sorvete. Até. Me viro para abrir a porta, mas ele se inclina para me dar um beijo. Ignoro. — Até — ele responde, e saio do carro. Desço e vou para o armário deixar minhas coisas. O resto do dia será de atendimentos na emergência.
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