>> Maya >>
4 semanas depois…
— Por que você ainda não tá pronta? — Parei de desenhar na mesma hora que a voz inconfundível da minha única amiga me atingiu, desviei o olhar da folha para a menina escorada na minha porta. Carla estava linda, com seu cabelo rosado e a raiz preta bem estilo joãozinho, estava com um short de couro preto, uma blusa cavada cinza e um top preto por debaixo, no seu pé estava um salto todo fechado preto, se tinha uma coisa que minha amiga fazia bem, com certeza era chamar atenção.
— Pronta, pra quê? — Perguntei desentendida, enquanto encarava ela com a testa franzida e mentalmente revisava todos os aniversários e datas "importantes" que ela me obrigou a gravar. Bom! Pelo menos hoje não era aniversário de ninguém…
— Para o Baile, Maya, hoje é o dia que o gostoso do Coringa vai entrar em liberdade condicional — A minha única reação foi olhar para ela como se a perguntasse se ela estava falando sério, não era de hoje que eu dizia que não me dava bem com o JP e toda a sua família que até hoje achavam que eu havia roubado aquela maldita marmita.
— Prefiro continuar aqui desenhando, quando sair me faça o favor de fechar a porta. Obrigada! — Disse em um tom meio irônico, voltando a atenção para o meu desenho e pintando as roupas do meu "boneco".
Carla, como não é nada persistente, se sentou ao meu lado e eu nem precisava encará-la para saber que ela estava com aquela carinha de gato de botas que só ela sabia fazer tão bem quanto o original.
— Por favor! Eu nunca te pedi nada hoje — Ela falou com a voz manhosa, me fazendo rir e olhar para ela por alguns segundos enquanto analisava o seu rosto com mais piercings do que eu conseguia contar, não sei como alguém conseguia beijar ela sem prender a língua ou o cabelo em algum deles.
— Nunca me pediu nada hoje? — Perguntei em um tom divertido e ela assentiu a cabeça de forma quase desesperada — Você sabe que eu não vou a bailes e segundo as suas orientações, os bailes são feitos para pegar geral, e eu não pego ninguém desse morro.
Sim, era uma promessa que eu tinha feito a mim mesma desde que a minha avó me alugou esse quarto com a condição de não arrumar problemas para ela, eu nunca me envolveria com ninguém desse morro.
Até porque tudo o que a família do JP precisava, principalmente a sua mulher, era que a filha da mulher que lhe causou um possível trauma esteja arrumando confusão pelo seu morro.
Pode parecer infantil para alguém que não foi criado na mesma situação que eu, mas no meu ponto de vista faz muito mais sentido uma pessoa correr do amor do que viver à procura dele.
Apesar que alguém pode se entregar totalmente a outra pessoa a ponto de suportar tudo, até a sua infelicidade por causa dela, me causa calafrios.
— Então você não pega, vamos só pra dançar e se divertir — Ela falou colocando a postura ereta, e quando eu levantei a sobrancelha com uma expressão de quem duvidava, ela colocou uma mão no peito e estendeu a outra como uma jura — Eu prometo!
Olhei para a mesma por alguns segundos e ela continuou naquela posição enquanto aguardava alguma resposta da minha parte, eu respirei fundo e curvei os lábios em um sorriso sem mostrar os dentes.
— Me diz o que eu não faço por você, Carlão? — Alfinetei a mesma que me retribuiu com uma careta de nojo.
— Eu te amo, Maya, mas se me chamar assim de novo eu juro que nunca mais olho na sua cara — Ela diz me fazendo rir e eu me sento na beira da cama, e calçando as havaianas para me levantar, graças a Deus meus pé tinha cicatrizado a algumas dias, então tudo o que me incomoda nele agora são as cicatrizes dos dados de vidro que ficou.
— Luka vai com a gente? — Perguntei enquanto abria o meu pequeno guarda roupa e varria ele com os olhos a procura de algum vestido legal, eu normalmente usava short e calças, mas como eu não estou muito afim de ir e com uma preguiça assustadora, optei por um vestido vermelho um pouco colado e uma sandália baixa preta.
— Não, ele foi buscar o Coringa na penitenciária — Ela disse, me fazendo murmurar um ok e continuar procurando um colar e brinco que combine com o vestido.
— Ele foi preso por tráfico de drogas? — Perguntei mesmo que a vida daquele homem que fez das visitas a casa de minha vó um inferno não me interessasse, porém eu sou curiosa e fofoca é a minha principal fonte de nutrientes.
— Homicídio Culposo — Me virei para ela na mesma hora, o que fez com que eu batesse a minha cabeça no armário, coloquei a mão no lugar onde havia batida e olhei para ela que estava rindo da minha situação.
— Como assim "culposo''? — Faz anos que eu não vejo esse menino, mas se tem uma coisa que eu lembro bem, é que ele não era flor que se cheire.
— Foi o que falaram — Deu com os ombro me fazendo balançar com a cabeça em sinal de negação rindo e pegar os acessórios, eu não disse mais nada, apenas me virei de costas para a minha amiga e me dirigir até a saída do quarto, passando pela sala onde minha avó assistia a sua novela das nove.
