Isolado há horas, o quarto escuro causava claustrofobia. Evitar as pessoas, a aproximação. Se afastar tudo e todos, dar desculpas, em vez de admitir. Soava fácil. Fácil ignorar a profundidade do buraco em que se encontra. Preferir o vazio da solidão, as cobranças. A crise financeira apertava, e a ansiedade se transforma em desespero. Sentia o peso da existência. De levantar da cama, de calçar o sapato, de atender uma ligação. Passava a ignorar tudo: amigos, família, contas. A vida não perdoava. E em resposta, nas esquinas, sempre um lembrete de que havia falhado. Ver as pessoas, a felicidade delas, não era o que doía. O que doía, era ver que tudo continuava girando sem ele. O remédio para essa fase todos conhecem. Em um momento de fraqueza e impulsividade, a busca por uma “virada”. E

