>> Maya >>
— Vamos assistir um filme de romance — Carla falou super animada na minha porta, com uma sacola de supermercado cheia de salgadinhos e seu tablet na outra mão, eu olhei para a mesma com uma careta.
— Não gosto de romance — Falei como se não fosse nada demais, por que de fato não era, mas a morena de cabelo rosado começou a me olhar como se eu fosse algum tipo de alienígena.
— Ah Maya, pelo amor de Deus, quem não gosta de romance? — Ela perguntou, me fazendo dar com os ombros e voltar a prestar atenção no meu desenho, eu gostava de desenhar, quando pequena era a única coisa que me distraía das brigas entre minha mãe e Fábio, e de tanto desenhar, eu acabei ficando muito boa nisso.
— Eu! — Falei o óbvio e a mesma estreitou os olhos que estavam direcionados para o meu desenho, eu coloquei ele contra o peito em um abraço, mas ela conseguiu pegar ele antes que eu pudesse apertá-lo contra mim.
— É sério, Maya? — Ela me olhou como se estivesse repreendendo uma criança, e ao virar o desenho para mim eu sabia que o certo era me envergonhar por tamanha infantilidade, mas quando eu olhei agora o desenho do coringa trajado de d***o eu só consegui sentir orgulho. — Quantos anos você tem?
— 18, mas a minha criança interior ainda não perdoou ele por ter grudado chiclete no meu cabelo e ter me feito ficar quase careca — A mesma revirou os olhos e eu tomei o desenho de sua mão em um puxão.
— Mas quando tava gemendo na cama dele, ninguém lembrou que ele era o demônio em pessoa na infância. — Ela alfinetou, e por mais que a minha b****a tenha latejado só de lembrar daquela noite, a minha careta foi de nojo só de me tocar sobre quem estava falando.
— Eu transei com ele por que você disse que ele se chamava PK — Acusei com o dedo indicador erguido em sua direção e a mesma deu com os olhos, tirou dois n**o bom do bolso e jogou um em minha direção. — Se eu soubesse que aquele era o Guilherme eu não teria nem deixado ele me beijar.
— Ah pelo amor de Deus, você não pode culpar uma bêbada por ter confundido duas pessoas — Disse como se fosse o óbvio e eu desviei os olhos para outra direção quando a mesma me olhou com seu olhar safado e pôs o doce na boca — E pela sua carinha de satisfeita no outro dia de manhã, você deveria me agradecer, isso sim.
Revirei os olhos ao me lembrar que apesar de tudo eu não conseguia me arrepender daquela noite, eu nunca imaginei que sexo poderia ser tão prazeroso e só de saber que as mãos de outra pessoa passearam pelo meu corpo, com a minha autorização e com a intenção de me causar prazer e não dor, já me fazia sentir mais humana e não um objeto que qualquer um poderia usar.
Eu arregalei os olhos quando a minha avó gritou o meu nome, eu levantei correndo, deixando para trás o meu caderno de desenho, a Carla que estava sentada na cama e corri para cozinha, a qual estava cheia de fumaça vinda do forno graças a carne que eu esqueci assando.
— PELO AMOR DE DEUS, MAYA, VOCÊ NÃO CONSEGUE FAZER NADA DIREITO? — Minha avó gritou apontando para o forno, eu apenas encolhi os meus ombros enquanto sua voz raivosa trazia a tona lembranças que eu queria esquecer.
— Vó, eu…
— Você tem dezoito anos e m*l sabe arrumar uma casa, lava a roupa parecendo a sua cara e agora ainda queima a carne — Sua voz estava mais baixa, porém as palavras que saíram da boca dela saiam com firmeza. Eu apenas abaixei a cabeça em respeito a tudo o que ela falava — Você é tão inútil que nem um marido seria capaz de segurar, deveria beijar os meus pés por ter te aceito na minha casa. Você é igualzinha a sua mãe!
Ela disse entre os dentes, tão perto de mim que eu poderia sentir o seu hálito de cachaça, eu apenas respirei fundo e sussurrei um pedido de desculpas que nem eu conseguia escutar direito, minha vó continuou a me olhar por alguns segundos, analisando cada pedacinho do meu rosto como se estivesse procurando algo algo nele que eu não poderia dizer o que era.