Entrei no banheiro e me olhei no espelho, eu não tava com uma cara muito boa já que tive pesadelo com o Fabio outra vez, mas nada que uma bela maquiagem depois do banho frio não resolvesse.
Liguei o chuveiro sentindo os respingos de água fria me atingir na mesma hora e me coloquei debaixo dele, fechando os olhos e sentindo a água correndo pelo meu corpo e levando consigo todo o suor que estava impregnado no meu corpo, graças ao fato de que eu poderia tomar mais de dois banhos no dia por causa da conta de água e trabalhava o dia todo tanto na rua quanto ajudando a minha vó a vender lanches.
Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha que mesmo lavada deixou de ser branca a muito tempo, peguei a minha pequena maleta de maquiagem, comprada em algumas lojas mais baratas com o dinheiro que a minha avó deixava mim, ela era aposentada, mesmo assim eu pagava a ela pelas despesas de tudo o que eu consumia e pelo quarto que eu dormia, o que na minha opinião não é nada mais justo já que ela não tem obrigação nenhuma de sustenta uma garota com dezoito anos e que saiu de casa por vontade própria.
Me olhei no espelho e comecei a fazer minha maquiagem básica: Primer, base, corretivo, pó facial, bronzer, blush, iluminador e glosa. Vesti o meu vestido vermelho quadriculado de alcinha e penteie o cabelo deixando ele solto, já que ele estava escovado eu não tive tanto trabalho, calcei a minha sandália e saí do banheiro observando a minha vó dormindo no sofá.
— O verdadeiro significado de "deu mole é vapo" — Carla me olha de um jeito malicioso enquanto me analisava de cima a baixo, eu apenas dei risada e joguei a minha roupa suja no cesto.
— Vamos logo antes que minha vó acorde e me peça pra fazer alguma coisa — Apressei a mesma que apenas assentiu com a cabeça e se colocou de pé em um quase pulo — E eu juro por Deus, que se você me largar sozinha por um segundo, eu volto pra casa na mesma da hora.
— Deixa de frescura, depois de ver os boy gostoso que vai tá lá você nem vai lembrar que tá a meses sem t*****r — Olhei para ela com um sorriso forçado, essa palavra não me traziam boas lembranças, mas desde que eu cheguei no morro e reencontrei a Carla, ela me acolheu de uma forma tão aconchegante que as vezes me faz até esquecer de como era as coisas lá em casa — Eu tô falando sério, hoje a gente não se desgruda.
Ela pegou meu braço entrelaçando no seu e me levou em direção a porta, não demorou muito para que a gente passasse por ela, começamos a caminhar em direção a guarda e eu fui o caminho todo ouvindo a Carla reclama sobre o sapato que ela mesma tinha escolhido para subir o morro.
Já havia um tempo que a gente tinha chegado, todos dançavam, cada um da sua maneira e se divertiam, eu sempre apreciava essa visão quando vinha para os bailes arrastada pela Carla.
No morro do Fábio quase não tinha baile e quanto tinha ou eu não poderia ir ou nem se comparava a animação que aqui tinha, com músicas para todos os gostos, continuei percorrendo o baile com o olhar, que ele pousou em outro par de todos castanhos que me trouxe uma estranha sensação de nostalgia.
— Carla! Carla! — Cutuquei a mesma de uma forma tão discreta que quase derrubei a sua bebida, ela olhou para mim com a testa franzida, e ao mesmo tempo curiosa pelo motivo de tal reação vinda da minha parte — Quem é aquele?!
Apontei disfarçadamente para o loiro com os cabelos grandes e ondulados, seu rosto era magro e parecia ter sido desenhado a mão por anjos, uma boca carnuda e levemente rosada completavam o seu charme de galã.
Carla olhou diretamente para a direção enquanto sugava o canudo da sua bebida, ela sempre traz esse copo esquisito para os bailes e o fato dela não ter disfarçado nada ao olhar para o homem a poucos metros da gente fez com que as minhas bochechas ficassem um pouco ruborizadas.
— O cheio de tatuagem? — Assentir com a cabeça — Chamam ele de PK.
Olhei de novo para o homem que me encarava, seu olhar era intimidador e normalmente eu me incomodaria com esse tipo de atenção sendo direcionada a mim, mas hoje, por algum motivo eu estava gostando de ter a atenção de alguém sobre mim.
Logo outro homem sussurrou algo em seu ouvido, fazendo o loiro assentiu com a cabeça e começou seguir um dos vapores em direção a saída da quadra, mas antes que ele passasse pela porta, a olhada que ele lançou em minha direção fez o meu coração palpitar um pouco mais rápido que o normal.
Automaticamente peguei o copo de qualquer que seja a bebida que a Carla me ofereceu e virei de uma vez só, sentindo a minha cabeça girar assim que o líquido começou a descer rasgando pela minha garganta.
Eu me engasguei com a bebida quando a Carla deu um grito ao ouvir a música da Anitta começar a tocar, ela me pegou pela mão e me puxou para a "pista de dança" sem nem procurar saber se eu queria dançar.
