Capítulo 20
Atibaia narrando
Eu vejo Ursula e me aproximo dela.
— Porque está me evitando? – falo puxando ela pelo braço e encostando ela contra a parede no beco
— Achei que você tinha uma nova preferida.
— Uma nova preferida? Faz uma semana que me evita, não me atende – ela me encara
— O que foi, sentiu falta? A novata não deu conta?
— Do que está falando, estava cheio de problema essa semana para resolver, carga atrás de carga além de estar me incomodando com o filho da p**a do Duda.
— O dia que a Persefone saiu da sua casa, ela deixou bem claro que vocês dois estava juntos.
— Ela disse isso? – eu questiono
— Disse e ainda disse que a p**a que te dava de graça era eu – ela fala me olhando – você realmente acha que vou passar por essa humilhação por causa daquela garota?
— Esquece a Persefone – eu falo
— Esqueço não, você nunca me assumiu como Fiel,me usa e joga fora – ela fala – não vou admitir te dividir com quela garota.
— A gente nunca teve nada sério e você sabe disso.
— Então, você não via me ter – ela me empurra – se quiser, vai ser me assumindo como tua fiel na frente do morro inteiro.
Ela sai andando e eu coço a cabeça, não acredito que Persefone está me arrumando mais uma dor de cabeça dessa forma.
— Encontrei Duda – Confusão fala se aproximando
— Onde?
— Rodando o morro.
— O que aquele filho da p**a queria? – eu pergunto
— Te mandou um recado – ele fala
— Qual recado?
— Ele quer Persefone.
— E se eu não entregar a Persefone a ele?
— Ele vai se aliar a policia – ele fala – e vai dar todas as informações que ele sabe sobre o seu morro, você sabe a policia está cega querendo te prender por causa da morte do Fabianinho e da esposa.
— Manda o recado de volta a ele – eu falo olhando para ele – Persefone fica no meu morro e daqui ela não sai.
— Vai comprar briga por causa dela?
— Não é por causa dela e sim pela ousadia de Duda vir querer me confrontar, quer se aliar a policia manda se aliar, eu mato ele e toda tropa que vir junto – Confusão me encara – você entendeu?
— Sim – ele fala – sim, Atibaia.
— Agora vaza e dar o recado para ele!
Capítulo 21
Perséfone narrando
— Dona Olivia – falo me aproximando dela
— Oi – ela fala
— A senhora tem doze mil para me emprestar? – ela cospe a água longe
— O que?
— Eu preciso de doze mil reais.
— Porque? – ela pergunta
— Preciso pagar uma dívida.
— Perséfone – ela fala – que m***a você arrumou?
— Preciso pagar muito essa dívida.
— Eu não tenho assim, precisava pedir a Castro – ela fala
— Não, por favor não – eu afirmo – ele não pode saber que estou te pedindo dinheiro. Eu me viro.7
— Essa dívida sobre o que?
— É coisa minha.
— Perséfone – ela fala me olhando
— Está tudo bem – sorrio para ela – a senhora me ajuda muito, obrigada por tudo.
Castro chega no bar e eu saio, ele me encara e eu passo por ele encarando, eu estava super perdida, andei o morro todo de cima para baixo e de baixo para cima procurando qualquer emprego, mas ninguém me contratou, ainda mais depois que rola o boato pelo morro que eu estava tendo algo com Atibaia, o que era mentira, povo fofoqueiro de mais.
Eu me sento na quadra e fico ali pensando em alguma forma de ganhar dinheiro, vejo a psicóloga Yasmin se aproximar.
— Encontrei você – ela fala sorrindo
— Estava me procurando?
— Estou meio perdida ainda, bom faz só dois dias que estou por aqui.
— Está gostando?
— É novo.
— Por que está aqui?
— Me separei recentemente – ela fala – precisava de um lugar para ficar. Você mora aqui a muito tempo?
— Desde que nasci.
— Seus pais são daqui?
— Não os conheci – eu falo para ela – sei lá, fui abandonada, deixa aqui no morro, criada assim aos quatro ventos.
— E você fica onde?
— No bar da Olivia, tenho um quartinho lá, me viro como posso. Vendendo brisadeiros, drogas, só que agora estou metida em uma confusão.
— O que aconteceu? – ela pergunta
— Devo muita grana no morro.
— Aquii?
— Aqui e em outro, ele veio até me cobrar, ambos. O de fora, se chama Duda queria me levar a força e me fazer sua p**a – ela me olha – mas Atibaia não deixou.
— Não?
— Ele disse que nenhuma mulher é forçada nada aqui dentro.
— Só aqui dentro – ela fala
— Não entendi – eu a encaro
— Estou dizendo que aqui dentro as leis até que funciona, as leis dele.
— É – eu falo – mas tenho divida grande com Atibaia e tenho menos de 20 dias para quitar ela.
— Quanto é?
— 12mil , sei lá, acho que até mais.
— Bastante dinheiro – ela fala
— Tenho mil reais, falta só os onze mil. – eu falo para ela – eu sei como arrumar mas tenho medo.
— Espero que você consiga – ela fala me encarando – tem que ter um jeito de você conseguir;
— Como? Quase impossível – eu falo para ela – ninguém me dar um emprego aqui dentro porque acha que estou me envolvendo com ele.
— E você está?
— Não , jamais – eu respondo – não posso sair do morro porque Duda está me ameaçando, não sou formada, m*l finalizei a escola, nunca trabalhei de carteira assinada, somente sobrevivi nessa m***a do mundo.
