Saí da sala do advogado com a cabeça cheia. Com vontade de resolver aquilo logo, rasgar qualquer chance de alguém tirar a Clara da irmã. Mas no fundo, não era só isso. Eu tava pensando nas duas o tempo todo. No que elas viraram. No que viraram pra mim. Entrei no carro. Mandei uma mensagem no rádio só avisando que ia passar no centro e não era pra ninguém me seguir. Queria estar sozinho. Queria pensar. O movimento no comércio era o mesmo de sempre: ambulante gritando, música saindo das lojas, carro buzinando pra tudo quanto era lado. Estacionei em frente à galeria. Um lugar pequeno, meio escondido. Mas eu sabia o que tava procurando. Passei por algumas vitrines, entrei em uma joalheria das antigas. A dona, uma senhora de voz fina e olhar esperto, me reconheceu na hora, mas fingiu que não

