Eu tava com Vicente no colo, sentada no sofá, tentando fazer ele arrotar depois da mamada. JL tinha saído pra comprar pão. Pão, leite e toddynho, que ele jurava que era pro Vicente quando, na verdade, era tudo desculpa pra mim. Ele gostava de mim mimada, mesmo quando eu dizia que não precisava. O bebê deu aquele arrotinho mole e eu sorri. Ia levantar pra colocar ele no berço portátil quando a campainha tocou. Ninguém tocava campainha ali. Ou batiam palma, ou chamavam pelo portão. Só de ouvir aquele som, um frio percorreu minhas costas. Fui até a janela com Vicente no colo, puxei a cortina com cuidado, o coração já pulando no peito. E quando vi… eu congelei. Era ele. Meu pai. Vestido com a mesma postura arrogante de sempre, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse me chuta