— Você disse que vende brisadeiro não é? – ela pergunta
— Sim - eu respondo
— Porque não vende no baile? – ela pergunta – sobe muitaa gente aqui, não? Esses patricinhas e mauricinhos vão comprar.
— Não tenho grana para comprar na boca e eles não vão deixar.
— Com uns duzentos reais você compra bastante?
— Sim – eu falo
— Eu te dou essa grana – ela fala
— Eles não me venderiam, esquece.
— Me diz onde é, que eu compro para você – ela fala
— Porque você faz isso?
— Já passei perrengue como você Persefone – ela fala me olhando – vende cada um há 15 reais, no final da noite tu faz uma grana ótima.
Capítulo 22
Alicia | Yasmin narrando
Eu pego o dinheiro e Persefone me mostra onde é a boca, eu respiro fundo e vou até lá, bato na porta e quando mandam entrar, eu vejo aquele homem cujo nome é Joé, o mesmo que me amarrou e me levou para aquele lugar para me m***r, eu achei que sentia medo de o encarar, que me sentiria m*l, mas não.
— Quem é você? – ele pergunta – nunca te vi por aqui.
— Yasmin, sou a nova psicóloga da ong.
— Realmente ouvi que tinha moradora nova – ele fala – o que você quer aqui?
— Quero 200 reais de maconha – falo colocando na mesa
— Não sabe nem comprar maconha, para que você quer?
— Para dar uma amiga.
— Que amiga? – ele pergunta
— Perséfone – ele estreita os olhos
— Por que está comprando d***a para ela?
— Ela me disse que tem uma dívida, ela me ajudou quando cheguei no morro, quero ajudar ela.
Ele pega a maconha e me entrega.
— Obrigada – eu respondo e quando eu me viro, ele me chama
— Espera – ele fala
— O que foi? Algo errado?
— A gente se conhece? – ele pergunta me encarando, sai de trás da mesa e se aproxima de mim – tenho a sensação que a gente já se viu.
Flash black onn
Eu estava amarrada e amordaçada, esses monstros me fizeram ver toda a morte do meu marido, as lagrimas descia sobre o meu rosto.
— E agora Joé? – um deles pergunta
— Vocês já sabem o que fazer, preciso voltar para o morro – ele me encara – uma -pena, ser tão bonita dessa forma e acabar morta por causa do filho da p**a do seu marido.
Eu começo a me debater mesmo amordaçada, ele sai e os outros homens começam a rir e começam a comentar sobre minha beleza e o meu corpo, as lagrimas descia sem parar sobre o meu rosto, eu estava sentindo medo e ao mesmo tempo raiva, sempre disse que a Fabio que esse seria o seu destino, mas nunca achei que realmente aconteceria.
— Vamos boneca – um fala – vamos brincar.
Flash black off
— Acredito que não – eu falo olhando para ele – é a primeira vez que te vejo na vida.
— Pode ser – ele fala me olhando
— Eu preciso ir.
Ele não diz mais nada, mas quando saio solto toda a minha respiração, todo mesmo, eu saio me tremendo por inteira e com as pernas bambas.
Capítulo 23
Persefone narrando
Yasmin tinha me entregado a d***a , eu tentei recusar mas ela não deixou, eu senti que eu tinha uma amiga além de Sara.
— Quem comprou? – Sara pergunta – se você está devendo lá na boca e provavelmente Joé não liberaria.
— Eu ganhei, preciso terminar os brigadeiros para vender a noite – eu falo. – você me ajuda?
— Ajudo – ela responde – quem é?
— Yasmin, a psicóloga nova da ong.
— Ong da Ursula? – ela pergunta – ela já quer sua cabeça quando ver que essa psicóloga nova está te ajudando, vai querer a cabeça dela.
— Não quero problemas para yasmin
— Então se afasta, sabe como é a Ursula ela prejudica a todas, o tempo todo!
Olivia em deixou usar a cozinha , mas não contei a ela o que realmente iria fazer, com ajuda de Sara eu passo um tempo fazendo os brigadeiros, depois me arrumo para o baile, coloco um short jeans e um cropped , um tenis que Sara me emprestou, faço uma maquiagem e duas tranças embutidas em meu cabelo, lá no baile consegui uma mesinha e na frente fiquei oferecendo os brisadeiros, fiz 100 e estava vendendo a 15,00 cada, faltava uns 40 para vender, quando Ursula e suas amigas param na minha frente.
— Está vendendo o que mendiga? – ela pergunta me encarando
— Você me chamou do que?
— Persefone – Sara fala
— Perguntei o que você está vendendo
— Brisadeiro quer comprar? – Sara pergunta
— Se não quer, vaza.
— Quanto é? – Ursula pergunta com um sorriso irônico no rosto.
— 15,00 reais – eu falo
— Você tem autorização para vender aqui?que eu saiba precisa de autorização.
— Quer comprar ou não? – eu pergunto para ela.
— Ah,, quero um, deixa eu escolher – ela fala levando a mãos aos brisadeiros, mas quando ela encosta ela derruba tudo no chão – meu Deus, me perdoa, foi m*l.
— Você está maluca sua v*******a – eu falo para ela – você derrubou de proposito
— Você tem como provar isso? – ela pergunta
— Todo mundo viu – ela fala rindo
— E você acha que Atibaia vai acreditar em quem, em você ou em mim, sua mendiga, sem família, sem teto – ela fala rindo.
Eu olho para ela com raiva e na mesma hora cato ela pelos cabelos, ela tenta se defender e começa a gritar, eu a derrubo e esfrego a cara dela nos brisadeiros. Ela tentava se levantar mas eu a segurava forte, até que escutamos tiros e vapores me segurando, a mesma estava com o rosto sangrando.