Lívia
Acordo com a luz da manhã filtrando pelas cortinas.
Dante já não está na cama.
Mas seu calor ainda está no lençol.
Sento-me, os músculos ainda doloridos da noite anterior. Sinto as marcas dele pelo meu corpo: vermelhidões, pequenas manchas roxas, o gosto dele ainda nos meus lábios.
Caminho até o banheiro, a água fria me ajuda a despertar. Quando volto, já vestida com um robe leve, encontro a porta do quarto aberta.
— Dante? — chamo, saindo para o corredor.
— Aqui. — a voz dele vem do andar de baixo.
Desço devagar e encontro-o na sala, encostado no batente da porta, de braços cruzados.
— Temos visita. — diz, com um sorriso cínico.
Antes que eu possa perguntar, um homem surge atrás dele.
Jovem, elegante, um terno claro, olhos verdes atentos em mim.
— Lívia? — ele diz, a voz gentil. — Sou Adriano. Um amigo.
— Amigo? — repito, confusa.
— Ele não é nada seu. — corta Dante, a mandíbula dura. — É um erro que eu vou corrigir já.
Adriano levanta as mãos, pacífico.
— Só quero falar com ela.
— Ela não fala com ninguém sem minha permissão. — Dante retruca.
— Você não manda em mim. — digo, sem pensar.
Dante me lança um olhar afiado.
— Não? — pergunta, se aproximando. — Quer provar isso aqui e agora?
— Sim. — respondo.
Ele para diante de mim, os olhos queimando os meus.
— Adriano. — diz, sem se virar para ele. — Dê-nos um momento.
O homem hesita, mas acaba recuando, saindo para o jardim.
— O que você pensa que está fazendo? — Dante murmura, prendendo meu rosto entre as mãos. — Quer me envergonhar? Quer se exibir para ele?
— Quero ser ouvida. — digo firme.
Ele ri baixo, o som mais perigoso que já ouvi dele.
— Então vai ser assim? Vai brincar comigo aqui, na frente de outros? — sua mão desce para minha garganta, apertando levemente, só para marcar presença. — Quer ver até onde eu vou, cara mia?
— Quero. — sussurro.
Ele não perde tempo. Empurra-me contra a parede, sua boca tomando a minha num beijo brutal.
— Sabe o que eu vejo quando você me desafia assim? — ele rosna entre beijos — Vejo alguém implorando para ser lembrada de quem manda.
— Então me lembre.
Antes que eu possa reagir, ele me pega no colo, as mãos firmes sob minhas coxas, e me leva de volta para o quarto.
Me joga na cama e se ajoelha, já desabotoando a própria camisa.
— Tira. — ordena.
Obedeço. Deixo o robe escorregar pelos ombros até cair no chão, expondo minha pele marcada da noite anterior.
— Olhe pra mim. — ele comanda, a voz mais grave.
Meus olhos não desgrudam dos dele enquanto ele se ajoelha entre minhas pernas, os dedos deslizando lentamente pela minha barriga até alcançar meu centro.
— Ainda molhada pra mim? — murmura, com um sorriso c***l.
— Sempre. — respondo.
Ele ri baixo e desliza os dedos por mim, explorando devagar, os olhos presos aos meus.
— Boa garota. — diz, antes de baixar a cabeça.
Sinto sua língua quente e firme em mim, movimentos longos, calculados, aumentando a pressão a cada vez que eu arqueava o corpo contra ele.
O espelho ao lado reflete tudo: meu corpo exposto, a cabeça dele entre minhas pernas, seus ombros largos me prendendo no colchão.
Ele para só quando estou à beira, os dedos me segurando aberta para que ele veja cada reação.
— Agora você entende? — pergunta, a respiração dele quente contra minha pele.
— Que você manda? — retruco, ofegante. — Não ainda.
Ele sorri, satisfeito com a ousadia.
— Então vamos corrigir isso.
Ele se ergue, livra-se das roupas com pressa, e sem aviso me penetra fundo, fazendo-me soltar um gemido alto que ecoa no quarto.
Segura minha perna sobre seu ombro, me obrigando a ficar aberta para ele, os movimentos fortes, precisos, enquanto me olha pelo espelho.
— Olhe como você fica pra mim. — diz, entre dentes. — Toda minha.
— Não… toda. — sussurro, sorrindo.
Isso o faz acelerar, me puxando ainda mais para si, como se pudesse me fundir ao corpo dele.
O calor entre nós se torna insuportável, um turbilhão de prazer e dor que me deixa tonta.
Quando ele termina, ainda me prende debaixo dele, ofegante, a testa apoiada na minha.
— Nunca faça isso de novo. — murmura.
— Não posso prometer. — respondo, ainda sorrindo.
Ele fecha os olhos, respira fundo e ri baixo.
— Você vai me destruir.
— Essa é a ideia.
Depois, ele se levanta, se veste e me ajuda a sentar.
— Vista-se. — diz. — Você vai falar com Adriano.
— Por quê?
— Porque eu quero ver até onde você vai com isso.
Coloco o robe de volta e desço as escadas com ele me seguindo de perto, como uma sombra.
Adriano ainda está no jardim, mãos nos bolsos, um sorriso leve no rosto quando me vê.
— Você está bem? — ele pergunta.
— Por enquanto. — respondo.
— Quero ajudar você, Lívia. — diz, a voz baixa.
Antes que eu possa responder, sinto Dante atrás de mim, a mão firme na minha cintura, possessiva.
— Ela não precisa de ajuda. — diz ele, gelado.
— Isso não é com você. — Adriano rebate.
O silêncio entre eles é quase palpável.
Eu apenas fico parada, sentindo os dedos de Dante apertarem mais e mais em mim, como se tentasse me lembrar de quem eu era.
E no meu peito, pela primeira vez, nasce uma ideia perigosa: talvez Adriano seja minha chance.
E talvez eu não precise pedir permissão para nada.