Capítulo 39: Ignorado com Estilo

1287 Palavras
JACE Acordei com a cabeça a mil. Ainda dava pra ouvir o gemido da Isa na minha mente. Aquela chamada de vídeo ontem me deixou transtornado. A mulher simplesmente me fez gozar só com a voz, com o olhar e com aquela camisola branca que... cê é louco. Mas depois que desligou, sumiu. Não mandou mensagem, não falou mais nada. E eu? Acordei com a cara dela estampada no meu cérebro e uma vontade de vê-la de novo que não passava. Vesti meu short de corrida, coloquei um regata preta, fone no ouvido e fui correr na praia. Quem sabe o vento, o sol e a vibe me ajudassem a esquecer um pouco o fogo que essa mulher acendeu. Mas quem disse que o destino alivia? Tava lá, concentrado na minha corrida, respiração controlada, trilha no ouvido, quando do nada eu vejo ela. Isabela. Cabelo preso num coque alto todo bagunçado, short colado que marcava tudo, top branco e aquela b***a que merecia prêmio. Ela tava caminhando devagar, com uma garrafinha de água na mão e o olhar perdido no mar. Me aproximei. Tirei um dos fones, desacelerei, puxei o ar. — Bom dia, princesa... — falei, tentando soar natural, mesmo com o coração batendo no ritmo de uma batida de funk. Ela me olhou, sem parar de andar, o rosto neutro. — Bom dia. — respondeu simples, seca, quase robótica. E só. Continuou andando, como se eu fosse só mais um na praia. Como se na noite passada ela não tivesse se abrindo pra mim. Como se eu não tivesse arrancado gemidos dela mesmo à distância. Fiquei ali parado por uns segundos. Olhei ela se afastando com aquela marra toda. Nem virou pra trás. Nem um “como cê tá”, “dormiu bem”, “me desculpa por ontem”. Nada. Ela me tratou como se eu fosse nada. Engoli seco, coloquei o fone de novo e voltei a correr. Mas agora, o som não batia, a brisa não aliviava, e o suor não era só do esforço. Era da raiva também. — Tu vai me ignorar, Isabela? Beleza. Mas não pensa que eu vou ficar quieto não. --- Mas, p***a… como é que eu ia ignorar aquela visão? O top branco subia levemente a cada passo que ela dava, deixando à mostra a barriguinha trincada e aquele bronzeado marcado. O short colado, azul escuro, m*l cobria a b***a. E que b***a, meu Deus... uma escultura. Foi aí que meus olhos bateram em algo diferente. Um risco, um detalhe que não tava ali antes... algo na cintura dela, do lado esquerdo. — O que é isso aí na sua cintura? — soltei sem pensar, acompanhando o passo dela. Ela riu, e só por esse riso eu soube que tava gostando da provocação. Baixou os olhos, meio sem graça, e respondeu: — Tatuagem. — Tatuagem? — repeti, meio em choque, encarando a linha fina que descia pro short. — Tu meteu uma tattoo naquela tua bundinha perfeita, Isabela? Ela deu um sorrisinho sacana e acelerou o passo, sem dizer nada. Me deixando falando com o vento. Mas já era tarde. A imagem já tava gravada na minha mente. A curva da cintura, a pele branca, o traço da tatuagem que sumia lá pra baixo... Eu comecei a imaginar mil coisas: uma frase, uma flor, uma arma, sei lá. E aonde exatamente essa tatuagem acabava. — Tu é fogo, sabia? — falei alto, só pra provocar. Ela olhou por cima do ombro, ainda sorrindo. — Cuidado pra não se queimar, Jace. Ih... ferrou. Agora eu quero descobrir até onde vai esse desenho. E juro que vou. --- Ela seguiu o passo leve, a b***a rebolando sutil com cada passada, como se não soubesse que tava me deixando doido. Só que sabia. Sabia muito bem. Lá na frente, ela parou num quiosque e pediu uma água de coco. Eu podia ter seguido o caminho, fingido que nem liguei, mas meu pé virou sozinho. Parei do lado dela sem pedir licença. — Opa, vamo dividir essa sombra aí ou tem limite de gato por metro quadrado? — soltei no deboche, tentando quebrar o gelo. Ela bufou rindo pelo nariz, pegou o canudo e deu um gole na água de coco. — Tu é muito convencido, Jace. — Convencido, não... só sincero. — puxei uma cadeira de madeira e sentei do lado, todo largado. — E aí, posso perguntar qual foi a ideia da tattoo naquele lugar proibido ou é segredo de estado? Ela mordeu o canudo com um sorrisinho e me olhou de lado. — Talvez um dia tu descubra… se merecer. — p***a, Isa... tu fala essas paradas e depois age como se fosse toda certinha. Tava me ignorando ali atrás. — Não tava te ignorando, só não tava no clima de conversinha fiada… mas agora que tô hidratada, posso até te dar uns minutos de atenção. — disse com deboche, cruzando as pernas e se inclinando levemente, me matando aos poucos. — Uns minutos? Vou ter que correr contra o tempo então. — dei um gole na minha água de coco, que o atendente já tinha posto do meu lado sem nem eu pedir. Ficamos ali uns minutos trocando ideia. O sol batendo forte, o mar brilhando e ela… ela parecendo a maior tentação que o Rio já viu. Mas no fundo, eu sabia: ela ainda tava no controle do jogo. A conversa tava boa, mas o clima… mano, o clima tava melhor ainda. Ela mexia no canudo com a boca de um jeito que me deixava maluco, e a cada risadinha, dava um jeitinho de ajeitar o short ou cruzar as pernas mais ainda. Tava me testando, e eu sempre fui péssimo em passar em teste. Me aproximei mais um pouco, cheguei com aquele olhar que ela conhece. Meu joelho encostou no dela de leve e deixei. Ela não tirou. — Sabe o que eu pensei? — falei baixinho, quase encostando na orelha dela. — Hum? — Tu devia me mostrar essa tatuagem aí, nem que fosse só pra eu ver se é real mesmo ou se minha mente tá viajando. Ela riu, aquela risadinha safada, e virou o rosto devagar pra mim. — Tua mente viaja demais, Jace. — falou, mas não afastou quando minha mão pousou na coxa dela, bem de leve. O toque foi subindo. Ela fechou os olhos por um segundo, respirou fundo. Puxei ela pela cintura, minha mão escorregando por debaixo do top, só a pontinha dos dedos, a pele dela era quente e cheirosa. Ela se inclinou pra mim, a boca coladinha na minha, quase tocando. — Tu vai me beijar ou só me olhar com essa cara de safado aí? — ela sussurrou. — Os dois. Beijei. Com fome. Com raiva. Com saudade. A mão dela agarrou meu pescoço, a minha subiu pela lateral do corpo dela, apertando, puxando pra mais perto. Ela sentou no meu colo como se fosse ali mesmo o lugar dela. O quiosque era aberto, o mar lá no fundo, as pessoas andando… mas parecia que só existia eu e ela ali. Até que uns flashes começaram a pipocar. — Merda… paparazzi. — murmurei contra a boca dela. Ela virou o rosto rápido, o cabelo caindo no ombro. — Jace, tu tá de boné, mas eu não! Já tão clicando tudo, certeza! Eu olhei de lado. Dois caras com câmera do outro lado da calçada. Já deviam ter feito a sequência completa: o beijo, a mão boba, ela no meu colo… a merda tava feita. — Relaxa, princesa… já inventam coisa mesmo, agora pelo menos vão ter foto bonita. — falei sorrindo, mas por dentro sabia que o circo ia pegar fogo.
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