Café. O que eu mais sentia falta na minha nova vida de privações era de café. Eu me tronara uma viciada no ano em que trabalhei na construtora do Dr. Victor Hugo. Lá a gente passava quase o dia inteiro com uma caneca de café nas mãos. Quando o trabalho estava difícil, café para ajudar a pensar. Quando não tínhamos tanto o que fazer, café para passar o tempo. Quando chegava um cliente, café, dessa vez em finas xícaras de porcelana adornadas em ouro, para acompanha-lo. Eu nem conseguia pensar naqueles tempos sem que eu aparecesse na minha imaginação com a caneca térmica cheia de café na mão. Era um colapso ficar sem café. — Para com isso, Débora, você está aguentando coisas muito piores, o que são alguns dias sem tomar café? — dizia pra mim mesma em voz alta, tentando me convencer. Mas o f

