Damon narrando.
A Milena só pode estar me testando. Mando o segurança seguir o carro dela, tenho certeza de que a Bruna tem algo a ver com isso, aquela praga.
Só não a demiti ainda porque meu irmão me mataria. Pelo menos elas já foram para a casa dela. A Milena fugiu de mim ontem, me
tratou m*l hoje, e agora faz isso... Milena, você vai pagar.
Me jogo no sofá, irritado, e minha mãe senta ao meu lado:
— Meu filho, tem certeza que é ela?
— Sim, mãe. Já tentei me aproximar dela de todas as formas, mas ela está fugindo de mim.
— A Bruna deve ter falado alguma coisa para ela.
— Ela não tinha que se meter em nada.
— Mas é a melhor amiga dela. Ela sente que precisa avisar.
— Mãe, já mandei ajeitar a casa de campo, e a equipe do jatinho está em alerta.
— Filho, mas sequestrar a menina tem que ser a última opção.
— Tá bom, mãe, mas qualquer coisa, avisa o pai e o Gabriel que eles vão ter que cuidar da empresa por um tempo, caso eu precise
sair.
— Tudo bem.
— A Milena me ama, mãe. E se não, vai ter que me amar.
— Meu amor, não faça nada de que vá se arrepender.
— Vai ser tudo no tempo dela, mãe... exceto o fato de ela estar do meu lado. Isso ela vai ter que se acostumar.
— Tudo bem, meu bem. Vai dormir aqui hoje?
— Não, já vou. Obrigado, mãe. — Abraço minha mãe, pego meu carro e pergunto ao motorista para onde ela foi.
Sigo para o endereço e, ao chegar, vejo que é um bairro familiar. Pela janela aberta, vejo Milena abraçando uma criança que corre
para um homem, e ela também o abraça enquanto ele bagunça seu cabelo. Será que é o namorado dela? Ela mentiu para mim?
Uma mulher aparece, dá um selinho nele e sobe com a criança. Ah, é o irmão dela. Saio dali aliviado e ligo para um segurança
continuar seguindo-a.
Vou para casa e já arrumo o quarto e o closet para quando ela trouxer suas coisas. Faço o jantar e, enquanto como, penso nela. Não
vai ter jeito. Vou ter que sequestrá-la.
Pego meu carro, mas antes ligo para o motorista e pergunto se ela já voltou para casa. Ele diz que sim. Desisto de sair e volto para
casa. Dois dias. Daqui a dois dias, ela estará comigo.
Milena narrando
Ontem voltei para casa depois de passar o dia e a noite com meus irmãos. Foi incrível. Quando cheguei, só tomei um banho antes de
dormir.
[...]
Acordo, tomo banho, visto a roupa do hospital e prendo o cabelo. Tomo café da manhã e saio.
Chegando no hospital, vou direto para a emergência e já pego um caso que eu adoro. Não que eu goste de ver alguém ferido, mas é
muito satisfatório colocar ossos no lugar. Hoje, é um ombro deslocado:
— Bom dia, eu sou a doutora Milena. Vamos colocar esse braço no lugar.
— Aham — o homem responde, visivelmente com dor.
— Vamos contar até 3, e eu coloco, ok? — digo enquanto visto as luvas e me aproximo, colocando um rolinho de gaze na boca dele
para morder na hora da dor.
— 1, 2... — já coloco o ombro no lugar antes do "3", e ele grita.
— E o 3, caramba? — ele reclama, cuspindo a gaze.
— Assim você sente menos dor. Prontinho! Enfermeira, pode enfaixar. Volte daqui a uma semana para avaliarmos.
Saio de lá, tiro as luvas e compro um suco na lanchonete do hospital antes de entrar na minha sala.
[...]
Ao longo do dia, fiz várias consultas, retornos... coisas normais. No meu horário de almoço, a Bruna me liga:
Ligação ON
— Oi, amiga.
— Oi, Milena. Amiga, vem almoçar comigo?
— Amiga, eu só tenho 40 minutos.
— Vamos em uma lanchonete. Estou com vontade de comer algo.
— Tá bom, te encontro lá.
Pego um carro por aplicativo. Acho que vou comprar um carro ou uma moto. Tenho gastado demais, e não dá mais para pedir carona
para a Bruna e o Gabriel. Chego rápido e a vejo na porta.
