Acordei com o som da porta da geladeira se fechando. Dante já estava na cozinha, mexendo no café, sem camisa, cabelo bagunçado, expressão concentrada como se preparar um café fosse parte de alguma missão. Clara ainda dormia. A casa estava silenciosa e com aquela luz leve de sábado preguiçoso. Fui até a pia, ele me olhou rápido e empurrou uma caneca em minha direção. — Senta aí. Peguei a caneca, mas fiquei de pé, encostada na bancada. Ele não insistiu. — Tava pensando em sair. — Pra onde? — Levar vocês. Sei lá... um lugar mais longe. Praia, talvez. Parque. Coisa de gente normal. — Você sabe o que é coisa de gente normal? Ele riu. Foi um som baixo, rouco, quase tímido. — Não. Tô tentando aprender. — Comigo? — Com vocês. Terminei o café em silêncio. A ideia de sair com ele, com a

