Logo Eu?

1379 Palavras

Milena narrando. Acordo devagar, como se estivesse subindo de um mar profundo demais. Uma pontada fininha lateja na lateral da minha cabeça, insistente, e, por um segundo, imagino que ainda estou no meu quarto apertado, com o ventilador fazendo aquele barulho irritante de hélice raspando em alguma coisa. Mas não. A textura sob meus dedos me denuncia antes mesmo de eu abrir os olhos. Seda. Um lençol macio, frio, caro demais. Um tecido que nunca tocou minha casa e jamais tocaria, não com o meu salário, não com a minha vida. Quando abro os olhos, tudo dentro de mim trava. O quarto é enorme — tão grande que minha mente tenta entender onde a parede termina e a outra começa. Móveis pesados, madeira escura, polida. Uma lareira acesa, porque aparentemente isso aqui é algum tipo de mansão

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