— Amigaaa, vamos logo, estou com fome!
— Você está bem?
— Só com vontade de comer.
— Amiga, pede um combo para mim com refrigerante. Vou na farmácia rapidinho, tá bom?
— Tá bom.
Atravesso a rua e compro dois testes de gravidez para ela. Pago e volto, vendo que ela já está comendo. Ela comprou dois lanches e
está devorando tudo.
— Até que enfim! Eu estava com fome e queria te esperar — ela diz enquanto me sento.
— Amiga, como está sua menstruação?
— Deve vir essa semana — responde, com a boca cheia.
— Comprei teste de gravidez. Toma, faz e depois me conta.
— Não precisa, amiga.
— Precisa sim.
Termino minha batata enquanto vejo que ela já comeu os dois lanches.
— Amiga... — ela fala com cara pidona.
— Só se você me der sua batata — respondo, rindo, e ela troca os pratos comigo.
Dou risada dela e continuo comendo. Olho em volta quando escuto algumas pessoas suspirando e vejo o Gabriel e o Damon na porta,
olhando em volta. Reviro os olhos e continuo comendo. Bruna está tão concentrada que nem percebe.
Eles param do nosso lado, de braços cruzados e com cara de bravos. Bruna sorri ao olhar para Gabriel.
— Oi, amor.
— Bruna, eu falei que não queria que você comesse mais essas coisas. Fazem m*l para a saúde. Você tem que ficar saudável para
vivermos até os 100 anos.
— Eu só comi um lanche pequeno — ela mente na cara dura.
— Mentira! Comeu dois lanches e o meu também, né, bonita? — falo, e ela sorri.
— Sentem, vocês dois. — Eles pegam cadeiras e se sentam ao nosso lado. Damon ao meu lado, mas fico distraída brincando com o
canudo do refrigerante. Olho no relógio e tenho mais 20 minutos.
— Amiga, vou comprar um sorvete. Quer?
— Quero um de chocolate com crocante em cima.
— Eu pego. Quer qual, meu anjo? — Damon me pergunta, agora menos sério.
— O mesmo que o dela. Vou pegar o dinheiro.
— Eu pago.
Ele levanta e faz um sinal para Gabriel, que assente, mas não entendo o gesto. Deixo o copo na mesa e organizo as coisas para jogar
no lixo.
— Você fica estranho aqui — falo para Gabriel.
— Por quê?
— Você é rico. Provavelmente nunca nem comeu aqui. Nem sei se toma refrigerante.
— Realmente, não gosto. Mas faço de tudo pela minha mulher — ele responde, rindo, e beija Bruna.
Damon volta com os sorvetes, e eu sorrio. Ele me entrega e provo uma colherada.
— Humm, muito bom! Obrigada, Damon.
— De nada, anjo. Não sei como conseguem comer esse chocolate barato.
— Com a boca, ué! É muito bom. Quer provar? — Primeiro ele faz cara feia, mas depois aceita. Dou uma colherada para ele.
— O que achou?
— Não é r**m.
Olho o relógio e faltam 15 minutos para o meu horário acabar. Preciso ir.
— Gente, tenho que voltar para o hospital.
— Não pode ficar mais um pouco? — Gabriel pergunta, olhando para o irmão, que muda de expressão.
— Não dá. Agora vou ficar na emergência. Vou chamar um carro.
— Eu te levo. Prometo me comportar.
— Sério?
— Sim.
— Então vamos. Tchau, amiga. Não esquece sua sacola. Tchau, Gabe.
Saio e Damon me acompanha. No estacionamento, paro e espero ele mostrar o carro. Por que ainda me surpreendo com ricos?
Ele aparece com um carro caríssimo, abre a porta para mim, e entramos.
Fomos o caminho todo em silêncio. Ao chegar no hospital, ele me olha.
— Entregue.
— Obrigada, Damon, pela carona e pelo sorvete. Até.
Me viro para abrir a porta, mas ele se inclina para me dar um beijo. Ignoro.
— Até — ele responde, e saio do carro.
Desço e vou para o armário deixar minhas coisas. O resto do dia será de atendimentos na emergência.