O Inspetor Valente já não era o mesmo homem que, décadas antes, jurara limpar as ruas de Nápoles com o sangue dos Morelli. A idade, o peso do distintivo e as inúmeras noites em claro observando a corrupção corroer as instituições que ele deveria defender tinham-lhe drenado a esperança. Quando Leo chegou a casa, derrotado e com o cheiro da humilhação impregnado na pele, o velho inspetor não sentiu fúria. Sentiu um cansaço existencial que finalmente o permitiu ver a verdade. O escritório de Valente estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho de um monitor antigo e pelo rastro de fumo de um cigarro barato. Leo caminhava de um lado para o outro, gesticulando com os lábios cortados. — Ele traiu-nos, pai! Ele estava lá com ela, com o Matteo... ele apontou-me uma arma! — gritou

