Acordei com as batidas na porta. Eram pouco mais de sete da noite, havia dormido quase duas horas. Como era fácil pegar no sono quando não se tinha nada a fazer. Nem eu sabia que era possível a um ser humano dormir tanto assim. Bastava eu me deitar por cinco minutos e estava roncando. Quer dizer, nem precisava deitar, era só me recostar nas almofadas do sofá e pronto, caia nos braços de Morfeu. A dúvida agora era outra: como eu conseguira trabalhar tanto, durante tanto tempo, sem tirar uma soneca no meio do expediente? Sei lá! Abri a porta bocejando. — A gente já tá saindo pro mercado, Dona Débora. Desculpe incomodar, mas a senhora pediu pra avisá, então... — o porteiro pareceu um pouco constrangido, acho que por causa da minha cara de sono. — Sim, sim. Muito obrigada, Seu Miguelzinho. D

