Bati o pano no chão da cozinha pela terceira vez, sem motivo. A casa tava limpa. Clara tava desenhando no caderno novo com os lápis que Dante tinha comprado. E mesmo assim, meu corpo não sossegava. Fazia dois dias que o pai dela tinha reaparecido. Dois dias que eu não dormia direito. Dois dias esperando o próximo golpe. Quando bateram no portão de novo, meu coração quase parou. Olhei pra Clara, que continuava concentrada no desenho, e fui atender. Não era Dante. Nem vizinho. Era um casal, bem arrumado, com crachás pendurados no pescoço. Conselho Tutelar. — Boa tarde. Luna, certo? Assenti, gelando por dentro. — Recebemos uma denúncia anônima. Alegaram que a menor que vive com você está exposta a situações de risco. Precisamos conversar. — Risco como? — O denunciante mencionou histó