Sentir um alívio no peito e me permitir soltar o ar que estava preso em meus pulmões quando ela saiu da cozinha, continuei lutando contra a vontade de chorar graças a terrível sensação de ser insuficiente para qualquer coisa e por causa da fumaça que irritava as vistas.
Olhei para a porta da cozinha onde Carla estava escorada e me olhando como se estivesse com pena de mim, eu odiava aquele olhar. Coloquei a mão na cintura e respirei fundo olhando para a carne que já estava parecendo um carvão.
— Acho que nem o Lukas comeria essa carne — Carla disse com uma careta, e eu apenas dei risada, enxugando algumas lágrimas que caíram.
— Eu dúvido, ela nem tá tão diferente da sua lasanha— A mesma colocou a mão no peito e abriu a boca como se estivesse ofendida, tentei continuar com um sorriso no rosto.
— Pois agora você vai sentar e deixar que eu mostre os meus dotes culinários para você — Eu levantei a sobrancelha com dúvida e ela apontou para a cadeira — Agora!
Eu levantei a minha mão em sinal de redenção e ela se aproximou no forno para tirar a assadeira com a carne, eu iria ajudar, mas ela recusou e me mandou sentar.
Eu valorizava muito a amizade que aprofundamos durante esse pouco tempo que estou morando com a minha avó, mesmo que algumas vezes eu me pergunte se vale a pena mesmo continuar sendo amiga de uma doida.
Mas é em momentos como esses que eu sou grata pela existência dela na minha vida, Carla limpou a assadeira que eu tinha esquecido no forno e começou a cozinhar um dos seus pratos básicos e deliciosos.
[...]
>> Coringa >>
Eu estava cercado por idiotas, que não sabia falar de outra coisa que não fosse a quantidade de mulheres que haviam pegado e compartilhavam nudes como se fosse aquelas correntes de w******p que nem minha mãe acreditava ser real.
Eu ficava puto, uma coisa é contar vantagem sobre ficar com alguém, outra completamente diferente era ficar falando de posições, locais e mostrando a foto da b****a de uma mulher que mandou um nudes pra você.
Se ela mandou para você é pra você ver e deu, não tem essa de ficar fazendo da b****a da mulher outdoor para a comunidade toda ficar vendo.
— Coringa que tem sorte, aquela gostosa da Sabrina dá pra ele a hora que ele quiser — Mc me fez olhar para ele com descrença.
— Pega ela pra você — Eu levantei da "rodinha" frustrado e acendi um fino indo em direção a saída da boca, me escorei na porta e fiquei observando o movimento da rua, fiquei 6 meses na sela e essa p***a não mudou nada.
Quase engoli o cigarro quando a Sabrina pulou na minha frente com um sorriso, susto do c*****o, ela se inclinou em minha direção para me dar um beijo mais eu virei o rosto, fazendo com que ela beijasse a minha bochecha.
— Já disse que não curto esse lance de beijar — Disse sério colocando o cigarro na boca e observando a mesma ficar sem graça.
— Para alguém que saiu beijando alguém no baile que eu NÃO fui convidada, você tá colocando marra demais — Ela cruzou os braços sobre o peito, me fazendo rir pela narina e umedecer os lábios com o cigarro entre os dedos.
— Se você não foi convidada é por que eu não te quero aqui, sacô? — Perguntei com um sorriso de lado e coloquei o cigarro na boca — O nosso lance acabou, Sabrina, aceita que dói menos.
Olhei para a branquela que ficou vermelha de raiva, quase um ano que eu não tenho mais nada com ela e só por que ficamos algumas vezes a guria fica se achando a fielzona, ela falou alguma coisa, mas a imagem de uma uma morena cacheada com short jeans afogado me chamou atenção, era a mesma menina que eu tinha ficado no baile.
A guria não tinha nada demais, ela uma morena, pequena, de cabelo cacheado, com olhos castanhos e corpo na média, mas tinha uma língua afiada e um gemido que deixava qualquer homem doido de t***o.
