Dante Eu sentia a suavidade da pele de Lívia sob a palma da minha mão e, por um instante, esquecia que o meu nome era sinônimo de morte em cada beco de Nápoles. A gravidez dela avançava, e com cada centímetro que o seu ventre crescia, a minha alma parecia expandir-se também, saindo das sombras onde rastejara por décadas. Eu estava aprendendo a viver, a apreciar o sabor do vinho sem procurar o gosto do veneno, a dormir sem o peso da arma sob o travesseiro embora ela ainda estivesse lá, por puro instinto. Mas a paz é uma mentira que contamos a nós mesmos para suportar a guerra. Estávamos no jardim, o lugar que Lívia conquistara de mim como o seu pequeno reino de liberdade. O cheiro de jasmim e terra úmida era o nosso novo refúgio. Eu a observava pintar , um passatempo que eu incentivara,