Mas eu simplesmente me soltei, dancei como nunca havia dançado na minha vida e parecia que eu estava aproveitando todos os bailes que o Fábio me impedia de ir.
Não demorou muito para que a Carla sumisse do meu ponto de vista, mas eu estava animada demais agora para ir procurar por ela ou simplesmente voltar para casa como eu tinha jurado que faria.
Sentir alguém agarrar a minha cintura e me dá um único puxão, que resultou no meu corpo colado perfeitamente ao seu e sua mão forte na minha cintura enquanto ele a mexia no ritmo da música.
Ele foi descendo aos poucos a sua mão para a minha coxa e me virou para ele, fazendo com que nossos olhos se encontrassem e eu confesso que ver aquele olhos castanhos tão de perto me trouxe uma onda de prazer que eu nunca imaginei que poderia sentir depois de tudo o que aconteceu.
E como se estivesse esperando que eu permitisse, ele colocou as mãos na minha nuca devagar e foi se aproximando aos poucos enquanto encarava meus olhos a espera de alguma possível recusa.
Não demorou muito para que nossos lábios se encontrasse, me trazendo um beijo quente e suave que aos poucos foi se transformando em algo voraz e cheio de fome e desejo, ele me puxou mais para si, sua mão que estava na minha cintura foi descendo até a b***a, fazendo o homem sorrir entre o beijo quando um pequeno gemido sai da minha boca ao sentir a minha b***a ser apalpada com força.
— Vamos pra outro lugar. — Ele sussurra depois de nos separamos pela falta de dar, eu não disse nada, apenas assenti com a cabeça e sem pensar duas vezes ele pegou a minha mão começando a me guiar para fora da quadra.
Eu fiquei me esquivando de pessoas que conheciam minha vó e abaixei a cabeça para falar com algumas, quando o PK abriu a porta da casa e me puxou para dentro eu sabia que a partir daquele momento não tinha mais volta, mas eu queria fazer aquilo pela primeira, por que eu queria e não porque eu era forçada, o fato de PK não ser daqui e desaparecer no dia seguinte não me importava.
Ele trancou a porta, deixando a chave na fechadura e veio até mim em alta velocidade, colocou minhas costas na parede e colocou novamente a sua boca na minha.
Deslizou a sua mão por debaixo do meu vestido, tocando na minha b***a diretamente, apertando-a com força e com que eu voltasse a me esfregar nele. Ele começou a levantar a peça de roupa, fazendo com que eu levantasse o braço e me separasse dele enquanto ele me despia.
O peso da sua boca me fez perder novamente o juízo. Ele mordeu o meu pescoço e desceu com as mãos, me acariciando. Soltei um gemido quando ele enfiou os dedos por dentro da minha calcinha e afastou o meu sutiã com os dentes, abocanhando meu peito completamente nu.
Puxei o seu cabelo, percorrendo os fios com os dedos enquanto ele degustava do bico do meu peito, fazendo com que um gemido soltasse da minha boca já que aquela era uma área bem sensível. A pulsação entre as minhas coxas estava frenética. Quanto mais ele me tocava, mais eu queria sentir ele dentro de mim.
Ele se afastou e começou a me puxar para um cômodo, fazendo com que eu observasse um pouco o interior da casa que parecia um pouco abandonada. Entramos no quarto e suas roupas foram ficando pelo caminho até que as minhas costas caíssem no colchão. Ele praticamente pulou em cima de mim e sua boca voltou a cobrir a minha com ainda mais desejo do que antes, enquanto sua língua passeava por todo o interior da minha boca.
A pegada dele era incrível e à medida que ele apertava mais seus dedos sobre a minha pele, se tornava cada vez mais difícil pensar racionalmente. Quase protestei quando o mesmo parou de me beijar, quando o mesmo se ajoelhou na beira da cama e me puxou pelas nádegas observando a minha área mais íntima.
— Gostosa pra c*****o! — Foi tudo o que ele disse antes de colocar a boca naquele lugar. Ele me chupou, lambeu e penetrou com a língua até que eu alcançasse o clímax.
Eu já estava escorada e curvada para a frente, Ele levantou o meu quadril e se encaixou em mim. Soltei um gritinho na força que ele colocou para entrar.
O homem mantinha uma das mãos na minha cintura, a outra foi parar no meu cabelo, puxando-o para trás com força enquanto ele se movia com rapidez. Fiquei completamente de quatro enquanto ele se encaixava ainda com mais força dentro de mim e os gemidos que saíam tanto da boca dele quanto da minha indicada que nós dois estávamos aproveitando o momento.
Eu já perdi a conta de quantas vezes havia gozado, duas ou três talvez, e percebi que ele gozou quando o mesmo me largou na cama de forma brusca e se jogou na cama com a barriga pra baixo.
Eu me sentei na beira da cama e fiquei alguns segundos pensando no que eu tinha acabado de fazer, eu não era de cometer esse tipo de loucura, mas se eu tivesse que não foi bom eu estaria mentindo. Me levantei da cama com as pernas um pouco bambas, catei as pequenas peças de roupa pelo quarto e olhei para o homem adormecido mais uma vez antes de começar a me vestir para voltar a vida real.