Eu continuei a observar a mesma de longe, e quando ela sentiu que estava sendo observada olhou para os lados como se estivesse procurando algo e fez uma careta quando me encontrou, tive que lutar contra o impulso de ir até ela, porque sabia que Sabrina daria chilique e meu pai nunca permitiria que eu calasse ela da forma que ela merece ser calada.
— Eu não conheci a mãe dela, mas pelo que dizem ela é igualzinha — Eu franzi a testa ao olhar para a Sabrina que encarava a mesma direção que eu — Maya é mais rodada que roda de Uber.
Eu senti o meu cérebro gelar e na mesma hora me virei para a menina que dava risada igual uma condenada de alguma coisa que o Luka tinha falado.
Maya? Como caralhos aquela dali era a Maya?
Eu não deixei que ela terminasse de falar qualquer outra coisa sobre a morena, meus pés se movimentam para dentro da boca em passos rápidos, tudo começou a fazer sentido na minha cabeça, abrir a porta do meu pai sem bater e mandei o vapor que estava lá dentro vazar com um gesto de cabeça.
E ele, como tem amor à vida, não reclamou e apenas obedeceu.
— Não sabe bater na porta, c*****o? — Meu pai perguntou aparentemente irritado e eu fechei a porta caminhando até a mesa dele.
— Quando você ia me dizer que a p***a daquela menina tá aqui no morro? — Perguntei, fazendo o mesmo franzi a testa como se quisesse se lembrar sobre quem eu estava falando, e quando ele finalmente se lembrou, me encarou com o rosto sério.
— E eu lá tenho que te dar sastifação de como eu lidero o meu morro? Essa p***a é minha e eu não preciso da sua permissão e nem dá de ninguém para fazer o que eu quero. — Indagou com firmeza, me olhando como se estivesse falando com qualquer um dos seus vapores e eu dei uma risada incrédula.
— Você não acha coincidência demais que tudo tenha começado a dar errado de um tempo pra cá? Carga roubada, informações vazadas e até a p***a da invasão teve mais perda do que de costume, por que eles sabiam que a gente ia. Por que tem x9 na área — Cuspir as palavras na cara dele e o mesmo franziu o cenho.
— Você tem provas de que foi ela? — Ele perguntou, me fazendo rir com irônia outra vez. — Responde, c*****o! Você tem provas?
— E precisa? A guria é filha do Terror, o filha da p**a que tenta pegar seu posto a meses.— Falei o óbvio e o mesmo respirou fundo — Ela tá no meio dos bandidos, no nosso meio, quer mais prova do que isso?
— Uma coisa não tem nada haver com a outra. Você não conhece a menina e muito menos a razão que ela teve para se mudar pra cá — Eu fui obrigado a rir e passei a mão na cabeça para colocar pra trás o cabelo que estava grudando na testa.
— Aquela vagabunda, é filha da mulher que quase matou a Melissa, não passa pela sua cabeça que ela só queira terminar o que a mãe começou? — Argumentei quase gritando e o mesmo colocou a mão na cintura enquanto me encarava.
— Deixe de ser infantil, Guilherme! — Ele praticamente gritou, e eu tive que me controlar para não ir pra cima dele, fechei os olhos por poucos segundos e o olhei.
— Autopreservação agora é ser infantil? — Perguntei e o mesmo revirou os olhos
— Não diga palavras difíceis só por que você foi pra faculdade — Ele apontou o dedo pra mim como se tivesse me dando um aviso — Se está tão preocupado com a menina ser uma x9 por que não tenta chegar nela e tirar a prova dos nove?
Eu olhei para o mesmo por alguns segundos, esperando que ele desse alguma risada da piada que ele contou, mas como isso não aconteceu, quem riu foi eu.
— Tá de s*******m, né? — Perguntei ainda desacreditado da sua oferta e ele negou com a cabeça— Tá falando sério?
— A partir de agora, a Maya é sua responsabilidade — Ele apontou o dedo para mim e me encarou com o semblante de poucos amigos — E eu juro por Deus, que se faltar um fio de cabelo nessa garota, quem vai herdar a p***a do meu posto é o boiola do Rato!