Lívia O cheiro de Dante no travesseiro era tudo o que eu conhecia, tudo o que eu odiava e tudo o que, subitamente, me acalmava. O sol já estava alto, e a exaustão da noite ou melhor, da minha vingança me manteve presa até tarde. Ele não estava na cama. Por um momento, o pânico me gelou. Eu o droguei, o subjuguei. O Dante de ontem me mataria por menos. Levantei-me, vestindo a camisa dele novamente, e saí do quarto. O apartamento estava silencioso. A tensão que habitualmente sufocava o ar, aquela eletricidade perigosa que anunciava a iminência de um confronto, havia se dissipado. No lugar, havia apenas o silêncio. Um silêncio que me assustava mais do que qualquer grito. Eu o encontrei na cozinha, algo que nunca imaginei ver. Ele estava de pé, encostado ao balcão de mármore, pálido, ma

