— A visita

957 Palavras
Lívia Acordo com a luz da manhã filtrando pelas cortinas. Dante já não está na cama. Mas seu calor ainda está no lençol. Sento-me, os músculos ainda doloridos da noite anterior. Sinto as marcas dele pelo meu corpo: vermelhidões, pequenas manchas roxas, o gosto dele ainda nos meus lábios. Caminho até o banheiro, a água fria me ajuda a despertar. Quando volto, já vestida com um robe leve, encontro a porta do quarto aberta. — Dante? — chamo, saindo para o corredor. — Aqui. — a voz dele vem do andar de baixo. Desço devagar e encontro-o na sala, encostado no batente da porta, de braços cruzados. — Temos visita. — diz, com um sorriso cínico. Antes que eu possa perguntar, um homem surge atrás dele. Jovem, elegante, um terno claro, olhos verdes atentos em mim. — Lívia? — ele diz, a voz gentil. — Sou Adriano. Um amigo. — Amigo? — repito, confusa. — Ele não é nada seu. — corta Dante, a mandíbula dura. — É um erro que eu vou corrigir já. Adriano levanta as mãos, pacífico. — Só quero falar com ela. — Ela não fala com ninguém sem minha permissão. — Dante retruca. — Você não manda em mim. — digo, sem pensar. Dante me lança um olhar afiado. — Não? — pergunta, se aproximando. — Quer provar isso aqui e agora? — Sim. — respondo. Ele para diante de mim, os olhos queimando os meus. — Adriano. — diz, sem se virar para ele. — Dê-nos um momento. O homem hesita, mas acaba recuando, saindo para o jardim. — O que você pensa que está fazendo? — Dante murmura, prendendo meu rosto entre as mãos. — Quer me envergonhar? Quer se exibir para ele? — Quero ser ouvida. — digo firme. Ele ri baixo, o som mais perigoso que já ouvi dele. — Então vai ser assim? Vai brincar comigo aqui, na frente de outros? — sua mão desce para minha garganta, apertando levemente, só para marcar presença. — Quer ver até onde eu vou, cara mia? — Quero. — sussurro. Ele não perde tempo. Empurra-me contra a parede, sua boca tomando a minha num beijo brutal. — Sabe o que eu vejo quando você me desafia assim? — ele rosna entre beijos — Vejo alguém implorando para ser lembrada de quem manda. — Então me lembre. Antes que eu possa reagir, ele me pega no colo, as mãos firmes sob minhas coxas, e me leva de volta para o quarto. Me joga na cama e se ajoelha, já desabotoando a própria camisa. — Tira. — ordena. Obedeço. Deixo o robe escorregar pelos ombros até cair no chão, expondo minha pele marcada da noite anterior. — Olhe pra mim. — ele comanda, a voz mais grave. Meus olhos não desgrudam dos dele enquanto ele se ajoelha entre minhas pernas, os dedos deslizando lentamente pela minha barriga até alcançar meu centro. — Ainda molhada pra mim? — murmura, com um sorriso c***l. — Sempre. — respondo. Ele ri baixo e desliza os dedos por mim, explorando devagar, os olhos presos aos meus. — Boa garota. — diz, antes de baixar a cabeça. Sinto sua língua quente e firme em mim, movimentos longos, calculados, aumentando a pressão a cada vez que eu arqueava o corpo contra ele. O espelho ao lado reflete tudo: meu corpo exposto, a cabeça dele entre minhas pernas, seus ombros largos me prendendo no colchão. Ele para só quando estou à beira, os dedos me segurando aberta para que ele veja cada reação. — Agora você entende? — pergunta, a respiração dele quente contra minha pele. — Que você manda? — retruco, ofegante. — Não ainda. Ele sorri, satisfeito com a ousadia. — Então vamos corrigir isso. Ele se ergue, livra-se das roupas com pressa, e sem aviso me penetra fundo, fazendo-me soltar um gemido alto que ecoa no quarto. Segura minha perna sobre seu ombro, me obrigando a ficar aberta para ele, os movimentos fortes, precisos, enquanto me olha pelo espelho. — Olhe como você fica pra mim. — diz, entre dentes. — Toda minha. — Não… toda. — sussurro, sorrindo. Isso o faz acelerar, me puxando ainda mais para si, como se pudesse me fundir ao corpo dele. O calor entre nós se torna insuportável, um turbilhão de prazer e dor que me deixa tonta. Quando ele termina, ainda me prende debaixo dele, ofegante, a testa apoiada na minha. — Nunca faça isso de novo. — murmura. — Não posso prometer. — respondo, ainda sorrindo. Ele fecha os olhos, respira fundo e ri baixo. — Você vai me destruir. — Essa é a ideia. Depois, ele se levanta, se veste e me ajuda a sentar. — Vista-se. — diz. — Você vai falar com Adriano. — Por quê? — Porque eu quero ver até onde você vai com isso. Coloco o robe de volta e desço as escadas com ele me seguindo de perto, como uma sombra. Adriano ainda está no jardim, mãos nos bolsos, um sorriso leve no rosto quando me vê. — Você está bem? — ele pergunta. — Por enquanto. — respondo. — Quero ajudar você, Lívia. — diz, a voz baixa. Antes que eu possa responder, sinto Dante atrás de mim, a mão firme na minha cintura, possessiva. — Ela não precisa de ajuda. — diz ele, gelado. — Isso não é com você. — Adriano rebate. O silêncio entre eles é quase palpável. Eu apenas fico parada, sentindo os dedos de Dante apertarem mais e mais em mim, como se tentasse me lembrar de quem eu era. E no meu peito, pela primeira vez, nasce uma ideia perigosa: talvez Adriano seja minha chance. E talvez eu não precise pedir permissão para nada.
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